“Supercomputador Soberano”: UFMG lança equipamentos de alto desempenho com uso de IA aplicada à cartografia

Por CNN Brasil · Categoria: Nacional ·

Tecnologias prometem aplicação no combate ao desmatamento, monitoramento ambiental, na criação de respostas a inundações e deslizamentos, vigilância de fronteiras e planejamento estratégico militar do país

A UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) inaugurou , nesta terça-feira (27) dois equipamentos de alta tecnologia voltados para inovação no campo da cartografia. Eles são o “supercomputador Soberano” , instalado no IGC (Instituto de Geociências), e a Câmera Hiperespectral Hyper-cam Mini XLW , alocada na Escola de Engenharia. As tecnologias prometem ser aplicadas diretamente no combate ao desmatamento e à mineração ilegal , no monitoramento ambiental, na criação de respostas a inundações e deslizamentos, além da vigilância de fronteiras e do planejamento estratégico militar do país. Leia Mais Vídeo: sucuri-amarela é flagrada enrolando corpo em jacaré dentro de lago no Pantanal de Mato Grosso do Sul Cientistas encontram exoplaneta de lava com "protetor solar" natural, que reflete até 75% da luz de sua estrela Misteriosos orbes azuis teriam atravessado o corpo de uma mulher em Utah e causado graves sequelas, mostram documentos divulgados pelo Pentágono A aquisição foi realizada no âmbito da chamada “Centros Temáticos da Finep” de 2023, integrada ao projeto GeoIDE (Extração de geoinformação com o uso de inteligência artificial para aplicações duais: defesa e ambiente). A UFMG atua como instituição executora , em parceria com o IME (Instituto Militar de Engenharia) e a DSG (Direção Geral dos Serviços Geográficos) do Exército Brasileiro. Gargalo nacional Segundo a universidade, apenas 8% dos 8,5 milhões de quilômetros quadrados do território brasileiro possuem mapeamento na escala 1:25.000. De acordo com a UFMG, a proporção reduzida representa um desafio para o país , já que a escala é utilizada para o planejamento municipal, a gestão de bacias hidrográficas, a prevenção de desastres naturais, a implementação do Código Florestal e a segurança da infraestrutura nacional. “Cobrir o país com cartografia tradicional levaria décadas, então precisamos mudar a forma de fazer. A geoinformação é estratégica para o país porque diz respeito às nossas fronteiras e aos nossos recursos naturais. Hoje, entramos na liderança tecnológica da modelagem ambiental”, afirmou a professora Sônia Carvalho, do Departamento de Cartografia do IGC e coordenadora do GeoIDE. O projeto usa inteligência artificial para automatizar a extração de dados geográficos a partir de imagens obtidas por satélites, radares, drones e sensores hiperespectrais, acelerando a produção de cartas detalhadas em todos os biomas do país. “Soberano”, o supercomputador brasileiro O supercomputador “Soberano” foi totalmente projetado, instalado e configurado por equipes brasileiras. A arquitetura do processamento com algumas especificidades. Uma delas é a aceleração para Inteligência Artificial. No equipamento, há um servidor equipado com oito aceleradores NVIDIA H200 (com 141 GB de memória cada), mesma geração tecnológica utilizada globalmente para o treinamento de grandes modelos de inteligência artificial. Além disso, conta com 10 nós de processamento , somando 256 núcleos e 768 GB de memória por nó. Tem também armazenamento paralelo de cerca de 400 terabytes (TB) e rede interna de alta velocidade com transferência de 100 gigabits por segundo (Gbps). A escolha do nome “Soberano” faz alusão ao esforço de garantir a autonomia tecnológica do Brasil, mantendo o conhecimento geográfico sob domínio de instituições públicas nacionais. Câmera hiperespectral: tecnologia rara no cenário global Complementando a infraestrutura de dados, a Câmera Hiperespectral Hyper-cam Mini XLW, desenvolvida em 2024, opera no espectro de infravermelho longo. O equipamento captura e processa dados em centenas de bandas de comprimento de ondas estreitas e contíguas, gerando fatias de cubos de imagens de alta precisão. Existem apenas três exemplares dessa câmera em funcionamento no mundo. O dispositivo fica alocado no CEMTEC (Centro Multiusuário de Termografia Científica) da Escola de Engenharia da UFMG. Salto na gestão pública e defesa territorial De acordo com a universidade, a integração de modelos de IA à geoinformação é considerada por especilaistas o terceiro grande marco da evolução cartográfica no país. “Há 100 anos, o serviço geográfico estava inovando o mapeamento por meio da fotogrametria aérea, com aviões sendo vetores de transformação do mapeamento. Há 50, passamos por outra transformação, que foi a cartografia espacial, com os satélites fornecendo conjuntos grandes de dados. Agora estamos na transformação da IA, que está revolucionando os processos”, destacou o coronel Ivanildo Barbosa, professor da Seção de Ensino de Engenharia Cartográfica do IME. Por se tratar de um ativo estratégico, a geoinformação gerada deve servir simultaneamente para orientar políticas públicas municipais, estaduais e federais , combater crimes ambientais e dar suporte a operaçõesde segurança e resposta a tragédias climáticas.