Lula precisa se reaproximar e aprofundar o diálogo com a iniciativa privada, diz Frederico Trajano
Empresários e entidades que representam o varejo esperam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva , reeleito para um mandato de mais quatro anos a partir de janeiro de 2027, se reaproxime e abra um canal de diálogo com o setor privado. Para o CEO do Magazine Luiza , Frederico Trajano, que defende
Empresários e entidades que representam o varejo esperam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva , reeleito para um mandato de mais quatro anos a partir de janeiro de 2027, se reaproxime e abra um canal de diálogo com o setor privado. Para o CEO do Magazine Luiza , Frederico Trajano, que defende o aprofundamento do diálogo, sobretudo por meio de associações e entidades de classe e setoriais, essa reaproximação “é um caminho de mão dupla”. “Precisa ser vista como importante tanto pelo governo quanto pela iniciativa privada.” Entre os pleitos do setor estão uma sinalização mais clara e consistente, da parte do governo, sobre a queda da taxa de juros , o aumento do prazo para a implantação de mudança da escala de trabalho e redução de jornada, bem como adiar a entrada em vigor de alguns pontos da reforma tributária programada para vigorar a partir de janeiro de 2027. Em relação à Selic, com o custo do crédito menor, segundo os empresários, será possível destravar os negócios e impulsionar as vendas, atenuando o custo de carregamento de dívidas que tem levado inúmeras varejistas a pedir recuperação judicial e extrajudicial. Para Trajano, o próximo governo do presidente Lula terá de reprogramar os gastos públicos, a fim de acelerar a queda dos juros. “O capital é o combustível da iniciativa privada. Se o custo de capital está alto, nós não conseguimos usar esse combustível.” Hoje a taxa básica de juros da economia brasileira está em 13,75% ao ano e ela baliza os juros cobrados do consumidor. Jorge Gonçalves Filho, presidente do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), que representa cerca de 70 varejistas de médio e grande porte, diz que o novo governo do presidente Lula precisa dar uma sinalização mais clara de que a questão da elevada taxa de juros será equacionada. É que os juros têm desdobramentos sobre as vendas e a inadimplência . “O nível atual dos juros é um impeditivo muito forte para que o varejo cresça e o consumo melhore”, diz o presidente do IDV. E o caminho para reduzir o nível atual de juros seria, segundo executivo, uma sinalização da parte do governo sobre controle da dívida pública. Com isso, seria possível aumentar a confiança dos empresários e dos consumidores na economia. Gonçalves Filho ressalta que o IDV não teve, nos últimos tempos, dificuldade de interlocução com o atual governo. “Mas isso não significou que o governo atendeu a todas as nossas demandas”, pondera. O executivo cita como exemplo o fim do imposto de importação sobre as blusinhas, que isentou os sites internacionais. Ele atribui a falta de sucesso no atendimento dessa e de outras demandas do varejo ao momento pré-eleitoral. O presidente do IDV diz que pretende voltar a conversar com o governo, mostrando dados que indiquem o quanto deixar de tributar, nesse caso, é prejudicial para a indústria e o varejo nacional. Escala 5x2 Além da volta da taxa das blusinhas, outro pleito do setor junto ao governo é obter mais prazo para a implantação da escala de trabalho 5x2 com redução de 44 para 40 horas semanais e também para a entrada em vigor de alguns pontos da reforma tributária. “Pelo capital político que adquiriu nas eleições, acho que o governo tem todas as condições de conseguir isso”, diz Gonçalves Filho. Ele destaca que essa seria uma forma de o governo se reaproximar dos empresários do varejo.