EUA proíbem carros da BYD em sua maior base aérea fora do país, no Japão

Por Estadão · Categoria: Geral ·

As Forças Armadas dos Estados Unidos proibiram a entrada de veículos da montadora chinesa BYD na base aérea de Kadena, na ilha de Okinawa, no Japão. A decisão entrou em vigor nesta semana e foi justificada por possíveis riscos à segurança dos militares e das operações estadunidense. A restrição vale

As Forças Armadas dos Estados Unidos proibiram a entrada de veículos da montadora chinesa BYD na base aérea de Kadena, na ilha de Okinawa, no Japão. A decisão entrou em vigor nesta semana e foi justificada por possíveis riscos à segurança dos militares e das operações estadunidense. A restrição vale para todos os veículos da marca, independentemente do tipo ou da finalidade: carros particulares de militares e funcionários, veículos de empresas contratadas, táxis, entregas e veículos comerciais. Segundo a imprensa sul-coreana, que noticiou a medida primeiro, a base afirmou que não haverá exceções. Kadena fica no arquipélago de Okinawa, perto do Mar da China Oriental, numa das regiões com maior concentração de forças militares norte-americanas na Ásia. Segundo a agência Reuters, a porta-voz da base, tenente-coronel Alli Stormer, afirmou que os veículos representam um risco “inaceitável e impossível de mitigar” para os militares e suas operações. Ela não detalhou quais características dos carros motivaram a decisão nem apresentou evidências de alguma vulnerabilidade específica. Preocupação seria com câmeras e sensores A base não explicou o motivo exato da proibição. Segundo a imprensa sul-coreana, a medida busca evitar que câmeras e sensores instalados nos carros captem e transmitam informações sobre as operações militares, os aviões, os radares e as munições mantidos em Kadena. Não há, porém, nenhuma evidência pública de que veículos da BYD tenham coletado ou enviado dados de bases militares estadunidense. A proibição tem caráter preventivo. BYD já havia sido incluída em lista do Pentágono A medida ocorre quatro meses depois de o Departamento de Defesa dos EUA incluir a BYD numa lista de empresas que, segundo o governo estadunidense, apoiam as Forças Armadas chinesas. A relação, divulgada em junho, também inclui Alibaba, Baidu e a fabricante de elétricos NIO. Na ocasião, a BYD rejeitou a classificação e informou que buscaria medidas administrativas e judiciais para defender seus interesses. A inclusão na lista não significa, por si só, que os veículos da fabricante tenham sido usados para espionagem ou tenham falhas de segurança comprovadas. China também restringiu carros da Tesla A preocupação com a segurança de veículos conectados não é exclusiva dos EUA. Em 2021, o governo chinês restringiu a entrada de carros da Tesla em algumas instalações governamentais, alegando preocupação com as câmeras dos veículos. A restrição foi retirada em 2024, depois que a fabricante norte-americana recebeu avaliação favorável da principal associação da indústria automotiva chinesa quanto às exigências locais de segurança de dados. O episódio mostra que carros equipados com câmeras, sensores e sistemas de comunicação passaram a fazer parte das discussões sobre proteção de dados em instalações estratégicas. Proibição acontece durante expansão internacional da BYD A medida chega num momento de expansão da fabricante chinesa fora de seu mercado doméstico. Em 2025, a BYD ultrapassou a Tesla e se tornou a maior vendedora mundial de veículos totalmente elétricos. A empresa também tenta crescer no Japão, mercado historicamente dominado por fabricantes locais como Toyota, Honda e Nissan. Em julho de 2026, lançou no país o Racco, um minicarro elétrico para disputar o segmento de compactos. Segundo a Reuters, não há informações sobre medidas semelhantes em outras bases estadunidense nem sobre restrições aos carros da BYD no mercado civil japonês. A imprensa sul-coreana, porém, relata que, dentro das forças norte-americanas, já se especula que a proibição possa ser estendida a outras instalações, como a base de Futenma, também em Okinawa, e a bases dos EUA na Coreia do Sul.