Banco Central descarta intervenção no dólar sem sinais de desajuste no mercado, afirma Galípolo
Dólar registra queda após disparar 8,41% com a reação dos investidores à reeleição de Lula. O post Banco Central descarta intervenção no dólar sem sinais de desajuste no mercado, afirma Galípolo apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC.
O presidente do Banco Central (BC) , Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira (27) que a instituição só realizará intervenções extraordinárias no mercado de câmbio caso identifique problemas em seu funcionamento. A declaração ocorre após o dólar registrar uma valorização expressiva na segunda-feira (26), em meio à reação dos investidores ao resultado da eleição presidencial. Durante a apresentação do Relatório de Estabilidade Financeira, Galípolo explicou que a autoridade monetária acompanha as oscilações da moeda americana, mas não pretende atuar apenas em razão das variações de preço. “Quando a gente vir, a gente vai atuar, a gente atua só em casos de disfuncionalidade”, declarou o presidente do BC, sem detalhar quais medidas poderiam ser adotadas em uma eventual intervenção. Dólar registra maior alta diária desde 1999 A instabilidade no mercado financeiro brasileiro se intensificou na segunda-feira (26), após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O resultado contrariou as expectativas de investidores que apostavam na vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL). Nesse cenário, o dólar encerrou o pregão com valorização de 8,41%, cotado a R$ 5,409. Foi a maior alta diária da moeda americana desde janeiro de 1999, quando teve início o regime de câmbio flutuante no Brasil. A reação também atingiu a Bolsa de Valores. Diante da queda acentuada das ações brasileiras, a Bolsa acionou o mecanismo conhecido como circuit breaker, que suspende temporariamente as negociações quando o Ibovespa apresenta recuo de 10% em relação ao fechamento anterior. A medida não era utilizada desde março de 2020. Na manhã desta terça-feira (27), o dólar passou por um movimento de correção, devolvendo parte dos ganhos registrados no dia anterior. Por volta das 11h51, a moeda americana apresentava queda de 0,87%, negociada a R$ 5,362. Leia também: Galípolo nega que seja cotado para a Fazenda e diz adorar o trabalho no BC, ‘apesar dos desafios do cargo’ Banco Central realiza operação de US$ 4 bilhões Segundo a Folha de S. Paulo, apesar de descartar medidas extraordinárias na ausência de disfunções, o Banco Central realizou nesta terça-feira uma operação de US$ 4 bilhões no mercado futuro de câmbio. A instituição vendeu os 80 mil contratos de swap cambial ofertados em um leilão previamente programado para a rolagem de contratos com vencimento em 3 de novembro. O swap cambial é um instrumento utilizado pelo BC para oferecer proteção contra oscilações do dólar no mercado financeiro, sem a necessidade de uma venda direta de moeda americana. A operação foi distribuída entre dois vencimentos. Para 4 de janeiro de 2027, foram aceitas três propostas, correspondentes a 26 mil contratos, no valor equivalente a US$ 1,3 bilhão. Já para 1º de fevereiro de 2027, a autoridade monetária aceitou oito propostas, envolvendo 54 mil contratos e um montante de US$ 2,7 bilhões. Como o leilão já estava previsto no calendário do Banco Central, a operação não representou uma intervenção extraordinária em resposta à movimentação cambial. Galípolo destaca acompanhamento do governo Questionado sobre a possibilidade de uma atuação coordenada com o Ministério da Fazenda para reduzir os efeitos da valorização do dólar sobre o mercado de títulos públicos, Galípolo afirmou que existe uma articulação operacional entre as instituições. Segundo ele, os leilões realizados pelo Tesouro Nacional são executados pelo Banco Central, o que exige comunicação constante entre os órgãos. O presidente do BC também informou que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, e o presidente Lula acompanham os acontecimentos no mercado financeiro. Galípolo ressaltou que a autoridade monetária permanece responsável por fornecer informações sobre as movimentações dos ativos, respeitando suas atribuições institucionais. Tesouro recompra R$ 14,8 bilhões em títulos públicos Diante da volatilidade observada no mercado, o Tesouro Nacional adotou medidas para reduzir a pressão sobre os juros dos títulos públicos e facilitar a negociação desses papéis. Uma das decisões foi cancelar os leilões de títulos prefixados que estavam previstos para esta semana. O órgão também anunciou a recompra de títulos com remuneração prefixada e de papéis vinculados à inflação. Essas operações permitem que investidores vendam seus títulos ao Tesouro, ampliando as possibilidades de negociação em um momento de instabilidade. Ao mesmo tempo, contribuem para aliviar a pressão sobre as taxas exigidas pelo mercado. No total, o Tesouro Nacional recomprou R$ 14,8 bilhões em títulos públicos. Considerando os valores nominais, a operação foi a terceira maior intervenção diária registrada desde janeiro de 2000, quando começou a série histórica. O post Banco Central descarta intervenção no dólar sem sinais de desajuste no mercado, afirma Galípolo apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC .