Fuga de Flávio pode dar vaga a suplente que declarou voto em Lula em 2022
Empresário e ex-aliado da família Bolsonaro, Paulo Marinho rompeu com o clã em 2020
Paulo Marinho , primeiro suplente de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pode herdar a cadeira no Senado com a fuga do senador para os Estados Unidos. Empresário e ex-aliado da família Bolsonaro, ele rompeu com O clã em 2020 e declarou voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2022. Marinho foi eleito suplente de Flávio em 2018 e emprestou a própria casa, no Jardim Botânico, no Rio, como quartel-general da campanha de Jair Bolsonaro. A ruptura com o clã bolsonarista se tornou pública em maio de 2020. Naquele mês, em entrevista à Folha de S.Paulo, Marinho afirmou que Flávio foi avisado por um delegado da Polícia Federal, entre o primeiro e o segundo turno de 2018, de que a Operação Furna da Onça atingiria a Assembleia Legislativa do Rio e pessoas do gabinete do então deputado estadual. Leia Mais: Flávio Bolsonaro é investigado em três inquéritos no STF Richarlison ironiza fuga de Flávio: “Então não tem ninguém na ilha?” Lula deve acolher aliados sem mandato para compor nova Esplanada Segundo o empresário, o próprio Flávio lhe contou o episódio em dezembro daquele ano e pediu ajuda para a defesa jurídica . A operação tinha entre os alvos o ex-assessor Fabrício Queiroz. Flávio negou. Classificou a entrevista como invenção e disse que o suplente queria a vaga dele no Senad o. As pazes vieram em 2024. Marinho migrou para o Republicanos em 2023, pouco antes de reatar com a família. No intervalo, Marinho presidiu o PSDB do Rio. O suplente não assume o posto automaticamente . Pela Constituição, ele só é convocado quando a vaga abre, por morte, renúncia ou cassação do titular, ou quando o senador se licencia por mais de 120 dias. Cada senador tem dois suplentes, chamados em ordem. No caso de Flávio, Paulo Marinho é o primeiro e o empresário Leonardo Rodrigues é o segundo. Sair do Brasil, mesmo que de forma definitiva, não faz o senador perder o mandato . Para a vaga abrir, seria preciso renúncia de Flávio, cassação por decisão do plenário do Senado ou perda do mandato por faltas, quando o parlamentar deixa de ir a ⅓ das sessões ordinárias do ano sem licença ou missão autorizada. Nesse último caso, a perda é declarada pela Mesa do Senado. Não, porém, tempo hábil para que isso aconteça. Já que o mandato de Flávio termina em fevereiro de 2027 . Se assumisse agora, Marinho cumpriria apenas o que resta: pouco mais de três meses. Até a publicação desta reportagem, não há pedido de renúncia nem de licença de Flávio. Flávio deixa o país Flávio perdeu a eleição para Lula no domingo (25), que governará o país por um quarto mandato . Na noite de domingo, o bolsonarista disse que não reconhecia o resultado e pediria a anulação do pleito. Na segunda (26), a Polícia Federal o intimou a entregar os passaportes, por decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. Nas redes sociais, Flávio disse que a medida veio depois de uma visita ao pai, Jair Bolsonaro, e de uma fala do irmão Eduardo, que vive nos Estados Unidos, e afirmou que entregaria os documentos . Na terça (27), não entregou. A PF cancelou os passaportes comum e diplomático do senador. Aliados disseram à CNN que ele deixou Brasília de madrugada e seguiu para os EUA com a mulher e as duas filhas, por medo de ser preso. Flávio responde a inquéritos no Supremo. Um apura o financiamento do filme “Dark Horse” , sobre Jair Bolsonaro, junto ao Banco Master, do banqueiro Daniel Vorcaro , sob relatoria do ministro André Mendonça. Outro, relatado por Moraes, investiga suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz , amigo do senador. Flávio chamou essa apuração de “fake news”, e Tomaz nega ter cometido crimes. Quem é Paulo Marinho Paulo Roberto Franco Marinho tem 74 anos e nasceu no Rio de Janeiro. Começou a trabalhar aos 14 anos na Excelsior Seguros e construiu carreira no mercado financeiro, na indústria naval e na comunicação. Dirigiu o estaleiro Verolme, em Angra dos Reis, ao lado do empresário Nelson Tanure , e passou pelo Jornal do Brasil e pela Gazeta Mercantil, onde chegou à vice-presidência executiva. Na política, foi eleito primeiro suplente de Flávio em 2018, presidiu o PSDB do Rio e foi pré-candidato à prefeitura da capital fluminense pelo partido em 2020. Em 2023, migrou para o Republicanos. É pai do humorista e político André Marinho (Novo), que disputou o governo do Rio neste ano e teve 0,54% dos votos, e da cantora Giulia Be, casada com Conor Kennedy, filho do secretário de Saúde dos EUA, Robert Kennedy Jr . O casamento religioso foi em 10 de outubro, no Rio, com almoço no Instituto Brando Barbosa