Lula deve acolher aliados sem mandato para compor nova Esplanada
Em entrevista à CNN, ministro da articulação política do governo disse que integrantes do Executivo que não disputaram as eleições para permanecer na gestão petista estão à disposição do presidente para continuar a "servir o país"
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve considerar aliados que ficaram sem mandato após as eleições de 2026 e integrantes do governo que abriram mão de candidaturas na montagem da Esplanada dos Ministérios para o quarto mandato, que começa em janeiro de 2027. Entre eles está o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães (PT) , que abriu mão de disputar uma vaga no Senado pelo Ceará para assumir a articulação política do governo, em abril deste ano. Em entrevista à CNN nesta terça-feira (27), Guimarães disse que os integrantes do governo que não disputaram as eleições para permanecer no Executivo estão à disposição do presidente para continuar a “servir o país”. Leia Mais: Mais de 17 toneladas de barbatanas de tubarão são apreendidas Mensagem sobre “sequestro” lançada ao mar em 1973 reaparece e emociona irmã Causa da morte de ator de “Como Enlouquecer Seu Chefe” é revelada por site Além do ministro-chefe da pasta responsável pela articulação política do governo, também estão nesse grupo Luiz Marinho (PT) , do Trabalho e Emprego, que permaneceu no ministério após pedido de Lula , e Waldez Góes (PDT) , da Integração e Desenvolvimento Regional, que desistiu de disputar o Senado pelo Amapá . Outros integrantes do primeiro escalão, como Alexandre Padilha (PT) , da Saúde, e Alexandre Silveira (PSD) , de Minas e Energia, também permaneceram no governo e não concorreram no pleito deste ano. O ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT) , chegou a ser cotado para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por Pernambuco, mas decidiu continuar à frente da pasta , após pedido de Lula. A permanência desses auxiliares na nova gestão, entretanto, dependerá das escolhas do presidente e das negociações com os partidos aliados. Em entrevista à CNN , Guimarães afirmou que a composição do próximo governo deve refletir o resultado eleitoral e as alianças políticas que contribuíram para a reeleição de Lula. O ministro também defendeu a formação de um governo de frente ampla , com a participação de legendas além do PT, mas ressaltou que os partidos devem assumir compromissos de fidelidade à agenda governista. “Eu sou defensor de uma base menor, se for o caso, mas coesa, e que tenha fidelidade ao governo que está implementando as suas políticas e programas”, declarou. Aliados derrotados nas urnas A composição da nova equipe também deve levar em conta a acomodação de aliados derrotados nas urnas, a preservação de auxiliares que permaneceram no Executivo durante a disputa eleitoral e a ampliação da participação de partidos de centro, considerados importantes para o diálogo com o Congresso Nacional. Entre os nomes que circulam nos bastidores está o de João Campos (PSB) , ex-prefeito do Recife que foi derrotado na disputa pelo governo de Pernambuco. Segundo apuração da CNN , ele é cogitado para assumir o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, pasta anteriormente comandada por seu pai, Eduardo Campos, durante o primeiro mandato de Lula. Outro partido que pode ganhar espaço é o MDB. A expectativa entre interlocutores do governo é que a ala nordestina da legenda tenha ao menos um ministério. Os senadores Renan Calheiros e Renan Filho , derrotados nas eleições em Alagoas , aparecem entre os nomes cotados para integrar a próxima gestão. O movimento também ocorre em meio à tentativa de reaproximação com legendas que se dividiram durante a campanha presidencial. Apesar de setores do MDB terem apoiado Flávio Bolsonaro (PL), o PT deve se reunir com representantes da legenda para discutir sua participação no novo governo . Disputa por espaço na Esplanada A acomodação de aliados sem mandato ocorre paralelamente às negociações para ampliar a sustentação do governo no Congresso Nacional. Além dos nomes ligados ao PT e ao PSB, interlocutores do presidente avaliam a participação de representantes do Centrão em postos estratégicos. Um dos cargos mencionados nas articulações é o Ministério das Relações Institucionais, responsável pela interlocução com deputados e senadores e atualmente comandado por Guimarães. O ex-ministro de Portos e Aeroportos Silvio Costa Filho (Republicanos) está entre os nomes ventilados para a função . A possibilidade de mudanças na articulação política evidencia a disputa por espaço na Esplanada e o desafio de conciliar a permanência de auxiliares próximos ao presidente com a entrada de novos aliados. A formação do novo governo começou a ser discutida após a vitória de Lula no segundo turno. Na segunda-feira (26), o presidente se reuniu com os presidentes da Câmara e do Senado , Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), em meio às primeiras articulações para o próximo mandato. As negociações ainda estão em estágio inicial e não há definição oficial sobre a distribuição das pastas.