Governo precisará remanejar R$ 20 bi para bancar promessas
Ajuste no Orçamento visa cobrir gastos com reajuste do Bolsa Família, perdão a MEIs e nova fase do Desenrola.
O governo federal precisará remanejar ao menos R$ 20 bilhões do Orçamento de 2027 para viabilizar medidas e promessas anunciadas durante o período de campanha eleitoral. O apontamento inicial partiu do Ministério do Planejamento e Orçamento após a confirmação do resultado das urnas que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre as principais ações prometidas está o reajuste do programa Bolsa Família, com impacto orçamentário estimado em mais de R$ 22 bilhões. O pacote de propostas inclui também o perdão de dívidas para microempreendedores individuais (MEIs), orçado em R$ 18,7 bilhões, e a continuidade do Desenrola 3.0, com previsão de R$ 5 bilhões. Desafios no arcabouço fiscal A reorganização orçamentária impõe desafios à equipe econômica devido ao peso das despesas obrigatórias, que já comprometem cerca de 90% dos recursos da União. Embora o governo afirme que parte dos valores virá de remanejamentos de áreas da administração federal, ainda não houve detalhamento oficial sobre quais pastas e programas terão cortes de verbas. Para manter as contas públicas alinhadas às metas do arcabouço fiscal em meio ao crescimento das despesas acima da arrecadação, o governo federal avalia a aplicação de contingenciamentos e bloqueios orçamentários. De acordo com análises econômicas, o montante necessário para cobrir o conjunto de despesas extras pode chegar a R$ 35 bilhões, atingindo dotações de ministérios com grandes volumes de recursos, como Saúde, Educação, Cidades e Desenvolvimento. A falta de equilíbrio entre o aumento de gastos e o planejamento orçamentário traz preocupações quanto aos impactos no poder de compra da população, com risco de pressões sobre a inflação e a manutenção de juros elevados, em um cenário de alto endividamento das famílias e empresas.