Ex-diretor vê ‘assassinato de reputação’ no Corinthians e detona gestão: ‘Confusa e irresponsável’
O ex-diretor administrativo do Corinthians , Fábio Soares Souza , afirmou ter sido vítima de um “assassinato de reputação” durante o período em que atuou na gestão do clube. Na declaração, em depoimento ao Ministério Público de São Paulo no âmbito do Procedimento Investigatório Criminal (PIC) que ap
O ex-diretor administrativo do Corinthians , Fábio Soares Souza , afirmou ter sido vítima de um “assassinato de reputação” durante o período em que atuou na gestão do clube. Na declaração, em depoimento ao Ministério Público de São Paulo no âmbito do Procedimento Investigatório Criminal (PIC) que apura a contratação de empresa de segurança privada irregular, o ex-dirigente negou ter responsabilidade por eventuais irregularidades ou desvios de recursos e classificou a gestão como “confusa e irresponsável”. O Corinthians não se manifestou sobre o depoimento. Osmar Stábile, presidente corintiano, foi denunciado pelo MP sob a suspeita de utilizar recursos do clube para custear a Bear Security Ltda, a serviço apenas dele e de sua família. Quando a denúncia foi feita, em setembro, o clube sustentou que a contratação passou pelos trâmites internos corretamente. Fábio se manifestou porque a investigação menciona “terceira(s) pessoa(s) a ser(em) identificada(s) que agiu com possível omissão qualificada” e diz que “na esfera interna do clube, a defesa do Presidente procurou atribuir à Diretoria Administrativa e a outras áreas a conferência e a aprovação de notas e a obtenção de licenças” O ex-diretor descreve os bastidores do Parque São Jorge como um “sistema radioativo”, dominado por “velhas lideranças” que isolam gestores sem apadrinhamento político. Também diz que o “assassinato de reputação”, do qual alega ter sido vítima, foi aplicado a outros sócios e dirigentes do clube. Cita como exemplo o diretor de tecnologia Marcelo Munhoes, que denuncia um esquema de cambismo no clube . “Como eu, (Munhoes) serviu ao clube com dedicação e sem jamais buscar vantagem, foi afastado da noite para o dia, com os acessos cortados, e ouviu do Presidente que o motivo eram ‘questões políticas’ e ‘pressões internas’. Disse ter saído ‘pela porta dos fundos’. Eu sei exatamente o que é isso. Somos dois homens que só quiseram o bem do Corinthians e que foram descartados sem o mínimo de respeito por uma Presidência confusa, irresponsável e incapaz de assumir as próprias decisões”, disse no depoimento. Em relação à contratação da Bear Security, a manifestação esclareceu que a prestadora de serviços já atuava no clube antes da posse de Fábio na diretoria administrativa, em junho de 2025. O ex-diretor enfatizou que não indicou a empresa, não negociou valores ou efetivo e não gerenciava a prestação dos serviços. Ele alega que sua participação restringiu-se a trâmites burocráticos ordinário. Entenda o caso Bear Security O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) denunciou o presidente Osmar Stábile, em setembro, pelo crime de apropriação indébita no caso da empresa Bear Security. O prejuízo estimado aos cofres do Corinthians é de R$ 721.194,66. Stábile teria, conforme a denúncia, repassado 15 pagamentos à Bear Security entre julho de 2025 a agosto de 2026, com valores entre R$ 33 mil a R$ 65 mil. O promotor Cassio Conserino afirma que a empresa contratada não tinha autorização da Polícia Federal e emitia notas fiscais exclusivamente para o clube. A investigação do MP-SP foi aberta no começo de agosto para apurar o uso de recursos do Corinthians na contratação da empresa , que faria a segurança privada de Stábile. Quando o caso veio à tona, em junho, o Corinthians afirmou que Stábile “solicitou a contratação da empresa por relação de confiança nos profissionais” e que o contrato “passou pelo sistema de compliance”. Fundada em janeiro de 2025, a Bear Security tem registros de serviços prestados apenas ao clube, no valor de R$ 586.987,65, como mostrou reportagem do Sport Insider, em junho . Sediada no bairro do Realengo, no Rio, a empresa tem em seu quadro dois profissionais que foram policiais militares e trabalharam para Stábile e familiares antes da posse. Em outubro de 2024, os dois viajaram ao Nordeste com Stabile, à época vice-presidente de Augusto Melo, para um casamento.