Por que a pele arrepia contra a nossa vontade? Entenda o reflexo ancestral que explica a reação

Por CNN Brasil · Categoria: Nacional ·

Fenômeno conhecido como piloereção é impulsionado pelo sistema nervoso simpático e está ligado a adaptações evolutivas, oscilações de temperatura e emoções intensas

Diante de uma queda brusca de temperatura, de uma situação de medo ou da audição de uma música marcante, o organismo pode reagir de forma automática: os pelos se erguem e pequenas saliências surgem na pele. Denominado cientificamente como piloereção , esse fenômeno involuntário é intermediado pelo sistema nervoso e possui origens evolutivas associadas à sobrevivência. A reação ocorre quando pequenos músculos situados junto aos folículos pilosos se contraem. Essa ação é coordenada pela atividade dos nervos simpáticos , responsáveis por reger diversas respostas automáticas do corpo. Em animais com pelagem espessa e em nossos ancestrais, erguer os pelos permitia criar uma camada de ar isolante junto ao corpo, reduzindo a perda de calor. Nos seres humanos, que possuem uma quantidade menor de pelos, a eficácia desse isolamento térmico é limitada, contudo o reflexo permanece ativo no organismo. Leia Mais Cachorro dando "chutinhos" quando recebe carinho? Movimento pode não indicar prazer; veja o alerta de uma veterinária Pescoço, axilas ou pés? Estudo sobre cócegas revela que reação do corpo é igual em diferentes culturas Por que os cachorros inclinam a cabeça quando ouvem certas palavras? Veja o que pode estar por trás do gesto Pesquisadores do National Institutes of Health (NIH), nos Estados Unidos, investigaram a relação entre os nervos simpáticos , a musculatura dos folículos e a regulação de células-tronco em estudos com camundongos. A observação ajuda a compreender a biologia folicular, embora o ato de arrepiar a pele não funcione como estímulo comprovado para o crescimento de cabelo em humanos . Gatilhos emocionais e variação individual O frio não representa o único fator desencadeador da piloereção. Estímulos emocionais — como vivenciar momentos de surpresa, medo ou ouvir uma composição musical emocionante — ativam mecanismos cerebrais e autonômicos. De acordo com a publicação científica BrainFacts , associada à Society for Neuroscience , a forma como um estímulo emocional é percebido varia entre os indivíduos. Essa particularidade explica por que uma mesma música pode provocar arrepios em uma pessoa e não gerar nenhuma reação em outra. Quando o arrepio exige atenção médica Na maioria dos cenários, os arrepios passageiros são respostas fisiológicas comuns e inofensivas. A piloereção isolada não serve como indicador de doenças nem determina o estado emocional de um indivíduo. Entretanto, se os arrepios surgirem de maneira frequente e sem causa aparente, acompanhados de calafrios persistentes, febre ou mal-estar , a orientação é buscar uma avaliação com profissionais de saúde. *Publicado por Beto Souza da CNN Brasil