Trump diz que eleição foi “estranha” e aprovaria entrada de Flávio nos EUA
Questionado por repórteres, presidente americano afirmou que "teria aprovado" entrada do senador no país e fez críticas ao processo eleitoral brasileiro
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que aprovaria a entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) no país e classificou como “terrível” a maneira como o resultado das eleições presidenciais brasileiras foi alcançado. “Bem, eu teria aprovado. Acho que são boas pessoas”, disse Trump ao ser questionado por um repórter na madrugada desta quarta-feira (28). O presidente americano também voltou a criticar a eleição brasileira, afirmando que o resultado foi obtido de maneira “muito estranha” e que considerou o processo “terrível”. Leia mais Trump autorizou entrada de Flávio Bolsonaro nos EUA, diz fonte Flávio se encontra com Eduardo Bolsonaro nos EUA e planeja coletiva Lula critica fuga de Flávio para os EUA e diz que "quem não deve, não teme" “A eleição foi muito estranha, e achei que foi terrível. Recebeu avaliações ruins. Veja só o que aconteceu com o mercado deles”, afirmou. A afirmação acontece horas após um assessor confirmar à CNN que Trump autorizou a entrada do senador no país após a derrota nas eleições presidenciais. Autoridades do governo Trump estavam cientes, na segunda-feira (26), de que Bolsonaro tinha cerca de 24 horas para entregar seu passaporte, e deixaram claro ao candidato brasileiro que sua entrada nos EUA seria permitida, disse o assessor. Uma fonte brasileira próxima a Flávio afirmou que o senador temia ser preso no Brasil. Ele está sendo investigado por supostos atos de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Uma pessoa a par da situação disse à CNN , na tarde desta terça-feira (27), que Flávio chegou aos EUA com sua mulher e filhas . Não está claro onde ele desembarcou. Não se sabe, no momento, se Trump e Bolsonaro conversaram diretamente por telefone antes da partida do político brasileiro. Fuga de Flávio A decisão do senador acontece após a PF (Polícia Federal) solicitar a entrega dos passaportes do senador na segunda-feira. Ainda na manhã desta terça-feira, a PF acionou autoridades argentinas sobre um eventual risco de fuga de Flávio. O senador teria até as 11h para entregar os documentos à PF, segundo determinação do ministro Alexandre de Moraes , do STF (Supremo Tribunal Federal) , o que não ocorreu. Com isso, a corporação cancelou tanto o passaporte comum como o diplomático , destinado a autoridades, levando a uma restrição aos documentos nos portos e aeroportos ao redor do mundo nos sistemas de migração. O STF determinou a entrega dos passaportes e seus cancelamentos após receio de fuga por parte de investigadores da PF que tocam o inquérito contra Flávio por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. A medida também se baseou na fala do irmão Eduardo Bolsonaro , que disse em uma entrevista na internet que apoiava a saída do Brasil de Flávio caso ele perdesse as eleições presidenciais, como ocorreu no domingo (25). Lula critica decisão O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a fuga do senador. “Fico imaginando o que tem na consciência um cidadão que acabou de perder as eleições e foge do seu país. […] Quem não deve, não teme. O cidadão que sai escondido desse país deve alguma coisa. E não vá dizer que não há democracia”, disse o petista. Lula disse, em celebração do seu aniversário de 81 anos, no Palácio da Alvorada, que “lamenta a falta de respeito de Flávio com seus eleitores e com a democracia”. O petista disse que permaneceu no país após derrotas para Fernando Collor, em 1989, e para Fernando Henrique Cardoso, em 1994 e 1998. Afirmou ainda que quando acusado, à época da operação Lava Jato, teve convites para deixar o Brasil, mas permaneceu para “provar a inocência”. “Quando pediram meu passaporte, eu entreguei. E ele deveria ter entregado. Mas infelizmente a família Bolsonaro é isso. O Brasil é a segunda pátria deles, a primeira é a devoção aos Estados Unidos”. Na celebração, o presidente disse que as plataformas digitais, incluindo a Meta, o mercado financeiro e o governo dos Estados Unidos atuaram contra a sua reeleição. Voltou ainda a afirmar que “o Brasil não é quintal de ninguém”. (Com informações de Jussara Soares e Danilo Moliterno, da CNN Brasil , Max Saltman, Alayna Treene, Kevin Liptak, Julia Vargas Jones, Jennifer Hansler, da CNN e da Reuters )