O impacto estendido da Copa do Mundo Feminina
A expectativa é que a Copa do Mundo Feminina de 2027 movimente R$ 8,8 bilhões na economia brasileira e gerar 73,7 mil postos de trabalho diretos e indiretos, segundo estudo da FGV Projetos encomendado pela Embratur. Estamos falando da primeira edição do torneio na América do Sul, com 32 seleções e 6
A expectativa é que a Copa do Mundo Feminina de 2027 movimente R$ 8,8 bilhões na economia brasileira e gerar 73,7 mil postos de trabalho diretos e indiretos, segundo estudo da FGV Projetos encomendado pela Embratur. Estamos falando da primeira edição do torneio na América do Sul, com 32 seleções e 64 partidas em oito cidades brasileiras. Mas, para quem conhece o potencial dos grandes eventos, esses números revelam algo ainda mais interessante: o impacto da competição não ficará restrito aos estádios e terá reflexos no turismo, no consumo, no entretenimento e nas oportunidades de negócios que serão criadas ao redor dela. E os sinais de que estamos diante de um movimento importante já começaram a aparecer. Em agosto, cerca de 750 mil pessoas haviam manifestado interesse em adquirir ingressos para a competição, segundo informações divulgadas pela FIFA. No Brasil, o São Paulo conquistou o Brasileirão Feminino no início de outubro diante de 49.405 torcedores no MorumBIS, recorde de público da competição. Há alguns anos, seria difícil imaginar uma decisão feminina de clubes reunindo tanta gente em um estádio. Hoje, temos uma demonstração concreta de que existe um público interessado, mobilizado e disposto a acompanhar essas histórias. O futebol feminino também chega a 2027 em um momento diferente. As atletas conquistam reconhecimento, os clubes ampliam seus investimentos e as transmissões ajudam a levar a modalidade a novos públicos. A realização do Mundial no Brasil pode acelerar esse movimento e aproximar ainda mais o futebol feminino do cotidiano das pessoas, com oportunidades que vão muito além dos dias de jogo. As marcas já perceberam parte desse potencial. Coca-Cola, Visa e Hyundai estão entre as parceiras comerciais da FIFA, enquanto Lay’s, Rexona e Dove também confirmaram patrocínios relacionados à Copa de 2027. São empresas de diferentes segmentos que começaram a se posicionar antes da competição, reconhecendo que o interesse pelo futebol feminino abre possibilidades de relacionamento com consumidores, torcedores e comunidades. Depois de mais de quatro décadas trabalhando com grandes eventos e experiências, aprendi que o tamanho de um acontecimento não se mede apenas pelo público que entra no estádio ou pela audiência de uma transmissão. Uma Copa do Mundo movimenta hotéis, bares, restaurantes, viagens, encontros e hábitos de consumo, além de criar oportunidades para empresas que muitas vezes nem estão diretamente ligadas ao esporte. No Brasil, onde o futebol tem uma presença tão forte na cultura popular, esse movimento pode ganhar proporções ainda maiores. É justamente por conhecer esse mercado que acredito que muitas empresas ainda estão subestimando o que a Copa Feminina poderá representar. Existe uma tendência de concentrar o planejamento nas propriedades de patrocínio, nas campanhas e nos espaços de exposição durante a competição, quando algumas das oportunidades mais interessantes podem estar no que será construído antes dela. Ao longo da minha trajetória, vi grandes projetos nascerem de uma boa leitura do comportamento das pessoas e também acompanhei iniciativas que, apesar de investimentos expressivos, tiveram pouco resultado além da exposição da marca. O que costuma fazer diferença é entender o que leva alguém a participar de uma experiência, o que desperta seu interesse e de que maneira uma empresa pode fazer parte daquele momento sem atrapalhar aquilo que o público foi viver. Na Copa Feminina, existem muitos caminhos possíveis. Uma marca pode desenvolver projetos com atletas, apoiar clubes, criar experiências para torcedores, aproximar futebol de música, moda, gastronomia e entretenimento ou investir em iniciativas que contribuam para ampliar a presença da modalidade no país. E há uma vantagem importante em começar agora: construir relações que façam sentido para as pessoas e que possam continuar depois que a taça for entregue. Também considero um erro imaginar que basta repetir o que funcionou nas Copas masculinas. O futebol feminino tem suas próprias histórias, personagens e públicos, além de uma trajetória de crescimento que precisa ser compreendida. As empresas que tiverem curiosidade para conhecer esse universo poderão encontrar oportunidades muito mais interessantes do que simplesmente adaptar campanhas já utilizadas em outros campeonatos. O Brasil tem uma característica que conheço bem: sabemos transformar grandes acontecimentos em experiências coletivas. O Carnaval, os festivais de música e as próprias Copas do Mundo mostram como um evento pode ultrapassar sua programação oficial e ocupar a rotina das pessoas. Quando isso acontece, o impacto se espalha por diferentes setores da economia e cria possibilidades de negócios que nem sempre estavam previstas no planejamento inicial. Por isso, acredito que 2027 já deveria estar na agenda de qualquer empresa interessada em participar desse movimento. Quando a bola começar a rolar, haverá uma concentração enorme de campanhas, patrocínios, conteúdos e ações disputando a atenção do público. Quem começar a construir uma relação antes terá mais tempo para entender os torcedores, desenvolver boas ideias e encontrar um lugar relevante nessa história. A movimentação dos patrocinadores, o interesse antecipado pelos ingressos e a presença de quase 50 mil pessoas em uma final do Brasileirão Feminino mostram que essa Copa já começou a mobilizar o país. E, quando esse movimento encontrar a força que o Brasil tem de transformar futebol em cultura, entretenimento e encontro, acredito que veremos algo maior do que estamos projetando hoje. Quem trabalha com grandes eventos sabe que as melhores oportunidades começam a aparecer muito antes da abertura dos portões. A Copa do Mundo Feminina é uma delas, e quem esperar 2027 para perceber isso provavelmente terá chegado tarde. O post O impacto estendido da Copa do Mundo Feminina apareceu primeiro em Meio e Mensagem - Marketing, Mídia e Comunicação .