Mulheres ampliam presença na política do Amazonas a partir de 2027
Em muitas instâncias políticas, a participação feminina ainda padece de uma alternância: ora as mulheres estão presentes, ora a presença masculina é absoluta.
A presença da mulher em cargos públicos eletivos na política ainda não tem um espaço consolidado assegurado no Amazonas. Em muitas instâncias políticas, a participação feminina ainda padece de uma alternância: ora as mulheres estão presentes, ora a presença masculina é absoluta. A eleição da deputada estadual Alessandra Campelo (PSD) como vice-governadora do Amazonas, por exemplo, é inédita. Alessandra rompe uma barreira e entra para a história como a primeira mulher eleita para o cargo no Estado. “Ser a primeira mulher eleita vice-governadora do Amazonas é uma honra e uma responsabilidade que assumo com muita dedicação”, declarou Alessandra Campelo, ao agradecer a Deus, ao povo do Amazonas e ao governador eleito Omar Aziz. A vice-governadora eleita disse ainda que ser a primeira significa que os caminhos estão abertos para as próximas. “Eu fico honrada, feliz e sinto que esse espaço como vice-governadora é uma forma também de abrir caminhos para outras que virão. No meu primeiro mandato eu fui a única deputada eleita, única mulher eleita em 2014, assumi em 2015 e eu sempre trabalhei na casa pra abrir as portas para outras mulheres e isso deu certo, tem dado certo”, afirmou. Falando aos jovens, Alessandra Campelo aconselhou a não desistir. Disse que medo e insegurança fazem parte, mas não podem ser maiores que a coragem. A vice-governadora eleita contou que sempre transformou sua coragem em algo maior que seu medo e foi isso que a fez chegar onde chegou. “E não chego ao governo sozinha. Chego representando mulheres ribeirinhas, indígenas mulheres negras, mães solo, mães atípicas, mulheres que precisam de uma mão amiga do Estado e, ao lado do Omar, eu quero ser essa mão amiga para ajudar as mulheres” Alessandra Campelo NO SENADO Já no Congresso Nacional a presença feminina nas bancadas do Amazonas na Câmara dos Deputados e no Senado desde 2019 é inexistente. Vai voltar a ser realidade em 2027, com a eleição da deputada estadual Joana Darc (União) para a Câmara dos Deputados e a chegada de Cheila Moreira, primeira suplente do governador eleito Omar Aziz (PSD), ao Senado. Paradoxalmente, o Amazonas foi o responsável pela primeira senadora do Brasil, Eunice Michiles, que era suplente do senador João Bosco e assumiu em 1979, por ocasião do falecimento do titular do mandato. A primeira senadora do Brasil defendeu pautas referentes aos direitos das mulheres (fim da anulação do casamento por virgindade, por exemplo) e a preservação do meio ambiente. Além de Eunice Michiles, o Amazonas teve mais duas senadores mulheres: Vanessa Grazziotin, que foi eleita pelo voto popular para um mandato entre 2011 e 2019; e Sandra Braga, que era primeira suplente de seu marido, Eduardo Braga, e assumiu o cargo temporariamente entre 2015 e 2016, quando o marido se afastou para ser ministro das Minas e Energias. O Senado Federal vai voltar a ter uma mulher na bancada do Amazonas a partir de 2027. Primeira suplente de Omar Aziz, Cheila Moreira (PT), ex-vereadora de Itacoatiara, vai assumir o mandato, fazendo companhia a Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB). Cheila é pedagoga, ex-vereadora de Itacoatiara, e afirmou que além de defender ideias próprias, vai dar continuidade aos projetos defendidos por Omar Aziz. “Será uma grande honra ocupar uma cadeira no Senado Federal. Lá é o centro das grandes discussões e legislações que impactam na vida dos brasileiros. Trabalharei incansavelmente para levar adiante os projetos que o senador Omar tem defendido brilhantemente, mas também procurarei dar minha marca pessoal ao mandato” Cheila Moreira NA CÂMARA Também desde 2019, o Amazonas vai ter novamente uma deputada federal em sua bancada. A eleição da deputada Joana Darc volta a colocar uma mulher pelo Estado na Câmara dos Deputados. “É uma honra muito grande e uma responsabilidade que carrego com muito orgulho. Sei que essa conquista representa não apenas a minha trajetória, mas também a de tantas mulheres amazonenses que sonham em ocupar espaços de decisão”, afirma a deputada federal eleita. Joana Darc afirma que tem muito orgulho de representar tantas mulheres que sonham em ocupar esses espaços. “Quero honrar cada voto de confiança e mostrar que lugar de mulher é onde ela quiser. A partir de 2027, levarei a voz das mulheres amazonenses para Brasília, trabalhando para que sejamos cada vez mais representadas nas decisões que transformam a vida da nossa população” Joana Darc Prestes a ser empossada como deputada federal, Joana Darc acredita que a presença feminina na bancada amazonense muda a representatividade e a forma como determinadas pautas ganham voz e prioridade. “As mulheres conhecem de perto muitos dos desafios enfrentados pelas famílias, pelas mães, mães atípicas como eu, que tenho um filho com síndrome de Down, e por quem luto diariamente por oportunidades e dignidade”, declarou. A deputada promete que vai ser uma voz ativa na bancada, mostrando que as mulheres têm capacidade, preparo e compromisso para participar das grandes decisões. “E que isso sirva de exemplo para que mais mulheres possam ocupar esse espaço de poder e decisão na política amazonense e nacional”, pontuou. Joana Darc disse que vai trabalhar para trazer recursos, buscar investimentos e defender as necessidades do Amazonas. “As pautas das mulheres serão, sim, uma prioridade, assim como a inclusão das pessoas com deficiência e a proteção animal, que são bandeiras da minha história”, afirmou. A deputada quero levar para Brasília a experiência do trabalho que realizou no Amazonas, fortalecendo políticas públicas e buscando recursos para ampliar a segurança das mulheres. Ela citou iniciativas como o Hospital Público Veterinário e os Castramóveis, principalmente fluviais. “Minha missão é representar quem precisa de voz e fazer a diferença na vida das pessoas e dos animais”, destacou Marília Freire – PRESIDENTE DO FÓRUM DE MULHERES DO AM “Eu acredito que a lei que determina que 30% das candidaturas em todos os partidos sejam de mulheres está se demonstrando insuficiente para ampliar a participação feminina nos cargos eletivos, nos espaços de poder de decisão, por alguns motivos. Primeiro, dizer que a gente não está falando da ocupação de qualquer mulher, mas de mulheres que estejam comprometidas com as pautas da autonomia, da independência e da liberdade feminina. E segundo, que essa lei já passou por sete, se não me engano, processos de anistia de partidos que descumpriram ou fraudaram a cota de gênero. Então, ela está como uma lei morta. Os partidos já sabem que podem colocar candidaturas laranjas porque podem, eles mesmos, se auto-anistiar dentro do Congresso Nacional. Qual é o sentido de existir dessa legislação? Então, acredito que garantir reserva de assento de vaga para as mulheres talvez seja um mecanismo legislativo mais efetivo. Então destinar metade das vagas, por exemplo, poderia ampliar mais rapidamente a participação feminina nesses espaços de poder e de decisão. Estudos têm demonstrado que, por essa legislação em vigor, nós vamos levar cerca de 64 anos para efetivamente ocupar mais espaços de poder de decisão, e nós não temos esse tempo. Nós precisamos ocupar agora”. Eleição de Omar ampliou espaço A eleição do senador Omar Aziz ao governo do Amazonas é responsável pela inserção de duas mulheres em cargos políticos no Amazonas: Alessandra Campelo, a vice-governadora, e Cheila Moreira, a suplente que vai assumir sua cadeira no Senado. “Me honra muito ter a Cheila como minha suplente. Uma mulher professora, guerreira, mãe e indígena. É a primeira vez também que você vai ter uma mulher no Senado que é verdadeiramente do nosso povo originário. E não tenha dúvida nenhuma que ela está preparadíssima pra me substituir. Eu até acho que vai fazer um bom trabalho, melhor do que eu”, assegurou. Omar também não poupou elogios à vice-governadora eleita em sua chapa. “A Alessandra é uma pessoa muito experiente, já foi minha secretária de esporte, também foi subsecretária no meu governo, na área de produção rural e ela será aproveitada muito bem dentro do governo, até pela experiência, pela luta dela em proteção às mulheres. “ experiência que ela tem vai me ajudar bastante nisso”, pontuou.