Santander Brasil supera em lucro, mas receitas e inadimplência seguem no radar
O Santander Brasil (SANB11) entregou um balanço misto no terceiro trimestre de 2026, superando parte das estimativas graças ao controle de despesas e a provisões menores que o esperado, mas mantendo sinais de fragilidade em linhas consideradas centrais para a recuperação de rentabilidade do banco. A
Logotipo do banco Santander em ilustração – 12/03/2023 (Foto: REUTERS/Dado Ruvic) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2024/04/Captura-de-tela-2024-04-30-095140.png?fit=1096%2C673&quality=70&strip=all" /> O Santander Brasil ( SANB11 ) entregou um balanço misto no terceiro trimestre de 2026, superando parte das estimativas graças ao controle de despesas e a provisões menores que o esperado, mas mantendo sinais de fragilidade em linhas consideradas centrais para a recuperação de rentabilidade do banco. A leitura predominante entre os analistas é que o ambiente macroeconômico mais desafiador continua limitando o crescimento do crédito, comprimindo margens e elevando preocupações com a qualidade dos ativos. O banco reportou lucro líquido gerencial recorrente de R$ 2,9 bilhões, com retorno sobre patrimônio (ROE) de cerca de 12%, abaixo dos níveis históricos e distante dos principais concorrentes privados. O resultado veio acima das projeções do Bradesco BBI, mas abaixo das expectativas do mercado, enquanto o JPMorgan classificou o trimestre como fraco, citando receitas decepcionantes, provisões elevadas e deterioração do capital. Apesar do avanço trimestral do lucro na comparação do BBI, as duas casas destacam que a melhora foi sustentada principalmente por fatores ligados à eficiência operacional, enquanto as receitas seguem pressionadas. As despesas operacionais caíram 3% em relação ao trimestre anterior, ajudando o índice de eficiência a melhorar para 38,8%, um dos principais pontos positivos do balanço. Crescimento do crédito perde força A expansão da carteira continuou modesta. A carteira ampliada cresceu apenas 0,9% na comparação trimestral e 4,7% em 12 meses, ritmo considerado insuficiente para impulsionar o crescimento das receitas. Parte da desaceleração ocorreu devido à venda de uma carteira de financiamento de veículos de R$ 5 bilhões para um FIDC, mas mesmo desconsiderando esse efeito os analistas enxergam uma demanda por crédito mais fraca. Leia também Ibovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta quarta Índices futuros dos EUA operam mistos em dia de decisão do Fed O crescimento ficou concentrado em grandes empresas, cuja carteira avançou cerca de 8% em um ano, enquanto o segmento de pessoa física continuou encolhendo. Para o Itaú BBA, essa mudança de mix ajuda a explicar a compressão das margens, já que operações corporativas costumam gerar spreads menores. O spread com clientes caiu para 9,7%, ante 10,03% no trimestre anterior. As receitas também sofreram com o desempenho da tesouraria. A margem financeira total recuou na comparação trimestral e anual, com a perda na margem de mercado aumentando para R$ 895 milhões no trimestre. Segundo o JPMorgan, a queda da Selic, o aumento dos diferimentos de comissões pagas a correspondentes bancários e o impacto da venda da carteira de veículos pressionaram o resultado financeiro. Qualidade dos ativos divide avaliações A qualidade da carteira trouxe sinais mistos. Por um lado, a inadimplência de curto prazo, entre 15 e 90 dias, melhorou, especialmente entre pequenas e médias empresas. Por outro, a inadimplência acima de 90 dias subiu para 3,4%, puxada principalmente pelo segmento de pessoas físicas, onde o indicador avançou 40 pontos-base em relação ao trimestre anterior. O Bradesco BBI destacou a melhora observada entre pequenas e médias empresas como uma surpresa positiva do trimestre. Já o JPMorgan avalia que a evolução dos indicadores ainda aponta para um ambiente de crédito difícil, especialmente em um contexto de endividamento elevado das famílias e juros altos. Embora as despesas com provisões tenham recuado 2,5% na comparação trimestral, os analistas observam que parte da melhora decorreu de efeitos extraordinários relacionados à venda de carteiras e reversões contábeis. Excluindo esses fatores, o custo de crédito teria permanecido praticamente estável. Capital também preocupa Outro ponto monitorado pelo mercado continua sendo o capital regulatório. O índice CET1 caiu 30 pontos-base no trimestre, para 10,9%, pressionado pelo crescimento dos ativos ponderados pelo risco, distribuições de capital e aumento dos créditos tributários. Para o JPMorgan, a trajetória do capital segue entre os temas mais sensíveis da tese de investimento do banco. Diante desse cenário, tanto o Itaú BBA quanto o Bradesco BBI mantêm recomendação neutra para SANB11 , com preços-alvo de R$ 29 e R$ 27, respectivamente. A avaliação comum é que, apesar dos avanços em eficiência e da disciplina de custos, a combinação de crescimento fraco, pressão sobre margens e incertezas na qualidade dos ativos dificulta uma recuperação mais robusta da rentabilidade do Santander nos próximos trimestres. The post Santander Brasil supera em lucro, mas receitas e inadimplência seguem no radar appeared first on InfoMoney .