Lula vence em 57 dos 62 municípios do Amazonas no segundo turno
Presidente recebeu 54,02% dos votos válidos no estado; Flávio Bolsonaro venceu em Manaus e em quatro cidades do interior.
Com todas as urnas apuradas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fechou o segundo turno com 54,02% dos votos válidos no Amazonas contra 45,98% do senador fluminense Flávio Bolsonaro (PL). O resultado aponta para uma melhora no desempenho de Lula em comparação a 2022, quando teve 51,10% no estado contra 48,90% do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Em ambas as disputas, o petista saiu vitorioso na eleição nacional. Um dos principais fatores que explicam esse crescimento é a melhora nos votos de Lula ocorrida na cidade de Manaus, que se tornou um reduto do bolsonarismo nas eleições de 2018 e assim permaneceu em 2022. No último pleito, Jair Bolsonaro teve 61,28% dos votos válidos na capital amazonense, enquanto Lula teve 38,72%. Nesta eleição, Flávio Bolsonaro permaneceu à frente, mas com um percentual menor: 55,83% contra 44,17% do presidente da República. No interior, Lula conseguiu conservar sua ampla vantagem e também recuperar municípios onde Flávio Bolsonaro havia liderado no primeiro turno. Em Japurá, o político do Partido Liberal havia recebido 48,31%, enquanto Lula teve 46,2% e os demais candidatos, 5,5%. Já no segundo turno, o petista virou e teve 52,47% contra 47,53% de Flávio Bolsonaro. Outros municípios em que Flávio saiu na frente no dia 4 de outubro e viraram a favor de Lula foram Tapauá e Canutama. Na cidade de Tapauá, Flávio Bolsonaro teve 49,84% contra 45,78% de Lula após o primeiro turno, enquanto no segundo Lula teve 50,72% contra 49,28% de Flávio. Já em Canutama, o primeiro resultado foi de 49,84% para Flávio e 45,78% para Lula. No segundo turno, o petista subiu para 50,72% contra 49,28% do bolsonarista. Onde venceram Tanto no primeiro quanto no segundo turno, Flávio Bolsonaro venceu nos municípios de Apuí, Boca do Acre, Guajará, Humaitá, além da capital Manaus, fazendo com que o político fosse vitorioso em cinco municípios do Amazonas. O presidente Lula venceu nos 57 municípios restantes, incluindo toda a região metropolitana de Manaus e o interior do estado. Proporcionalmente, a cidade onde Lula teve sua maior vitória foi Barreirinha, na calha do Baixo Amazonas, obtendo 90,9% dos votos válidos contra 9,10% de Flávio Bolsonaro. Em termos numéricos, o petista teve 15,7 mil votos contra apenas 1,5 mil de Flávio. Na sequência, Boa Vista do Ramos deu 86,92% de votos para Lula e 13,08% para Flávio Bolsonaro. Em Nhamundá, o petista teve 83,64% dos votos válidos, enquanto o bolsonarista pontuou 16,36%. Na outra ponta, a maior vitória proporcional de Flávio Bolsonaro foi em Apuí, com 72,65% dos votos válidos, o equivalente a mais de 6 mil votos. No município, Lula teve 27,35%. Na sequência, Guajará deu 61,82% de votos válidos para Flávio Bolsonaro e 38,18% para Luiz Inácio Lula da Silva. Em Boca do Acre, Flávio teve 56,94% dos votos válidos contra 43,06% de Lula. Saiba mais Abstenção cresceu Ao contrário da tendência observada no Brasil, a abstenção no Amazonas cresceu entre o primeiro e o segundo turno. No dia 4 de outubro, 20,16% dos eleitores amazonenses não compareceu às urnas, enquanto 21,67% deixaram de ir no segundo turno. Houve ainda um crescimento no número de votos nulos: no primeiro turno foram 39,3 mil (1,76%) e no segundo foram 52,7 mil (2,40%). Por outro lado, o número de votos brancos caiu de 24,4 mil (1,09%) para 18,3 mil (0,84%). A nível nacional, a abstenção caiu de 21,08% no primeiro turno para 19,22% no segundo turno. O número representa o maior comparecimento na segunda etapa das eleições desde o pleito de 2006, quando Lula foi reeleito pela primeira vez após vencer Geraldo Alckmin, hoje seu vice-presidente. Comentário O centro se mobilizou, explica analista Por Afrânio Soares — Presidente da Action Pesquisas Para o cientista político Afrânio Soares, a ampliação dos votos de Lula tanto no interior quanto na cidade de Manaus veio da intensa movimentação em favor da candidatura do presidente durante o segundo turno. Na capital e na região metropolitana, foram feitas três grandes manifestações em prol da virada de votos a favor do petista. Na véspera do segundo turno, a última grande manifestação foi puxada também pelo senador Eduardo Braga (MDB) e aliados do senador Omar Aziz (PSD), esse último candidato ao governo estadual eleito no domingo, que se somaram às manifestações de estudantes e movimentos sociais. “Esse movimento grande que a gente viu em todo o Brasil, no segundo turno, não vou nem chamar de esquerda, vamos chamar de um centro que aderiu a esse movimento pelo seguinte: a autodeclarada esquerda não tem volume para alcançar 51% ou 52% do eleitorado. Então o centro se mobilizou”, disse. O desempenho de ambos os candidatos nos debates televisionados durante a campanha do segundo turno também exerceu influência no eleitorado, segundo o analista político. Afrânio Soares considerou que os debates, especialmente o da TV Globo, serviram para travar o crescimento de Flávio Bolsonaro e fez com que um público “que tenderia a votar no Flávio acabou ponderando e passou a votar no Lula”. Em âmbito nacional, analistas políticos avaliam que um dos episódios que tende a ter virado votos para Lula ocorreu justamente no debate da Globo, quando Flávio Bolsonaro chamou o presidente de “nove dedos” e foi repreendido por ele, pedindo desculpas na sequência. “A diferença foi de quatro milhões de votos, aproximadamente. Foi uma diferença significativa, apesar do percentual estar bastante perto um do outro. E o Flávio ganhou nas cidades maiores, mas perdeu nas cidades médias e menores do Brasil. Essa foi a tônica da eleição no segundo turno”, completou.