Lula precisa articular um grande diálogo para fazer o ajuste fiscal já, diz presidente da Abiquim

Por Estadão · Categoria: Geral ·

O novo governo do presidente Lula terá de articular um grande diálogo político para implementar o orçamento público para 2027 e, assim, realizar um ajuste das contas públicas (ajuste fiscal) . Essa é a avaliação do presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) , André Passos, em

O novo governo do presidente Lula terá de articular um grande diálogo político para implementar o orçamento público para 2027 e, assim, realizar um ajuste das contas públicas (ajuste fiscal) . Essa é a avaliação do presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) , André Passos, em entrevista ao Estadão . “Tem de iniciar a discussão o mais breve possível, nesses dois meses que restam do atual mandato.” Passos observa que houve pouca discussão durante o processo das duas campanhas eleitorais e que se perdeu tempo discutindo temas que tinham pouco a ver com o futuro do País. Mesmo a campanha do candidato opositor, Flávio Bolsonaro, mostrou pouca clareza das medidas que pretendia lançar caso saísse vitorioso. “Não será uma tarefa fácil esse arranjo, embora haja, no momento, macroindicadores estáveis, como nível de emprego , inflação , endividamento inferior ao de muitos países”, afirmou o executivo da indústria química e petroquímica. Uma outra prioridade, diz Passos, é a aproximação do governo com o empresariado brasileiro. “Seria muito importante ser marcada logo uma reunião no âmbito do Conselho Nacional de Desenvolvimento Industrial (CNDI) . E esse encontro teria de ser liderado pelo próprio presidente, junto com o vice-presidente (Geraldo Alckmin)”. O CNDI é o órgão colegiado ligado à Presidência da República responsável por propor e formular diretrizes para a política industrial do Brasil. Para o executivo da Abiquim, é hora de o Banco Central avaliar e começar a reduzir a taxa de juro básica (a Selic). “Há um cenário de inflação que abre espaço para baixar a taxa Selic”, diz, lembrando que havia muita cautela em ser mais agressivo devido ao momento eleitoral. É um grande desafio para o próximo mandato de Lula." A avaliação é de que, a partir de agora, o foco é a agenda de crescimento econômico e, ao mesmo tempo, intensificar a política industrial, envolvendo todos os setores e, em especial, a indústria de base do País. “É preciso elevar a taxa de investimento, que há 20 anos varia de 16% a 20%, enquanto na China chega a 35%”. O executivo afirma que a arrancada da China se deu pela indústria, que no Brasil veio perdendo peso no Produto Interno Bruto (PIB) , caindo a 11%. “Temos de conectar o setor industrial com a indústria de alta tecnologia, com o agronegócio e com o desenvolvimento sustentável. É por aí que passa o motor do crescimento econômico”. Sobre a reforma tributária, cujas discussões chegaram a aventar uma necessidade de revisão, o presidente da Abiquim diz que é fundamental estabelecer um teto para os dois novos impostos, IBS e CBS, cujas projeções são de superar 28% de carga tributária. Segundo Passos, no início das discussões se previa de 20% a 25%. “Não é desejo de pagar menos impostos, mas de se ter uma alíquota de equilíbrio que leve ao aumento da produção e, daí, maior arrecadação de impostos para o governo”, diz. Ele defende uma alíquota de equilíbrio, assim como é com a taxa de juros, de câmbio, de inflação. Para o setor químico, o desafio principal no próximo ciclo é dar continuidade aos mecanismos de defesa comercial adotados a partir de 2023, porque a briga global é comandada por dois gigantes: China e Estados Unidos. A indústria enfrenta o tarifaço de Donald Trump e práticas de dumping, subsídios e programas de incentivos por parte do governo chinês. “Esse desafio continua sobre a mesa”.