Da riqueza dos diamantes ao abandono: como uma cidade inteira acabou tomada pelas areias do deserto

Por CNN Brasil · Categoria: Nacional ·

Localizada na Namíbia, Kolmanskop chegou a contar com hospital, cassino e serviços modernos, mas foi abandonada em 1956 após o declínio da mineração

Casas com salas cobertas de areia, corredores parcialmente soterrados e edifícios que permanecem de pé mesmo após décadas sem moradores. Esse é o cenário de Kolmanskop, uma cidade fantasma localizada no deserto do Namibe , no sudoeste da Namíbia, que já foi um importante centro de exploração de diamantes . A cidade começou a se desenvolver em 1908, quando a descoberta de pedras preciosas atraiu investimentos e trabalhadores para uma região até então pouco ocupada. Em poucos anos, o local passou a reunir construções sofisticadas e serviços considerados modernos para a época, apesar das dificuldades impostas pelo ambiente desértico . Com o declínio da mineração e a transferência das atividades para outras regiões, Kolmanskop perdeu seus moradores e foi abandonada em 1956. Desde então, a areia levada pelos ventos passou a ocupar suas construções. Kolmanskop era um centro de riquezas Tudo começou em 1908, quando Zacharias Lewala , um trabalhador ferroviário namibiano, encontrou um diamante enquanto retirava areia dos trilhos. A descoberta, comunicada ao supervisor alemão August Stauch , impulsionou a exploração mineral na região, então sob domínio colonial alemão. Em poucos anos, Kolmanskop se tornou um importante centro de mineração. Segundo a National Geographic, em 1912 a produção local alcançava cerca de 1 milhão de quilates de diamantes por ano , o equivalente a 11,7% da extração mundial naquele período. Leia Mais: Gases de efeito estufa batem novo recorde e aumentam aquecimento global, aponta ONU Surto de gripe aviária em fazenda de visons em Utah gera alerta; até onde se sabe, os humanos não conseguem transmiti-la Corvos tomam decisões duas vezes mais rápido que humanos, conclui pesquisadores da Alemanha A riqueza financiou uma infraestrutura incomum para uma cidade no deserto, com hospital, escola, teatro, cassino, salão de boliche e fábrica de gelo. Kolmanskop também contava com eletricidade, bonde e equipamentos médicos, enquanto água e mercadorias chegavam de outras localidades. Suas residências seguiam padrões arquitetônicos europeus, principalmente alemães. Apesar do desenvolvimento, a prosperidade não beneficiava todos igualmente . Enquanto colonos europeus desfrutavam das melhores instalações, trabalhadores africanos enfrentavam condições restritivas de moradia e trabalho nas minas, reflexo das desigualdades impostas pelo sistema colonial. Por que a cidade foi abandonada e tomada pela areia? O declínio de Kolmanskop começou após a Primeira Guerra Mundial , quando a mineração perdeu força e depósitos mais ricos de diamantes foram descobertos ao sul, perto do rio Orange, no fim da década de 1920. Com a transferência das atividades, a população diminuiu gradualmente até que, em 1956, a cidade foi completamente abandonada. Sem moradores e manutenção, os ventos do deserto passaram a carregar areia para o interior das construções. Ao longo das décadas, o material se acumulou em quartos, salas e corredores, formando dunas dentro dos edifícios. Parte das estruturas se deteriorou, enquanto outras permaneceram de pé. Atualmente, Kolmanskop é uma atração turística localizada a cerca de 10 quilômetros de Lüderitz, na Namíbia. Algumas construções foram restauradas, e as visitas são realizadas mediante autorização. Além de atrair turistas e fotógrafos, a cidade preserva vestígios da mineração de diamantes e do período colonial alemão.