Fantoches viram ‘mães’ de corujas bebês em centro de reabilitação animal no Pará

Por CNN Brasil · Categoria: Nacional ·

Vídeo fofo tem uma justificativa científica: o manejo anti-imprinting, feito para preservar os instintos naturais de animais criados em cativeiro

Um vídeo de um filhote de coruja sendo alimentado por um fantoche infantil chamou a atenção nas redes sociais na última semana. O bebê, ainda sem penas e posicionado dentro de um pote de plástico, recebe comida de uma seringa segurada por uma mão coberta pelo fantoche. A enfermeira humana tem uma máscara ocultando seu rosto. Publicada pelo Cetra (Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Selvagens ) da UFRA (Universidade Federal Rural da Amazônia), a cena reflete um princípio pouco conhecido do cuidado com animais silvestres: o anti-imprinting. View this post on Instagram A post shared by 𝐂𝐄𝐓𝐑𝐀𝐒 𝐔𝐅𝐑𝐀 (@cetrasufra) O que é imprinting? É um comportamento também chamado de “estampagem” ou “cunhagem” que acontece logo nos primeiros dias da vida de um animal, em resposta à presença de uma figura materna ou paterna. Ele foi descrito pela primeira vez pelo etólogo Konrad Lorenz ao observar filhotes de gansos e patos recém-nascidos. Assim que saíam dos ovos, os bebês seguiam instintivamente o primeiro objeto que viam – podendo ser sua mãe, outro animal ou até um objeto inanimado. Seria este o mecanismo responsável pela aprendizagem de comportamentos essenciais para a sobrevivência: ao fixar sua atenção em figuras maternas e paternas, os filhotes copiam os comportamentos dos mais velhos e extraem diversas informações importantes. Mas quando animais são separados dos pais ao nascer, o “imprinting” pode escolher um alvo que não tem estes aprendizados a oferecer. Este é o contexto do “anti-imprinting”. Leia Mais: Celebridades gastam milhões com pets; brasileiro do setor explica luxos Cães salsicha roubam a cena durante Semana de Moda de Paris; veja fotos ONG promove feira de adoção com oficina de pintura ao lado dos pets em SP Fantoches viram “pais” de pequenos suindaras No vídeo do Cetra, um filhote de coruja-da-igreja ou suindara é alimentado com uma luva de fantoche desenhada para parecer uma coruja adulta. O rosto da cuidadora, além de sua mão, é oculto para não desviar a atenção do bebê para a figura humana. “Cada detalhe importa para preservar o comportamento natural e garantir uma soltura com sucesso no futuro”, diz a publicação. A tática simula o oferecimento do alimento pela mãe coruja, e também preserva o distanciamento natural entre as espécies, conservando instintos de proteção das corujas e impedindo o desenvolvimento de confiança excessiva nos humanos.