Leilão de transmissão oferta R$ 9 bilhões em projetos e mercado prevê disputa

Por Estadão · Categoria: Geral ·

O segundo leilão de empreendimentos de transmissão de energia elétrica será realizado na próxima sexta-feira, 30, na B3, em São Paulo. Com oito lotes que somam mais de 1,8 mil quilômetros de novas linhas e 12,7 mil megavolt-ampére (MVA) de capacidade de transformação, ou quase R$ 9 bilhões em invest

O segundo leilão de empreendimentos de transmissão de energia elétrica será realizado na próxima sexta-feira, 30, na B3, em São Paulo. Com oito lotes que somam mais de 1,8 mil quilômetros de novas linhas e 12,7 mil megavolt-ampére (MVA) de capacidade de transformação, ou quase R$ 9 bilhões em investimentos, o certame é maior do que aquele realizado no primeiro semestre - que foi dividido em duas etapas - e deve atrair investidores e competição, ainda que algumas transmissoras tradicionais já tenham adiantado que não devem participar. Entre as empresas citadas como potenciais candidatas a disputar os lotes ofertados estão Axia, Alupar, Copel, CPFL, EDP, Engie e Neoenergia, enquanto Isa Energia Brasil e Taesa já anunciaram que ficarão de fora da disputa, para focar em projetos e ativos que já estão na carteira. As proponentes irão disputar projetos que propiciarão uma Receita Anual Permitida (RAP) máxima de R$ 1,6 bilhão, valor que deve cair com a competição. Para o gerente de Estudos de Mercado e Regulação da Envol, William Akira Kay, lotes “estrategicamente importantes” garantem a atratividade do leilão, mesmo com a ausência de players tradicionais e a tendência é de disputa dos projetos entre os empreendedores. “Este leilão está tratando de infraestruturas estratégicas para escoamento da energia da geração renovável, com lotes que vão ajudar a escoar excesso de geração regional do norte de Minas Gerais, do Centro-Oeste. Então, são lotes que, do ponto de vista da operação, são relevantes”, disse à Coluna. Ele evitou sugerir um potencial nível de deságio em decorrência da disputa, mas sugeriu que o desconto será positivo para o consumidor. “O custo [com as novas linhas e subestações] vai compensar frente ao benefício que o consumidor vai ter, do ponto de vista de segurança do suprimento e também para os geradores, diante do combate do curtailment ”, afirmou. Outros R$ 12 bi estão previstos para 2027 A presidente executiva da Associação Brasileira das Empresas de Transmissão de Energia Elétrica (Abrate), Talita Porto, destacou que, se todos os lotes forem arrematados, o volume de projetos viabilizados por leilões nos últimos cinco anos somará quase R$ 100 bilhões. Outros R$ 12 bilhões estão previstos para o próximo ano. “Os pilares de uma concessão - seja de transmissão, geração ou distribuição - são segurança jurídica, previsibilidade regulatória e equilíbrio econômico financeiro dos contratos. Desde que isso se mantenha, tem investidores interessados”, disse. O grande destaque entre os projetos ofertados é o lote 4, o maior do certame, dividido em dois sublotes que compreendem um conjunto de linhas de transmissão em alta tensão (500 kV) e subestações, somando mais de R$ 4,1 bilhões em investimentos. O projeto, com empreendimentos nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás, é considerado uma preparação para a interligação entre Brasil e Bolívia. Neste caso, os proponentes deverão entregar, simultaneamente, três envelopes fechados, contendo o lance para o lote completo e para cada um dos sublotes. Caso haja propostas válidas para o Lote 4 e para os seus sublotes (4A e 4B), haverá competição cruzada para definir se a concessão será outorgada em um único lote ou segregada em sublotes, comparando a menor proposta apresentada para o lote integral e para o somatório das menores propostas apresentadas para cada sublote, sendo escolhida a modalidade em que for ofertado o menor valor de RAP. Lote 4 é o mais complexo Para a empresa especializada em licenciamento e gestão ambiental de grandes empreendimentos Ambientare Soluções em Meio Ambiente, além de maior, o lote 4 também é o mais complexo do leilão. Além da extensão e da diversidade territorial envolvida, existe a necessidade de coordenação entre diferentes frentes de engenharia, fundiária e ambiental, especialmente caso os sublotes sejam adjudicados a empreendedores distintos, avaliou a empresa, citando, ainda, a necessidade de compatibilizar o cronograma de licenciamento com o cronograma de implantação e com as condições de antecipação previstas para o empreendimento. “Em projetos de transmissão dessa escala, a antecipação de etapas depende de uma estratégia bastante estruturada desde a fase pré-leilão, com avaliação prévia das restrições ambientais, fundiárias e institucionais e definição dos caminhos críticos para obtenção das licenças e autorizações necessárias”, afirmou a empresa em análise na qual a Coluna teve acesso. A Ambientare destaca também o lote 1, composto por instalações existentes da Transmissora Afluente-T, além de novas instalações destinadas ao atendimento das regiões sul e centro-sul da Bahia, somando quase R$ 500 milhões em investimentos. Nesse caso, a empresa cita que um dos pontos críticos é a realização de uma due diligence ambiental e regulatória das instalações operacionais, incluindo a verificação das licenças e autorizações vigentes, obrigações ambientais associadas e de eventuais passivos ou condicionantes que possam repercutir sobre a nova concessão. Esta notícia foi publicada na Broadcast+ no dia 26/10/2026, às 20:57 A Broadcast+ é uma plataforma líder no mercado financeiro com notícias e cotações em tempo real, além de análises e outras funcionalidades para auxiliar na tomada de decisão. Para saber mais sobre a Broadcast+ e solicitar uma demonstração, acesse .