Crédito preocupa no Santander: Citi e Itaú BBA apontam riscos após queda no lucro
O Santander Brasil (SANB11) registrou queda de 4% no lucro líquido em relação ao trimestre anterior e de 28% na comparação anual, com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 11,7%. O resultado foi pressionado pelo enfraquecimento das receitas e pela deterioração da qualidade do crédito, segundo
O Santander Brasil (SANB11) registrou queda de 4% no lucro líquido em relação ao trimestre anterior e de 28% na comparação anual, com retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) de 11,7%. O resultado foi pressionado pelo enfraquecimento das receitas e pela deterioração da qualidade do crédito, segundo análises do Citi e do Itaú BBA . Embora concordem sobre as dificuldades enfrentadas pelo banco, as instituições apresentaram avaliações diferentes sobre o desempenho em relação às expectativas. O lucro ficou 2% abaixo da projeção do Citi, enquanto o Itaú BBA considerou o resultado em linha com suas estimativas, que haviam sido recentemente revisadas para baixo. A margem financeira líquida (NII) recuou no trimestre, refletindo a compressão dos ganhos com clientes e o desempenho mais fraco das operações de mercado. Segundo o Itaú BBA, o NII total caiu 2,5%, para R$ 15 bilhões, enquanto a margem com clientes diminuiu 1,3%. O spread (diferença entre o preço de compra e o preço de venda) ao cliente passou de 10,03% para 9,70%, e o prejuízo com operações de mercado aumentou de R$ 718 milhões para R$ 895 milhões. Para o Citi, a margem financeira ficou 4% abaixo do esperado. A qualidade da carteira de crédito permaneceu como um dos principais pontos de preocupação. A inadimplência acima de 90 dias aumentou 0,10 ponto porcentual, para 3,4%, movimento associado, segundo o Itaú BBA, a pessoas físicas de baixa renda e ao agronegócio. Além disso, o banco registrou provisões extraordinárias de aproximadamente R$ 760 milhões relacionadas a casos corporativos. Apesar da piora na inadimplência de longo prazo, os dois bancos identificaram sinais positivos nos indicadores mais recentes. A inadimplência entre 15 e 90 dias recuou 0,10 ponto porcentual, para 3,2%. O Citi destacou ainda a estabilidade na formação de novos créditos inadimplentes, avaliando que esses movimentos podem indicar uma redução gradual das pressões sobre a carteira. As provisões totais diminuíram 2,5% no trimestre e ficaram 3% abaixo da estimativa do Itaú BBA. A instituição ressalvou, porém, que, desconsiderando as vendas de carteiras de crédito, o valor teria permanecido estável em R$ 7,7 bilhões. O crédito expandido alcançou R$ 721,3 bilhões , crescimento de 0,9% no trimestre e de 4,7% em 12 meses, impulsionado principalmente pelas grandes empresas, cuja carteira avançou 4,3%. Em contrapartida, o financiamento ao consumo caiu 3,6%, para R$ 97,1 bilhões, enquanto o crédito a pessoas físicas recuou 0,6%, para R$ 261,8 bilhões. Parte dessa retração está relacionada à venda de R$ 5 bilhões em financiamentos de veículos adimplentes para um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios (FIDC) , sem coobrigação, além da cessão de aproximadamente R$ 800 milhões em créditos de grandes empresas. Segundo o Itaú BBA, essas operações tiveram efeito líquido relativamente pequeno sobre o resultado, com contribuição positiva estimada entre R$ 50 milhões e R$ 100 milhões no lucro antes de impostos. O principal benefício foi a redução de aproximadamente R$ 4 bilhões nos ativos ponderados pelo risco (RWA), contribuindo para a otimização do capital. Ainda assim, o índice de capital principal (CET1) recuou 0,30 ponto porcentual, para 10,9%. O controle de despesas foi um dos destaques positivos identificados pelas duas instituições. Os gastos operacionais caíram 3% no trimestre, enquanto o índice de eficiência melhorou para 38,8%. Para o Citi, a disciplina de custos será cada vez mais importante para sustentar os resultados diante da pressão sobre as margens financeiras. Na avaliação do banco americano, a adoção de uma carteira de crédito mais conservadora pode ajudar o Santander a enfrentar um ambiente macroeconômico potencialmente mais desafiador em 2027. A estratégia, contudo, também tende a limitar os ganhos com operações de crédito no curto prazo. Quanto às perspectivas para as ações, o Itaú BBA manteve recomendação neutra ( market perform ) e preço-alvo de R$ 29 para 2027, equivalente a um potencial de valorização de 12,1% em relação ao fechamento de terça-feira (27). Já o Citi não apresentou uma nova recomendação ou preço-alvo, mas avaliou que a reação do mercado aos resultados deve ser relativamente moderada, considerando que a matriz do Santander ainda conduz uma Oferta Pública de Aquisição (OPA) das ações da subsidiária brasileira negociadas na B3.