Apenas 2,1% dos idosos fazem cursos online, mostra diagnóstico da Anatel

Por Tele.Síntese · Categoria: Telecomunicações ·

Cristiana Camarate defende capacitação contínua, materiais impressos e aprendizagem entre gerações para ampliar a autonomia digital da população 60+. O post Apenas 2,1% dos idosos fazem cursos online, mostra diagnóstico da Anatel apareceu primeiro em TeleSíntese.

Apenas 2,10% das pessoas com 60 anos ou mais realizam cursos online ou acessam materiais de estudo pela internet, segundo dados de 2025 incorporados ao diagnóstico sobre inclusão digital apresentado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) nesta terça-feira, 27 de outubro. O levantamento mostra que, embora parte da população idosa utilize aplicativos de comunicação e redes sociais, ainda existem dificuldades significativas para desenvolver competências digitais mais amplas. A superintendente de Relações com Consumidores da Anatel, Cristiana Camarate, afirmou, em entrevista ao Tele.Síntese , que os resultados demonstram a necessidade de adotar metodologias de capacitação adaptadas às características desse público. Segundo ela, a oferta de cursos pela internet, isoladamente, não é suficiente para promover a inclusão digital de pessoas que ainda enfrentam dificuldades para utilizar dispositivos e aplicativos. “Então, não dá para só falar, olha, tem um curso online para o idoso”, afirmou Cristiana, ao destacar a importância de oferecer condições adequadas de aprendizagem. O diagnóstico foi elaborado em cooperação com a Unesco e reúne indicadores nacionais, estudos brasileiros e internacionais, escutas com pessoas idosas e análises de iniciativas de capacitação. Material impresso facilita aprendizagem Cristiana explicou que o estudo examinou experiências de capacitação para identificar quais metodologias apresentam melhores resultados. Na apresentação do diagnóstico, a superintendente ressaltou que a aprendizagem deve considerar a experiência prévia da população idosa, formada majoritariamente em um contexto anterior à disseminação das tecnologias digitais. “Para um projeto de inclusão digital de idoso, há uma necessidade premente de colocar o idoso como protagonista”, declarou. Segundo ela, o uso de materiais físicos de apoio contribui para o aprendizado, especialmente quando permite que os participantes retomem as orientações após as atividades presenciais. Cristiana afirmou que os projetos analisados indicaram maior facilidade de aprendizagem quando os idosos recebem materiais didáticos impressos. Outro fator relevante é a realização das atividades em ambientes conhecidos pelos participantes, como centros de convivência, associações e outros espaços comunitários. O diagnóstico observa que a familiaridade com o local de aprendizagem contribui para reduzir dificuldades de deslocamento e favorecer a participação. Troca entre gerações pode ampliar autonomia A aprendizagem intergeracional também apareceu entre as metodologias destacadas pela superintendente. Segundo Cristiana, o contato entre jovens e idosos permite uma troca de conhecimentos que ultrapassa o ensino de funcionalidades de celulares e aplicativos. Durante a apresentação do diagnóstico, ela explicou que pessoas mais jovens podem auxiliar na utilização de recursos de segurança, enquanto os idosos podem contribuir com sua experiência para identificar situações de risco e comportamentos inadequados no ambiente digital. “Não é que só o neto vai ensinar para o idoso e interagir com o idoso porque ele é mais espertinho, é porque há uma troca real”, afirmou. A superintendente ressaltou que essa abordagem também fortalece o protagonismo das pessoas idosas, que deixam de ocupar exclusivamente a posição de aprendizes. Cristiana acrescentou que a troca entre gerações contribui para reduzir o medo e desenvolver confiança no uso das tecnologias. Apenas 8% apresentam competências digitais elevadas Durante a apresentação do estudo, Cristiana informou que 8% da população idosa apresenta nível elevado de competências digitais, enquanto 62% está abaixo do nível básico. Os dados ajudam a dimensionar a necessidade de políticas de capacitação que ultrapassem o ensino de funções elementares dos aparelhos. O diagnóstico mostra que 40,89% das pessoas com 60 anos ou mais realizam chamadas pela internet e 30,71% participam de redes sociais. Entretanto, somente 2,68% editam textos, planilhas ou apresentações, 1,78% utilizam planilhas eletrônicas e 2,76% conectam novos dispositivos. Os indicadores evidenciam que a utilização de ferramentas de comunicação não corresponde necessariamente ao domínio de competências relacionadas à aprendizagem, produção de conteúdo e resolução de problemas técnicos. Cristiana também destacou o medo de golpes como fator que dificulta a participação digital. Segundo ela, muitas pessoas idosas possuem celulares e desejam utilizar os serviços disponíveis, mas evitam determinadas atividades por receio de fraudes ou por conhecerem vítimas de golpes. Anatel defende acompanhamento permanente A superintendente afirmou que as iniciativas de inclusão digital precisam oferecer continuidade ao processo de aprendizagem, em vez de se limitarem a atividades pontuais. “Não basta chamar aqui na Anatel, fazer um curso de um dia e depois deixar fluir”, afirmou durante a apresentação. Cristiana acrescentou que o diagnóstico identificou a necessidade de acompanhamento e incentivo permanentes, além de capacitação das instituições responsáveis pelos projetos. Como exemplo de atuação nesse campo, mencionou o programa Conectando Saberes, criado pela Anatel para manter o relacionamento com instituições envolvidas em iniciativas de inclusão digital. Segundo a superintendente, as atividades incluem temas relacionados à sustentabilidade das organizações, como elaboração de planos de negócios, além de questões diretamente ligadas à tecnologia. O diagnóstico identificou dificuldades de financiamento, fragmentação das ações e limitações na formação das equipes que atuam com a população idosa. Cristiana também chamou atenção para a necessidade de ampliar o alcance territorial dos programas. O levantamento mostra que 85% das iniciativas mapeadas estão concentradas em centros urbanos com boa infraestrutura de conectividade. Para a Anatel, a expansão da inclusão digital depende de uma combinação de infraestrutura, acessibilidade, metodologias adequadas e acompanhamento contínuo. O objetivo é permitir que a população com 60 anos ou mais desenvolva competências para utilizar serviços públicos, plataformas financeiras e ferramentas de comunicação com maior autonomia e segurança. 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