Mais Alckmin, menos Janja; o pedido do mercado será atendido por Lula em seu 4º mandato?
No calor do desfecho da eleição presidencial , no domingo à noite, ao ser perguntado sobre o que esperava da política econômica no quarto mandato de Lula , um renomado economista foi lacônico: “Mais Alckmin, menos Janja”. A conversa parou por aí, mas resumiu o sentimento de vários analistas de que o
No calor do desfecho da eleição presidencial , no domingo à noite, ao ser perguntado sobre o que esperava da política econômica no quarto mandato de Lula , um renomado economista foi lacônico: “Mais Alckmin, menos Janja”. A conversa parou por aí, mas resumiu o sentimento de vários analistas de que o presidente reeleito precisa mudar a postura dos últimos quatro anos, quando deu ouvido às opiniões das lideranças do PT em detrimento do que esperava a coalizão de centro que o ajudou a derrotar Jair Bolsonaro em 2022. A forte correção nos preços dos ativos brasileiros na segunda-feira, 26, quando o dólar registrou a maior alta diária em 27 anos , foi uma mostra da pressão que os mercados exercerão sobre o governo para um ajuste fiscal urgente, à luz do pacote de bondades na reta final da eleição presidencial, com uma fatura de gastos adicionais acima de R$ 50 bilhões em 2027. Não é só a primeira-dama Janja da Silva que personifica o temor do mercado sobre o fracasso de um ajuste fiscal: ninguém quer mais a influência de Gleisi Hoffmann , ex-presidente do PT, ou de Rui Costa , senador pela Bahia. Espera-se que o vice-presidente Geraldo Alckmin ou alguém como Rafael Fonteles , governador do Piauí, passem a ter maior peso nas decisões econômicas. Ainda assim, é baixa a expectativa dos analistas: um ajuste “cosmético” das contas públicas a partir de 2027, apenas para conter a deterioração mais forte da dívida pública . Nesse cenário, poucos apostam na substituição do atual arcabouço fiscal , cuja credibilidade está aos frangalhos. O mais provável será apenas algum ajuste no parâmetro de crescimento de gastos. O problema é que o governo burlou repetidamente esses parâmetros, excluindo despesas da meta ou lançando programas públicos sem impacto no resultado primário. Além disso, Lula não deve recuar das medidas populistas anunciadas antes da eleição. Para administrar essa fatura adicional no Orçamento de 2027, o governo deve remanejar despesas ao longo do ano, usando bloqueios e contingenciamentos de gastos. A meta fiscal de 2027 é de um superávit primário de 0,5% do PIB , mas o mercado prevê um déficit entre 0,3% e 0,4%. Lula foi eleito com base numa agenda de ampliação do “welfare state”, ou seja, da rede de proteção social. Como este será o seu último mandato e, portanto, vai marcar a sua biografia de forma mais forte, é pouco provável um estelionato eleitoral só para agradar aos investidores. Lula vai querer ser lembrado como aquele que lutou pelos pobres, e não aquele que controlou a dívida pública.