A inflação segue como grande risco, passada a eleição
Com os preços puxados por habitação , comida e transportes , a inflação acima da meta e com risco de piora é um desafio imediato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e será um dos maiores no início de seu quarto mandato. O dia a dia ficou 0,82% mais caro para as famílias, em setembro, e o cus
Com os preços puxados por habitação , comida e transportes , a inflação acima da meta e com risco de piora é um desafio imediato para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e será um dos maiores no início de seu quarto mandato. O dia a dia ficou 0,82% mais caro para as famílias, em setembro, e o custo de vida subiu 3,95% no ano e 4,58% em 12 meses, superando o limite oficial de tolerância, 4,5% e seguindo longe do centro do alvo, 3%. As últimas projeções de mercado apontaram 5,19% como resultado geral deste ano e 4,34% para o próximo, segundo o boletim Focus do Banco Central (BC) . Sinais de riscos inflacionários aparecem também nos custos e preços industriais. O aumento mensal dos preços da indústria passou de 0,34% em agosto para 1,54% em setembro. Com isso, a alta acumulada no ano chegou a 5,04%. Um ano antes essa taxa havia atingido 4,34%, segundo o Índice de Preços ao Produtor (IPP), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) . A evolução dos preços, no fim deste ano e ao longo do próximo, dependerá de um quadro nacional e global muito incerto, sujeito às condições políticas e empresariais do mercado interno, às ambições do presidente Donald Trump e também aos efeitos climáticos do El Niño . Bastaria a insegurança política internacional para afetar perigosamente os custos e preços, mas será preciso enfrentar mais que isso. Qualquer aposta é especialmente arriscada, neste momento, e um governo prudente levaria em conta esses fatores ao desenhar seu roteiro para o futuro próximo – incluída, naturalmente, a gestão das finanças públicas. Não está claro, por enquanto, se o presidente brasileiro se disporá a seguir esse padrão. Se essa dúvida for bem fundada, a política presidencial poderá complicar de forma significativa a tarefa do novo ministro da Fazenda. Se isso ocorrer, a contenção dos preços continuará a depender, em grau excessivo, dos juros altos impostos pelo BC. O indispensável freio monetário continuará, nesse caso, a limitar o crescimento da atividade econômica.