Relatório da Moody’s vê risco de dívida aumentar e de juros altos após reeleição de Lula

Por Times Brasil — Brasil · Categoria: Nacional ·

Agência mantém avaliação de crédito do Brasil, mas alerta que ajustes fiscais graduais e dificuldades no Congresso podem prolongar o desequilíbrio das contas públicas. O post Relatório da Moody’s vê risco de dívida aumentar e de juros altos após reeleição de Lula apareceu primeiro em Times Brasil |

A Moody’s avalia que a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve manter a atual política fiscal brasileira, com ajustes graduais nas contas públicas. Segundo a agência de classificação de risco, essa estratégia pode prolongar os déficits elevados, manter os juros altos e aumentar a dívida do país. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (26), a agência afirmou que o resultado da eleição não muda sua avaliação sobre a capacidade do Brasil de pagar suas dívidas. O relatório considera a nota Ba1, com perspectiva estável, atualmente atribuída ao país, um nível abaixo do grau de investimento. A Moody’s alerta, porém, que a situação pode piorar ao longo do tempo caso o governo não adote medidas mais fortes para controlar os gastos e reduzir o déficit. A agência também considera que Lula terá mais dificuldades para negociar mudanças com o Congresso, que terá maior participação de partidos de oposição a partir de 2027. Leia também: Plano de ajuste fiscal, contas públicas e equipe com credibilidade: o recado dos economistas para Lula 4 Dívida pode continuar crescendo Segundo a Moody’s, a dívida do governo geral, que inclui União, estados e municípios, equivale atualmente a cerca de 83% do Produto Interno Bruto (PIB), ante aproximadamente 72% na época da eleição presidencial de 2022. A agência cita projeções feitas pelo Tesouro Nacional em abril, que apontavam uma dívida próxima de 86% do PIB em 2027 e um pico de quase 88% em 2029, antes de começar a cair. Para impedir que o endividamento continue aumentando, a Moody’s calcula que o Brasil precisaria registrar um superávit primário de 2% a 3% do PIB. Isso significa arrecadar mais do que gasta, sem contar os juros da dívida. Atualmente, a agência estima que os juros consumam cerca de 20% das receitas do governo. Esse custo contribui para déficits nominais de 8% a 9% do PIB, mesmo com um déficit primário próximo de 0,5%. A Moody’s também prevê que a taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano, permaneça elevada por mais tempo caso não haja avanços claros no ajuste fiscal. Juros altos aumentam o custo da dívida pública e dificultam o crescimento da economia e dos investimentos. Congresso será desafio para Lula A Moody’s avalia que o fortalecimento dos partidos de oposição nas eleições legislativas tornará mais difícil aprovar medidas para reduzir as despesas públicas. O PL terá 121 deputados federais e 28 senadores a partir de 2027, ampliando sua presença nas duas Casas do Congresso. Segundo a agência, mais de 90% dos gastos públicos são determinados por lei, o que limita a capacidade do governo de reduzir despesas sem apoio dos parlamentares. A avaliação é que cortes em programas sociais e mudanças nas regras de aposentadoria dificilmente partirão do próprio Congresso. Para avançar, essas propostas precisariam ser apresentadas pelo Executivo e negociadas com os parlamentares. Diante das dificuldades, a Moody’s espera que Lula continue buscando crescimento econômico, aumento da arrecadação e maior eficiência dos gastos para melhorar as contas públicas. A agência também prevê maior uso de bancos públicos, fundos especiais e empresas estatais para colocar em prática as políticas do governo. O próximo sinal importante será a formação da equipe econômica do quarto mandato e a apresentação de medidas fiscais para o Orçamento de 2027. A Moody’s afirma que um compromisso mais forte com a redução do déficit ajudaria a recuperar a confiança na política fiscal brasileira. Por outro lado, a falta de avanços, combinada com dívida cara e crescimento econômico fraco, poderia prejudicar a avaliação de crédito do país. O post Relatório da Moody’s vê risco de dívida aumentar e de juros altos após reeleição de Lula apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC .