Arnaldo Garcez apresenta exposição que explora cores, texturas e reflexões sobre a vida
Com 16 obras, a mostra reúne pesquisas sobre cores, texturas e materiais, propondo uma experiência visual que ultrapassa os limites tradicionais da pintura.
As cores também podem despertar sensações, provocar reflexões e abrir caminhos para o diálogo. É a partir dessa perspectiva que o artista plástico Arnaldo Garcez apresenta a exposição “Paladar da Cor”, no dia 28 de outubro, na Galeria Moldura por Minuto, localizada na Rua Belo Horizonte, 320, no bairro Adrianópolis. Com 16 obras, a mostra reúne pesquisas sobre cores, texturas e materiais, propondo uma experiência visual que ultrapassa os limites tradicionais da pintura. Entre os diferenciais está o uso de papel de algodão de origem italiana, conhecido como cotton, combinado a pigmentos minerais e tinta acrílica. A escolha do suporte e dos materiais confere às obras características próprias de textura, brilho e intensidade cromática. Segundo Garcez, a experimentação faz parte de sua busca por novas possibilidades para a pintura. O artista conta que conheceu o material durante sua participação em um salão de arte e decidiu testá-lo ao perceber que poderia desenvolver uma proposta diferente para apresentar ao público de Manaus. “Então, é a primeira vez que você vai ver um trabalho com consistência de tinta, com a gramatura totalmente diferenciada, e não é tela. São pigmentos minerais com tinta acrílica. O resultado é esse: ele fica com a coloração e a textura brilhosa” Arnaldo Garcez Para ele, explorar novos suportes amplia as possibilidades da linguagem artística e demonstra que a pintura não depende exclusivamente da tela. A pesquisa com materiais também se relaciona à proposta conceitual da exposição, que busca estimular uma percepção mais sensível das cores e das experiências humanas. ARTE COMO CAMINHO PARA A HARMONIA Além da investigação estética, “Paladar da Cor” parte de reflexões sobre diversidade, convivência e os conflitos presentes na sociedade. A experiência de Garcez em cidades como Nova York, além de suas passagens pela Itália e por Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, influencia sua leitura sobre as relações humanas e os contextos políticos e culturais. O artista avalia que a arte pode contribuir para uma convivência mais harmônica, especialmente em um cenário marcado por divisões e disputas. Para ele, embora a produção artística também tenha uma dimensão política, sua função não deve se limitar à manifestação de posicionamentos, mas abrir espaço para o pensamento e a construção coletiva. “Como artista, vejo que a arte está sendo muito utilizada como uma questão política, e não com o fundamento da arte. A arte tem um processo político, mas também é um processo de reflexão e construção, com uma base filosófica que nos permita construir uma harmonia. A arte serve para isso, assim como a música e a dança. Esse é o processo conceitual da arte”. Arnaldo Garcez A liberdade é outro elemento central da mostra. Ao falar sobre o significado do título, Garcez associa as cores à vitalidade e ao desejo de despertar sentimentos no público. A intenção é que as obras provoquem uma experiência pessoal e contribuam para uma percepção mais sensível das relações humanas. “Então, o paladar da cor é esse sentimento de liberdade que eu vejo. Nesse trabalho, você vê cores vivas. O que é isso? Eu quero pulsar, eu quero que esse trabalho […] nas pessoas, como se fosse uma forma de contribuição em busca de uma harmonia”, diz. Com uma trajetória artística iniciada em 1977, Garcez se aproxima de cinco décadas de trabalho. A exposição também marca um momento de transição para o artista, que prevê deixar Manaus até o fim do ano e passar mais tempo fora da cidade. Assim, “Paladar da Cor” representa uma oportunidade de apresentar ao público local uma pesquisa recente, construída a partir da experimentação material e da reflexão sobre o papel da arte na sociedade.