Carros híbridos plug-in poluem quase cinco vezes mais do que prometem

Por Estadão · Categoria: Geral ·

Os carros híbridos plug-in estão ganhando no quesito autonomia elétrica, mas isso não tem se traduzido em menos emissões nas ruas. Um estudo do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT) mostra que os modelos registrados na Europa em 2023 emitiram, em média, 4,6 vezes o volume de dióxido de c

Os carros híbridos plug-in estão ganhando no quesito autonomia elétrica, mas isso não tem se traduzido em menos emissões nas ruas. Um estudo do Conselho Internacional de Transporte Limpo (ICCT) mostra que os modelos registrados na Europa em 2023 emitiram, em média, 4,6 vezes o volume de dióxido de carbono (CO₂) indicado pelos números oficiais de homologação. Nos veículos de 2021, a relação era de 3,5 vezes. Publicado em setembro, o levantamento analisou cerca de 920 mil veículos registrados entre 2021 e 2023, com dados de consumo de combustível e energia coletados a bordo e enviados pelas fabricantes às autoridades europeias. No período, as emissões médias reais passaram de 130 para 134 g/km. Já os valores oficiais caíram de 37 para 29 g/km. A explicação está na distância entre as condições consideradas na homologação e a utilização cotidiana. O cálculo europeu pressupõe que uma autonomia elétrica maior resulta em mais quilômetros percorridos com energia da bateria. O estudo, entretanto, identificou uma queda na participação desse modo de funcionamento apesar do aumento do alcance elétrico. Os híbridos plug-in permitem recarga externa, mas seu potencial depende do uso. O instituto aponta que os motoristas recarregam e utilizam o modo elétrico menos do que o previsto. Além disso, os motores elétrico e a combustão podem trabalhar simultaneamente, enquanto o peso dos dois sistemas aumenta a demanda energética. Segundo o ICCT, para 2022, por exemplo, a fórmula oficial considerava uma participação elétrica de aproximadamente 80%. Ainda de acordo com o conselho, uma proporção próxima de 21% teria produzido números de CO₂ mais compatíveis com a realidade. Vantagem ambiental menor do que parece Na amostra, as emissões reais dos híbridos plug-in ficaram cerca de 18% abaixo das registradas nos veículos a combustão e híbridos convencionais. A vantagem, portanto, existe, mas é menor do que os resultados de homologação sugerem. O ICCT avalia que essa diferença favorece os PHEV no cumprimento das metas de CO₂ das fabricantes e pode distorcer incentivos tributários e expectativas dos consumidores sobre gastos com energia. Por isso, defende a manutenção da correção do cálculo prevista para 2027 e revisões periódicas baseadas em dados reais de utilização. Os resultados se referem à frota europeia analisada. Não representam uma medição dos híbridos plug-in vendidos, por exemplo, no Brasil, tampouco permitem atribuir o mesmo desempenho a todos os modelos e motoristas.