Unesco e Itamaraty defendem inclusão digital com foco em direitos humanos e IA

Por Tele.Síntese · Categoria: Telecomunicações ·

Representantes destacam cooperação internacional com a Anatel para ampliar a autonomia digital da população idosa e promover tecnologias acessíveis. O post Unesco e Itamaraty defendem inclusão digital com foco em direitos humanos e IA apareceu primeiro em TeleSíntese.

A inclusão digital da população idosa deve ir além da expansão do acesso à internet e considerar direitos humanos, acessibilidade, segurança e uso ético da inteligência artificial. A orientação foi defendida por representantes da Unesco e do Ministério das Relações Exteriores durante o lançamento do diagnóstico sobre inclusão digital de pessoas com 60 anos ou mais, realizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) nesta terça-feira, 27, em Brasília. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil A diretora e representante da Unesco no Brasil, Marlova Jovchelovitch Noleto, afirmou que a cooperação com a Anatel busca promover uma transformação digital centrada nas pessoas, capaz de converter o acesso às redes em oportunidades concretas de educação, participação social e desenvolvimento sustentável. Segundo ela, o trabalho conjunto está fundamentado no conceito de conectividade significativa, que considera não apenas a disponibilidade de conexão, mas também as condições necessárias para utilizar as tecnologias de maneira segura e autônoma. “Conectar pessoas é garantir que elas possam acessar, compreender, utilizar todas as tecnologias de uma maneira segura, significativa, inclusiva”, afirmou Marlova durante a abertura do evento. A representante da Unesco acrescentou que a parceria também contempla o desenvolvimento tecnológico e a utilização responsável da inteligência artificial. População idosa exige políticas diferenciadas Marlova ressaltou que a população com 60 anos ou mais apresenta diferentes condições de escolaridade, experiência, autonomia e acesso às tecnologias. Por essa razão, as estratégias de inclusão digital precisam considerar as particularidades dos usuários, em vez de adotar um único modelo de atendimento e capacitação. “A população 60 mais não é um grupo homogêneo”, afirmou. A representante da Unesco explicou que as diferenças nas trajetórias pessoais influenciam a relação dos idosos com dispositivos, aplicativos e serviços digitais. Para a organização, as políticas públicas devem incorporar acessibilidade, proteção de direitos e diálogo entre diferentes setores da sociedade. A abordagem também considera os impactos sociais da inteligência artificial e a necessidade de desenvolver tecnologias que atendam a diferentes perfis de usuários. A Unesco relaciona essa agenda aos compromissos internacionais de desenvolvimento sustentável e à redução das desigualdades. Itamaraty destaca cooperação para desenvolvimento tecnológico O coordenador-geral de Cooperação Multilateral da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), Márcio Lopes Corrêa, destacou o papel das parcerias internacionais na formulação de políticas públicas brasileiras. Representando a estrutura de cooperação técnica do Ministério das Relações Exteriores, Corrêa afirmou que a Anatel possui uma trajetória de utilização de acordos internacionais para desenvolver suas atividades. Segundo ele, a parceria com a Unesco permite aproveitar experiências de outros países e combiná-las com o conhecimento produzido por instituições brasileiras. O representante do Itamaraty classificou o diagnóstico como um projeto de conteúdo estratégico, por abordar dificuldades enfrentadas por populações vulneráveis no acesso e na utilização das tecnologias digitais. Corrêa também relacionou a iniciativa à necessidade de explorar os benefícios da inteligência artificial de maneira ética e socialmente inclusiva. Na avaliação apresentada durante o evento, a cooperação com organismos internacionais pode contribuir para a identificação de práticas e soluções capazes de ampliar a participação da sociedade brasileira na transformação digital. O dirigente ressaltou que o trabalho não deve se limitar à transferência de experiências internacionais, mas considerar também a capacidade de produção de conhecimento existente no Brasil. Diagnóstico reúne experiências nacionais e internacionais O estudo apresentado pela Anatel foi elaborado em cooperação com a Unesco e reúne indicadores nacionais, referências internacionais, escutas com pessoas idosas e análises de iniciativas de inclusão digital. Segundo a superintendente de Relações com Consumidores da agência, Cristiana Camarati, foram ouvidas pessoas idosas em sete estados e analisados 170 projetos e iniciativas voltados à inclusão digital. A pesquisa identificou barreiras relacionadas à segurança, ao desenvolvimento de competências digitais, à acessibilidade e à continuidade das ações de capacitação. Entre os resultados apresentados, apenas 8% da população idosa alcança nível elevado de competências digitais, enquanto 62% apresenta competências abaixo do nível básico. O diagnóstico também identifica o medo de golpes como um dos principais fatores que dificultam a utilização de serviços digitais. Para a Anatel, esses resultados demonstram que a ampliação da cobertura das redes precisa ser acompanhada por iniciativas de formação, proteção dos usuários e adaptação dos serviços. O post Unesco e Itamaraty defendem inclusão digital com foco em direitos humanos e IA apareceu primeiro em TeleSíntese .