Proibida no Brasil, ashwagandha é vendida com promessas de aliviar ansiedade e melhorar o sono
Reduzir a ansiedade, melhorar o sono e controlar o cortisol. Essas são algumas das promessas usadas para vender ashwagandha em sites brasileiros, apesar de a planta não ser autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como ingrediente de suplementos alimentares. A pesquisa feita
Reduzir a ansiedade, melhorar o sono e controlar o cortisol. Essas são algumas das promessas usadas para vender ashwagandha em sites brasileiros, apesar de a planta não ser autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) como ingrediente de suplementos alimentares. A pesquisa feita pela reportagem em páginas de vendas nesta terça-feira, 27, encontrou ofertas nas versões em cápsula e em pó. Nesses sites, os suplementos de ashwagandha são anunciados como produtos capazes de aumentar a testosterona, melhorar a fertilidade, favorecer o ganho de massa muscular e o emagrecimento, além de combater a depressão e células cancerosas. As promessas reforçam o alerta emitido na última semana pela Anvisa sobre os suplementos com a erva asiática, que se popularizou no TikTok como uma suposta aliada no relaxamento e no alívio dos sintomas da perimenopausa. Segundo a agência, esses produtos não têm qualidade, eficácia e segurança comprovadas no Brasil. Eles não têm registro no País e sua fabricação, comercialização, distribuição e uso são proibidos. A Anvisa destaca também que suplementos servem para complementar a alimentação e não podem ser associados a alegações de cura, tratamento ou prevenção de doenças. No Brasil, os suplementos alimentares devem ser feitos com ingredientes autorizados pela agência. Eles podem conter aditivos e ingredientes de uso tradicional em alimentos, adicionados ao produto para dar sabor, cor ou aroma. “Natural” não significa livre de riscos Conhecida também como ginseng indiano, a ashwagandha é uma planta utilizada na medicina tradicional ayurvédica. Essa origem, no entanto, não comprova que os produtos vendidos sejam seguros nem substitui a avaliação regulatória. O alerta da Anvisa foi divulgado após a repercussão do caso de uma britânica que, segundo a nota da agência, apresentou falência do fígado, paradas cardíacas e danos cerebrais após o consumo do produto. O comunicado não apresenta detalhes da investigação do caso. Os cuidados também se aplicam a outros suplementos. Como mostrou o Pulsa , esses produtos podem provocar efeitos adversos e interagir com medicamentos. O uso para aliviar sintomas por conta própria ainda pode atrasar a investigação de uma doença. Quem precisa de suplemento alimentar? Os suplementos podem ser úteis para pessoas que precisam melhorar o consumo de algum nutriente ou que praticam atividades físicas intensas. Eles não são indicados para todos e a própria Anvisa ressalta que mesmo suplementos regularizados podem prejudicar a saúde quando consumidos em desacordo com as necessidades individuais e as instruções de uso. Por isso, a necessidade de suplementos deve ser avaliada com ajuda de profissionais de saúde. A avaliação envolve fatores como condição atual de saúde, qualidade da alimentação e a prática de atividade física. Ainda conforme a Anvisa, caso seja necessário suplementar a alimentação, os profissionais devem orientar o tipo de suplemento, a quantidade, quando e como tomar.