Como é o parque previsto para ocupar lugar da favela removida no centro de SP; veja imagens

Por Estadão · Categoria: Geral ·

O governo de São Paulo publicou um edital para a contratação de uma empresa que será responsável pela implantação do Parque do Moinho, no Campos Elíseos, no centro de São Paulo. O terreno é o mesmo onde ficava a Favela do Moinho , que foi desapropriada pela gestão Tarcísio de Freitas (saiba mais aba

O governo de São Paulo publicou um edital para a contratação de uma empresa que será responsável pela implantação do Parque do Moinho, no Campos Elíseos, no centro de São Paulo. O terreno é o mesmo onde ficava a Favela do Moinho , que foi desapropriada pela gestão Tarcísio de Freitas (saiba mais abaixo) . O valor do contrato é de R$ 41,3 milhões e o prazo de execução será de 24 meses. Os envelopes com a proposta devem ser entregues até 19 de novembro. O terreno pertencia à União, mas foi cedido ao Estado em julho deste ano para implantar o parque, após o reassentamento das famílias.O projeto do parque foi desenvolvido pelas equipes técnicas da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) do governo estadual. Como será o projeto? O novo espaço público, que será voltado ao lazer, convivência social e qualificação urbana, será implantado em fases, sendo que a primeira contemplará o parque. Posteriormente, uma nova estação de trem que vai integrar modais será instalada em terreno ao lado, que atualmente é propriedade da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp) e de um particular, e está em processo de transferência para o Estado. O parque vai ocupar uma área de 61,3 mil m² de terreno área que atravessa o Viaduto Engenheiro Orlando Murgel e está situado entre as atuais faixas operacionais das linhas 7 – Rubi, 8 – Diamante e 11 – Coral do sistema ferroviário metropolitano. O projeto prevê passarelas de pedestres e ciclistas, áreas de permanência, equipamentos de lazer, mobiliário urbano, iluminação pública e paisagismo. Serão quatro eixos estruturais, segundo a CDHU: Eixo Cultural e Educativo, Eixo Ecológico, Eixo Esportivo e Recreativo e Eixo de serviço. Além de quadras poliesportivas, de basquete e de esportes de areia, o local terá parque infantil, academia ao ar livre, sanitários, bebedouros, espaços culturais e educativos para realização de oficinas e cursos ambientais, pista de skate, bicicleta e caminhada. O parque contará, também, com horta urbana, viveiro com espécies nativas e pátio de compostagem. O governo destaca a recuperação ambiental da área, com a criação de áreas verdes e o aumento da permeabilidade do solo em uma região com escassez de espaços verdes. “Nosso objetivo principal nesse processo de reassentamento da Favela do Moinho era o resgate das famílias que viviam em condições insalubres e sob forte influência do crime organizado. E esse objetivo já foi alcançado. Agora, temos uma segunda etapa, que é a integração daquela área à malha urbana da capital”, diz Marcelo Branco, secretário de Desenvolvimento Urbano e Habitação. O objetivo, segundo ele, é integrar o território remodelado à vida do cidadão. “Projetamos um parque para atender diversos perfis de público, que permita encaixar na vida do cidadão atividades físicas, lazer e contemplação na dua rotina diária. Cerca de 70% dos deslocamentos na cidade são motivados por trabalho e estudo. Num bairro que concentra população flutuante devido ao seu perfil central, estamos criando condições para que desfrutem de um equipamento que lhes trará bem estar e qualidade de vida contribuindo, ainda, para o engrandecimento do nosso centro histórico da capital”, acrescenta. O projeto também faz parte da requalificação do centro da capital paulista, que inclui ainda a transferência do centro administrativo do governo de São Paulo para a mesma região. O contrato da Parceria Público-Privada (PPP) para a nova sede do governo já foi assinado. Processo de desocupação Em seu auge, a Favela do Moinho abrigou milhares de pessoas, consolidando-se como a última favela de grande porte no centro da capital paulista. A proximidade com empregos, transporte e serviços sempre foi um dos principais pontos de conflito no processo de remoção. Como noticiou o Estadão , a desocupação avançou por meio de acordos que envolveram subsídios habitacionais e auxílio-aluguel — que chegaram a R$ 1,2 mil após a participação do governo federal. Ainda assim, o caminho foi marcado por resistência. Moradores relataram incertezas, dificuldades na transição e o risco de perda de vínculos sociais e econômicos construídos ao longo de décadas. A retirada dos moradores foi considerada a única alternativa pelo poder público, uma vez que a área foi classificada como não regularizável. Com isso, diferentes opções de saída — incluindo crédito habitacional, que permite às famílias escolher para onde ir — ajudaram a acelerar o processo desde março do ano passado. A última família deixou o local no dia 15 de setembro deste ano.