Atlas Intel: Pesquisas subestimaram alta de comparecimento nas urnas; queda recorde de abstenção levou à virada de Lula com 10,4 milhões de novos votos

Por Times Brasil — Brasil · Categoria: Nacional ·

A mobilização de eleitores que haviam se afastado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno foi um dos principais fatores para a virada sobre Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de 2026, segundo uma análise divulgada pela AtlasIntel. Lula terminou o segundo turno com 51,79% dos v

A mobilização de eleitores que haviam se afastado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno foi um dos principais fatores para a virada sobre Flávio Bolsonaro (PL) na eleição presidencial de 2026, segundo uma análise divulgada pela AtlasIntel. Lula terminou o segundo turno com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, uma diferença de 3,57 pontos percentuais, equivalente a cerca de 4,4 milhões de votos. Segundo o levantamento, Lula ganhou 10,4 milhões de votos do primeiro para o segundo turno. Flávio, por sua vez, acrescentou 3,7 milhões. Para efeito de comparação, em 2022 Lula havia aumentado sua votação em 3,1 milhões entre os dois turnos, enquanto Jair Bolsonaro ganhou 7,1 milhões. Na leitura da AtlasIntel, a diferença deste ano está principalmente no comportamento de eleitores que haviam se afastado de Lula no primeiro turno e retornaram às urnas na etapa decisiva. Abstenção caiu como nunca O segundo turno também rompeu um padrão histórico de participação eleitoral. A abstenção caiu de 21,1% no primeiro turno para 19,2% no segundo, uma redução de 1,9 ponto percentual. Entre 1989 e 2018, a abstenção havia aumentado em todos os segundos turnos presidenciais. Em 2022, caiu apenas 0,4 ponto percentual. Em 2026, a queda foi quase cinco vezes maior. Na prática, 3 milhões de eleitores a mais compareceram às urnas no segundo turno deste ano. Em 2022, esse aumento havia sido de 570 mil. Também houve uma redução de 1,8 milhão nos votos brancos e nulos. A AtlasIntel calcula que, somando o aumento do comparecimento, a redução de brancos e nulos e os votos dados no primeiro turno a candidatos eliminados, aproximadamente 14 milhões de votos estavam em disputa no segundo turno. Lula teria ficado com cerca de 74% desse contingente. Eleitores que se afastaram de Lula voltaram A análise identifica uma forte desmobilização da antiga coalizão de Lula no primeiro turno. Na comparação com 2022, a perda havia sido especialmente intensa em cidades pequenas e médias. Nos municípios com menos de 5 mil habitantes, por exemplo, a margem de Lula havia recuado 14,9 pontos percentuais em relação ao primeiro turno de quatro anos antes. A AtlasIntel interpreta esse movimento como um voto de punição ao governo, sobretudo entre eleitores independentes, críticos e setores mais conservadores que haviam escolhido Lula em 2022 como alternativa a Jair Bolsonaro. Parte desse eleitorado, segundo o estudo, não teria aderido a Flávio por convicção. Alguns se abstiveram e outros votaram no candidato do PL como forma de demonstrar insatisfação. No segundo turno, porém, a margem de Lula sobre Flávio avançou em todos os tipos de município e em todas as regiões do país. O maior avanço ocorreu no Sudeste, onde a diferença a favor do petista melhorou 7,3 pontos percentuais entre os dois turnos. Nas periferias das capitais, o ganho foi de 7,1 pontos. Lula também ampliou votação nas cidades menores. Nos municípios de até 100 mil habitantes, havia recebido 1,7 milhão de votos a menos no primeiro turno de 2026 do que na mesma etapa de 2022. No segundo turno deste ano, terminou com 1,2 milhão de votos a mais do que em 2022. Lula virou Rio e Macapá Lula aumentou sua margem sobre Flávio nas 27 capitais brasileiras e venceu em 13 delas, ante 11 no primeiro turno. O petista conseguiu ainda virar o resultado no Rio de Janeiro e em Macapá, onde havia perdido na primeira etapa. A AtlasIntel destaca que a recuperação de Lula foi nacional, embora com intensidades diferentes de acordo com região e tamanho dos municípios. Flávio perdeu votos em 938 municípios O levantamento também identificou sinais de desmobilização entre eleitores de Flávio Bolsonaro. O senador recebeu menos votos no segundo turno do que no primeiro em 938 municípios, que concentram 8,5% do eleitorado nacional. Nessas cidades, perdeu cerca de 134 mil votos. A grande maioria dos municípios onde houve recuo, 890, está no Norte e no Nordeste. A análise ressalta, porém, que a perda é pequena diante da diferença final de 4,4 milhões de votos e que movimentos desse tipo também podem ocorrer naturalmente entre os turnos. Pesquisas subestimaram Lula O estudo também analisa o desempenho das pesquisas na reta final. Segundo a AtlasIntel, 18 dos 20 institutos que divulgaram levantamentos nacionais na última semana apontavam Flávio Bolsonaro à frente, e todos os 20 subestimaram a votação final de Lula. O erro na estimativa dos votos válidos do petista variou de 1,19 a 4,49 pontos percentuais, com média de 2,78 pontos. A própria AtlasIntel também terminou a campanha apontando Flávio ligeiramente à frente. Seu último levantamento público mostrava Lula com 49,2% dos votos válidos. Uma atualização de tracking feita até as 8h do dia da eleição chegou a 49,7% para o petista, ainda abaixo dos 51,79% obtidos nas urnas. Na avaliação da empresa, o principal desafio foi medir não apenas a preferência eleitoral, mas quem efetivamente compareceria para votar. O que explica a virada A análise aponta três fatores principais para a mobilização de Lula no segundo turno. O primeiro foi a própria derrota do petista na primeira etapa, que tornou concreto o risco de uma vitória de Flávio e aumentou a mobilização de eleitores que haviam se afastado. O segundo foi a rejeição ao bolsonarismo. Na interpretação da AtlasIntel, o segundo turno deixou de funcionar apenas como uma avaliação do governo Lula e passou a ser uma escolha direta sobre quem deveria comandar o país. O terceiro fator foi a menor influência das disputas estaduais. Apenas seis estados tiveram segundo turno para governador em 2026, contra 12 em 2022, reduzindo o peso de máquinas políticas locais sobre a mobilização presidencial. A AtlasIntel cita ainda a mobilização digital da base petista, incluindo movimentos como o canal “Exército do Lula” no WhatsApp, como um elemento adicional para explicar o aumento do comparecimento. O post Atlas Intel: Pesquisas subestimaram alta de comparecimento nas urnas; queda recorde de abstenção levou à virada de Lula com 10,4 milhões de novos votos apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC .