Oposição de Israel promete trocar o premiê Benjamin Netanyahu

Por Correio Braziliense — Mundo · Categoria: Internacional ·

Pesquisas de boca de urna apontam ligeira vantagem do bloco comandado por Gadi Eisenkot sobre a coalizão de partidos aliados do premiê, nas eleições parlamentares. Vitória é insuficiente para maioria na Knesset. Formação de governo exigirá costuras políticas

Quem será o próximo homem a comandar Israel? Fechadas as urnas, depois de uma das eleições legislativas mais polarizadas dos últimos tempos e com o maior comparecimento às urnas desde 1999, a formação do novo governo dependerá de alianças políticas. O ex-comandante militar Gadi Eisenkot, 66 anos, tentou capitalizar as projeções de boca de urna e sugeriu a troca do primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu. "Os resultados preliminares da votação apontam para uma total desconfiança em Netanyahu e na gestão do (massacre de) 7 de outubro, por parte da maioria sionista e da maior parte dos cidadãos israelenses", declarou o opositor. "Se estes forem os resultados finais, esta será uma vitória da maioria estatista sionista de Israel. Agirei imediatamente para concretizar a decisão do povo: substituir o governo Netanyahu e estabelecer, o mais breve possível, um governo sionista de mobilização", acrescentou. Israel vai às urnas, e legado do 7 de outubro pode definir se Netanyahu terá seu sétimo mandato As urnas em Israel e EUA pautam a guerra contra o Irã Mais tarde, Eisenkot fez um discurso em Tel Aviv e tornou a demonstrar otimismo. "Eu estou diante de vocês, animado. Hoje, o povo de Israel saiu às urnas para decidir a liderança que governará Israel pelos próximos anos. Nesta noite, tivemos a resposta. O povo votou pela mudança", acrescentou, antes de alertar que é preciso aguardar os resultados. Ele advertiu Netanyahu a não utilizar a segurança de Israel para fins eleitorais. Existe o temor de que os militares israelenses voltem a bombardear o Irã, na tentativa de estimular apoio de forças políticas a Netanyahu. Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar, e sua esposa, Hannah, votam na cidade de Herzliya (foto: Jack Guez/AFP) O papel dos partidos árabes na composição do bloco de maioria na Knesset (Parlamento) será essencial. O Ra'am (Lista Árabe Unida, de orientação islâmica moderada), liderada por Mansur Abbas, deverá conquistar sete assentos, enquanto a Lista Unificada (extrema esquerda) teria entre 10 ou 11 assentos. Nem o bloco de Netanyahu, nem os aliados de Eisenkot conseguiram assentos suficientes para garantir a maioria na Knesset (Parlamento), segundo as pesquisas de boca de urna. As sondagens das emissoras de televisão israelenses 11, 12 e 13 indicaram que o chamado "bloco da mudança", do ex-comandante militar Eisenkot (centro), obteve entre 52 e 53 das 120 cadeiras da Knesset, enquanto a coalizão governista de Netanyahu ficaria com 50 — portanto, distantes da maioria absoluta de 51 assentos. Dos 7,3 milhões de israelenses, mais de 5,6 milhões foram às urnas — um índice histórico de 77,7%. As eleições representam um golpe para o primeiro-ministro, que possui atualmente 68 cadeiras na Knesset. Os resultados finais somente deverão ser divulgados nesta quinta-feira (29/10), de acordo com a rede de tevê CNN. Segundo o Canal 12, Abbas sinalizou que estabelecerá contato tanto com a oposição quanto com o governo, a fim de tentar negociar a formação do governo. "Todos estão conversando conosco, não apenas o 'bloco da mudança'", declarou o líder do Ra'am, ao sugerir que aliados de Netanyahu também o procuraram para tentar chegar a um consenso. As eleições parlamentares ocorreram à sombra da pressão de Netanyahu sobre as Forças de Defesa de Israel (IDF) por novos ataques ao Irã e foram as primeiras desde o massacre de 7 de outubro de 2023, cometido pelo movimento fundamentalista palestino Hamas. Netanyahu descartou, de forma explícita, qualquer possibilidade de formar um governo com os partidos árabes. Eisenkot, por sua vez, foi mais comedido e disse que esses partidos "não cumprem com os requisitos para a liderança política", o que inclui o reconhecimento de Israel como um Estado judaico e o grupo fundamenalista palestino Hamas como uma organização terrorista que precisa ser desmantelada. Netanyahu recebeu críticas e acusações de que não teria feito o bastante para impedir o massacre de 7 de outubro no sul de Israel. Militantes do Hamas invadiram a região, assassinaram mais de mil judeus e deixaram um trauma profundo no país. Instabilidade à vista Dahlia Scheindlin, analista política e colunista do jornal Haaretz , explicou ao Correio que a próxima Knesset contará com mais cadeiras para partidos árabes do que nunca, apesar de a direita manter o domínio do Parlamento. "Por outro lado, o bloco de Netanyahu parece não ter garantida uma maioria. A oposição sionista está apenas ligeiramente à frente de Netanyahu, e a contagem final dos resultados pode alterar esse cenário (a diferença pode aumentar ou diminuir). Portanto, ainda há muitas incertezas para as próximas 48 horas; é possível que enfrentemos mais instabilidade política, a menos que a oposição decida incluir um partido árabe na coalizão", advertiu. Yousef Jabareen (C), líder da Lista Conjunta, comemora resultado histórico para a aliança de partidos árabes, na cidade de Nazaré (norte) (foto: Ahmad Gharabli/AFP) Ainda segundo Scheindlin, Netanyahu está "desesperado" para permanecer no poder. "Essa é toda a história. O público viu nesta eleição a mais importante da história de Israel. Os cidadãos árabes pensavam assim ainda mais do que os demais e votaram em uma proporção sem precedentes", comentou. Nas redes sociais, vídeos e fotografias mostravam árabes-israelenses usando inclusive camelos para chegar aos locais de votação. Até o fechamento desta edição, o premiê não tinha se pronunciado sobre as estimativas das emissoras de televisão. Uma hora antes do fechamento das urnas, ele fez um apelo aos eleitores em seu perfil na rede social X: "Chamem o vovô e a vovó, o tio e a tia. Estamos em guerra pelo nosso lar! Saiam agora e votem!". Em outras publicações, Netanyahu pediu que a população "salvasse" o país e "corresse" para votar, e não desse as "chaves" de Israel. Judeus ultraortodoxos caminham do lado de fora de seção eleitoral em Bet Shemesh, no centro do país (foto: Ilia Yefimovich/AFP) Denúncias As eleições também foram marcadas por denúncias, feitas por Netanyahu, de tentativas de roubo. De acordo com o chefe de governo, "três funcionários de alto escalão" do Ra'am "estão tentando roubar as eleições", depois que foram detidos com envelopes carregados de cédulas, no sul do país. As autoridades eleitorais minimizaram o incidente e esclareceram que as pessoas foram detidas perto de suas residências e "ainda não tinham chegado aos centros de votação". O caso, tratado como "isolado", está sob investigação. O Partido Likud, de Netanyahu, chegou a solicitar à Comissão Eleitoral que prorrogasse o fechamento das urnas, ocorrido às 22h (17h em Brasília). No entanto, o pedido foi rejeitado. O QUE DIZ A BOCA DE URNA Veja os números das principais sondagens de boca de urna em Israel CANAL 11 Bloco da oposição (de Eisenkot) - 51 cadeiras Bloco de Netanyahu - 51 cadeiras Partidos árabes - 18 cadeiras CANAL 12 Bloco da oposição (de Eisenkot) - 50 cadeiras Bloco de Netanyahu - 52 cadeiras Partidos árabes - 18 cadeiras CANAL 13 Bloco da oposição (de Eisenkot) - 51 cadeiras Bloco de Netanyahu - 51 cadeiras Partidos árabes - 19 cadeiras CANAL 14 Bloco da oposição (de Eisenkot) - 43 cadeiras Bloco de Netanyahu - 60 cadeiras Partidos árabes - 17 cadeiras CANAL 15 Bloco da oposição (de Eisenkot) - 49 cadeiras Bloco de Netanyahu - 55 cadeiras Partidos árabes - 16 cadeiras Saiba Mais Mundo Flávio Bolsonaro vai para os EUA após derrota nas eleições: o que acontece agora? Cidades DF Homem é preso por violência doméstica contra mulher com deficiência intelectual Mariana Morais Atriz Lygia Pardellas integra elenco de 'Falsianne', comédia com Thalita Rebouças e Luisa Perissé