Do diabo-negro ao peixe-ogro: o que descobrimos sobre os formatos mais bizarras do fundo do mar
Pesquisa com quase 3 mil espécies mostrou como o ambiente e os hábitos de sobrevivência estão relacionados às diferentes formas dos animais marinhos
O fundo do oceano abriga peixes com aparências bastante diferentes daqueles encontrados perto da superfície. Entre as características que chamam a atenção estão os corpos compridos e estreitos, semelhantes aos das enguias , comuns em diversas espécies que vivem em grandes profundidades. Mas por que esse formato aparece com tanta frequência? A característica pode estar relacionada às condições do oceano profundo, onde a falta de luz , as baixas temperaturas e a dificuldade para encontrar alimento influenciam o modo de vida e a evolução das espécies. Apesar disso, nem todos os peixes ficam mais alongados conforme aumenta a profundidade . Pesquisas mostram que o local onde vivem, seja próximo ao fundo ou em águas abertas, também ajuda a explicar as diferenças. O corpo alongado pode ser uma vantagem? Peixes com corpos compridos, como as enguias , conseguem nadar por meio de movimentos ondulatórios. Dependendo da espécie e das condições do ambiente , essa forma de locomoção pode facilitar deslocamentos e manobras em espaços restritos. A busca por alimento também é importante. Nas profundezas do oceano, onde os recursos podem ser limitados, os animais apresentam diferentes estratégias para encontrar presas e evitar gastos desnecessários de energia. Porém, o corpo alongado não garante, por si só, uma natação mais econômica . Suas possíveis vantagens dependem da espécie, do comportamento e do ambiente em que o peixe vive. Estudo analisa quase 3 mil espécies de peixes marinhos Uma pesquisa publicada em outubro de 2025 na revista científica Evolution analisou 2.882 espécies de peixes marinhos para compreender como a profundidade e o habitat estão relacionados à diversidade de formatos corporais. Leia Mais: Gases de efeito estufa batem novo recorde e aumentam aquecimento global, aponta ONU Surto de gripe aviária em fazenda de visons em Utah gera alerta; até onde se sabe, os humanos não conseguem transmiti-la Lua Cheia do Caçador poderá ser vista neste domingo (25); entenda a origem do nome Os pesquisadores identificaram que peixes que vivem próximos ao fundo do oceano profundo costumam apresentar corpos alongados e afilados , enquanto aqueles que nadam em águas abertas possuem formatos mais variados , desde espécies arredondadas até outras extremamente compridas. Segundo Elizabeth Santos, pesquisadora da Universidade Estadual de Ohio e principal autora do estudo, a evolução do formato corporal ocorre de maneiras diferentes conforme o ambiente em que os animais vivem. Os resultados indicam que a profundidade influencia essas características, mas não da mesma forma em todas as espécies. Nem todos os peixes das profundezas seguem o mesmo padrão Embora o corpo alongado seja comum entre peixes que vivem próximos ao fundo do oceano, outras espécies desenvolveram características bastante diferentes para sobreviver nesses ambientes. O diabo-negro-do-mar (Melanocetus johnsonii) , por exemplo, possui corpo arredondado e uma isca luminosa que ajuda a atrair presas na escuridão. Já as fêmeas do peixe-dragão-negro (Idiacanthus atlanticus) apresentam corpo alongado e estreito, além de estruturas capazes de produzir luz. Outras adaptações aparecem no peixe-ogro (Anoplogaster cornuta) , conhecido pelos dentes grandes em relação ao corpo, e nos peixes-caracol , que possuem corpos macios e podem habitar regiões extremamente profundas. Essas diferenças mostram que a sobrevivência no fundo do mar não depende de um único formato, mas das características e estratégias de cada espécie.