Empresários dizem que vão demitir funcionários que votaram em Lula
Publicações nas redes sociais incentivam dispensas por preferência política; prática é considerada discriminatória pela legislação trabalhista
Pessoas que se apresentam como empresários e políticos ligados ao PL passaram a defender nas redes sociais a demissão de funcionários que votaram no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As manifestações ganharam força depois da vitória do petista sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL) no 2º turno, no domingo (25.out.2026). As publicações incentivam empregadores a identificar trabalhadores petistas e dispensá-los por suas preferências políticas. Não há confirmação de que todas as manifestações tenham resultado em demissões. A vereadora de Londrina (PR) e deputada estadual eleita Jéssica Ramos Moreno (PL), conhecida como Jessicão, publicou uma mensagem incentivando a demissão de empregados que apoiaram Lula. “Você tem uma empregada que é petista? Demita! Tem um funcionário que é petista? Demita!” , escreveu . A deputada também defendeu que consumidores deixassem de contratar serviços de apoiadores do PT. Assista aos vídeos que estão circulando nas redes sociais: MAIS UM EMPRESÁRIO DANDO O RECADO. https://t.co/Nk1R4rM7ot — Tom Riplay (@TomRipley22) October 27, 2026 Empresários estão demitindo em massa petistas no Brasil, como vingança https://t.co/1mnrmoLBHl — Informações mundiais e militares (@Ricardo_1934) October 26, 2026 𝙌𝙐𝙀 𝙈𝘼𝙍𝘼𝙑𝙄𝙇𝙃𝘼! 👏👏👏 ✅ Empresários estão 𝘿𝙀𝙈𝙄𝙏𝙄𝙉𝘿𝙊 abestados petistas. ⚠️ 𝘿𝙖𝙦𝙪𝙞 𝙥𝙖𝙧𝙖 𝙖 𝙛𝙧𝙚𝙣𝙩𝙚 𝙫𝙖𝙞 𝙨𝙚𝙧 𝙨𝙤́ 𝙙𝙚𝙨𝙜𝙧𝙖𝙘̧𝙖. 𝙀 𝙚𝙨𝙘𝙧𝙚𝙫𝙚𝙧𝙚𝙢𝙤𝙨: 𝙀𝙨𝙨𝙖 𝙘𝙪𝙡𝙥𝙖 𝙚́ 𝙚𝙭𝙘𝙡𝙪𝙨𝙞𝙫𝙖 𝙙𝙚 𝙦𝙪𝙚𝙢 𝙛𝙖𝙯 𝙤 𝙇. https://t.co/HZcJUZZcT2 — CuscoB22 (@CuscoB222) October 27, 2026 Atenção MPT e @TSEjusbr ABSURDO! Lais Jordy, esposa do deputado federal Carlos Jordy, diz que empresários devem DEMITIR petistas: “Demita um petista, o voto dele prejudica o seu negócio, prejudica a tua família, prejudica a tua vida, vocês merecem respeito.” https://t.co/4AWyL3NKTB — PLOCSOCIAL (@plocsocial) October 27, 2026 JUSTIÇA DETERMINA RETIRADA DE PUBLICAÇÕES No Rio de Janeiro, a deputada estadual Índia Armelau (PL) também sugeriu que empresários verificassem as redes sociais dos empregados para identificar apoiadores de Lula. O Ministério Público do Trabalho entrou com uma ação civil pública contra a deputada. Nesta 3ª feira (27.out), a Justiça do Trabalho determinou que ela retirasse as publicações e deixasse de incentivar a discriminação de trabalhadores por convicção política. A decisão estabelece multa diária de R$ 5.000 em caso de descumprimento. A deputada afirmou que sua manifestação foi interpretada de forma equivocada e disse respeitar as escolhas políticas dos trabalhadores. DEMISSÃO POR PREFERÊNCIA POLÍTICA A legislação brasileira proíbe a discriminação nas relações de trabalho por convicção política. Trabalhadores demitidos por esse motivo podem recorrer à Justiça para pedir indenização e reintegração ao emprego, entre outras medidas previstas em lei. Segundo a Agência Brasil, o MPT havia recebido 1.937 denúncias de assédio eleitoral até 2ª feira (26.out). Os casos podem ser denunciados ao Ministério Público do Trabalho e à Justiça do Trabalho.