Embrapii supera mil projetos de IA; interesse estrangeiro cresce

Por Tele.Síntese · Categoria: Telecomunicações ·

No ABES Summit, Finep detalha mudanças no financiamento à inovação e ApexBrasil relata procura de fundos chineses por data centers. O post Embrapii supera mil projetos de IA; interesse estrangeiro cresce apareceu primeiro em TeleSíntese.

A Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) já apoiou mais de mil projetos que utilizam IA, como tecnologia principal ou incorporada a processos e produtos. Somente em 2025, foram iniciadas 255 iniciativas nessa área, ante cerca de 35 em 2020. Os números foram apresentados por Túlio Oliveira, líder de Programas Prioritários da instituição, durante o ABES Summit 2026, realizado nesta terça-feira, 27 de outubro, em São Paulo. Desde o início de suas operações, em 2014, a Embrapii acumula mais de 4,5 mil projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação, envolvendo aproximadamente 3 mil empresas. Segundo Oliveira, entre 20% e 25% dessas iniciativas incorporam IA, seja no desenvolvimento de soluções específicas, seja em aplicações como manutenção preditiva, eficiência energética e otimização de processos industriais. “Está evoluindo, tem se tornado cada vez mais nativo”, afirmou o executivo, ao comentar o aumento das propostas que já incluem IA desde sua concepção. O avanço da demanda por recursos foi discutido no painel “Financiar a reinvenção: onde está o capital para inovar e competir na nova economia”, que reuniu representantes da Embrapii, Finep, ApexBrasil e ABGi Brasil. A moderação foi de Jamile Sabatini Marques, diretora de Inovação e Fomento da Associação Brasileira das Empresas de Software (ABES). Embrapii pode financiar até 90% dos projetos de pequenas empresas O modelo da Embrapii combina recursos da instituição, das empresas e dos centros de pesquisa credenciados para apoiar o desenvolvimento de tecnologias. A atuação concentra-se principalmente nos níveis intermediários de maturidade tecnológica, que incluem provas de conceito, validações e protótipos. Para grandes empresas, a participação da Embrapii pode alcançar um terço dos recursos necessários, enquanto as unidades de pesquisa normalmente contribuem com parcelas entre 15% e 20%. Nas companhias com faturamento anual de até R$ 90 milhões, o aporte da instituição pode chegar a 50%. No caso de micro e pequenas empresas, a combinação com recursos do Sebrae permite atingir percentuais de apoio de 80% a 90%, conforme as características e condições de cada projeto. Oliveira explicou que as empresas podem procurar diretamente as unidades credenciadas, sem depender da publicação de editais específicos. O modelo busca compartilhar riscos tecnológicos e financeiros durante as etapas de desenvolvimento. Finep adapta crédito e subvenção aos ciclos de inovação O gerente do Departamento de Tecnologia da Informação e Comunicação da Finep, Luiz Sergio Utino, apresentou mudanças nos mecanismos de financiamento para atender empresas que desenvolvem tecnologias em ciclos mais curtos. Entre as medidas estão a ampliação da rede de agentes financeiros responsáveis pelo crédito descentralizado e a revisão dos procedimentos de enquadramento e análise das operações diretas. Segundo Utino, o crédito descentralizado atende empresas com faturamento inferior a R$ 90 milhões, em projetos financiados de até R$ 30 milhões. As operações diretas da Finep são destinadas a projetos de maior porte, sujeitos aos critérios financeiros e técnicos da instituição. Outra mudança envolve as chamadas de subvenção econômica. Em determinadas linhas, a agência passou a adotar fluxo contínuo, permitindo a apresentação e avaliação de propostas ao longo do período de inscrições, sem concentrar todas as análises em uma única etapa. O formato também possibilita a reapresentação de projetos não aprovados, desde que observadas as regras de cada chamada. Utino reconheceu que a Finep ainda precisa aprimorar procedimentos para acompanhar a velocidade do desenvolvimento tecnológico. “A gente está atento, e sabemos que precisa melhorar”, afirmou. Executivos no painel (Imagem: Adriano Camargo) ApexBrasil identifica interesse de fundos estrangeiros em IA Além do financiamento público, a atração de capital privado foi abordada por Sérgio Rossi, especialista em investimentos estrangeiros da ApexBrasil. Segundo ele, o Brasil concentra aproximadamente metade dos investimentos de venture capital realizados na América Latina e reúne entre 200 e 250 fundos desse segmento. A agência atua na aproximação de startups brasileiras com investidores internacionais, incluindo fundos de corporate venture capital (CVC), modalidade em que grandes empresas investem em negócios tecnológicos para atender a objetivos estratégicos. Rossi informou que uma iniciativa desenvolvida pela ApexBrasil para estimular esse mercado já contribuiu para atrair mais de US$ 1 bilhão em investimentos ao país desde sua criação. Nos últimos dois anos, a procura internacional passou a incluir com maior frequência projetos relacionados à IA. Segundo o executivo, investidores que anteriormente concentravam suas consultas em transição energética e hidrogênio passaram a buscar empresas que desenvolvem modelos e aplicações da tecnologia. “Praticamente todos falam ‘eu quero entender o que o Brasil tem de IA’”, relatou Rossi, ao descrever as conversas com fundos internacionais. A demanda também alcança a infraestrutura computacional. A agência recebeu recentemente uma delegação com pelo menos dez fundos chineses interessados em oportunidades no segmento de data centers. Rossi relacionou essa procura à disponibilidade de energia renovável no Brasil e às perspectivas associadas ao Redata. Acesso aos recursos exige planejamento das empresas Marina Loures, diretora de Inovação e Transformação Digital da ABGi Brasil, apontou a dificuldade de identificar os instrumentos disponíveis como um dos obstáculos enfrentados por empresas que ainda não utilizam mecanismos de fomento. Segundo ela, a variedade de linhas de crédito, incentivos fiscais e chamadas de subvenção exige que as organizações conheçam as condições de cada modalidade antes de apresentar propostas. A executiva recomendou que o planejamento comece pelo levantamento dos projetos em andamento e das iniciativas previstas para os anos seguintes, incluindo despesas, equipes envolvidas e necessidades de investimento. Entre os instrumentos disponíveis, citou a Lei do Bem, os programas da Finep e da Embrapii, além de linhas do BNDES e de fundações estaduais de amparo à pesquisa. Loures alertou para o risco de empresas apresentarem propostas apenas porque determinada chamada pública oferece recursos, sem avaliar sua compatibilidade com os objetivos do negócio. “Não adianta nada enviar um projeto e ser aprovado […] e não assinar depois”, afirmou, ao comentar situações em que a iniciativa não corresponde à estratégia empresarial. Na mesma direção, Túlio Oliveira destacou que as fontes de financiamento são complementares e podem ser utilizadas em diferentes etapas do desenvolvimento tecnológico. “A primeira pergunta que vocês têm que responder é, o que eu estou querendo fazer? Em qual fase está o meu projeto?”, afirmou o representante da Embrapii. O post Embrapii supera mil projetos de IA; interesse estrangeiro cresce apareceu primeiro em TeleSíntese .