O Brasil e o cenário fiscal: a situação das contas demanda imediato tratamento pelo governo eleito
O cenário fiscal é gravíssimo. Se não houver uma correção de rota, as consequências serão ainda mais graves. O governo deverá anunciar medidas para remediar a situação mencionada. Pelo menos sinalizar a direção, o que poderá ter efeito apaziguador sobre os mercados. Comprovando a gravidade atual, vo
O cenário fiscal é gravíssimo. Se não houver uma correção de rota, as consequências serão ainda mais graves. O governo deverá anunciar medidas para remediar a situação mencionada. Pelo menos sinalizar a direção, o que poderá ter efeito apaziguador sobre os mercados. Comprovando a gravidade atual, vou utilizar como parâmetro outro grave momento político e econômico brasileiro: o governo Dilma . Ao final de 2014 a presidente Dilma foi reeleita, quando começa uma das maiores crises da história econômica brasileira. No período republicano, o único momento comparável foi a Grande Depressão (1929-1933) . Comecemos pelo déficit primário. Ao final do primeiro mandato, dezembro/2014, havia um déficit de 0,56%. Ao final do mandato, abril/2016, o déficit atingiu 2,30%. O déficit nominal, também em abril/2016, chegou a surpreendentes 9,96%. A taxa Selic no primeiro semestre de 2016 rondava a casa de 14,25%. Outra variável fundamental é a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG). A DBGG em dezembro/2014 era de 56,28%. Em abril/2016 saltara para 66,62%. Comparemos a crise do governo Dilma com a atual. O último dado disponível é de julho/2026. Neste período, o déficit primário foi de 0,67%. O déficit nominal, por sua vez, apresentou elevados 9,34%. Ligeiramente abaixo do apresentado ao final do governo Dilma. Outro ponto impressionantemente coincidente é o comportamento da Selic. Na atualidade, encontra-se em 13,75%, apenas 0,50% abaixo daquele período. A DBGG, em janeiro/2023, era 71,38%. Após esse período passou a crescer continuamente. O último dado disponível apresentou impressionantes 82,51%. A dívida aumentou 11,13% do PIB. Dando outros números à realidade fiscal, em janeiro/2023 a dívida era R$ 7,257 trilhões. Agora, R$ 10,946. Logo, a dívida aumentou surpreendentes R$ 3,7 trilhões. Comparando com o governo Dilma, que, como apontado, foi a maior crise brasileira desde a Grande Depressão, já demonstramos que o déficit nominal é equivalente nos dois períodos. Há também imensa semelhança na taxa Selic. A outra variável-chave, a DBGG, está 15,89% maior que no governo Dilma. De outra forma, em termos de dívida, a situação é ainda mais grave que aquela de 2016. Em conclusão, a situação fiscal demanda imediato tratamento por parte do governo eleito. Caso contrário, será que estaremos diante de uma nova Grande Depressão, agora genuinamente brasileira?