“Esqueletos de aço” da Baía de Guanabara: como navios abandonados há uma década viraram a única salvação de um estaleiro histórico
Sem concluir grandes embarcações desde a década passada, o Estaleiro Ilha S.A. aposta no desmantelamento e no leilão de milhares de toneladas de sucata para quitar dívidas trabalhistas e reabrir espaço no Rio de Janeiro
O Estaleiro Ilha S.A. (Eisa) , localizado na Baía de Guanabara , no Rio de Janeiro, adotou o desmantelamento de navios inacabados como estratégia central para quitar compromissos de sua recuperação judicial . A venda das peças, equipamentos e da sucata de aço naval extraída de cascos parados há anos tornou-se a principal fonte de recursos para manter os pagamentos a credores trabalhistas . Licença ambiental e histórico das embarcações O Eisa é atualmente o único estaleiro na Baía de Guanabara com licença ambiental autorizada para executar o serviço de desmantelamento de embarcações. Entretanto, para aceitar novos contratos de reciclagem marítima, a empresa precisa primeiro retirar os navios que ocupam suas próprias instalações. Entre as estruturas paradas estão dois navios do antigo programa Promef, uma embarcação encomendada pela estatal venezuelana PDVSA e um navio encomendado, cujo corte de chapa já foi iniciado. Leia Mais: Mulher que vivia isolada há 18 anos é resgatada no interior de SP Eleições em Israel: Segurança e custo de vida estão entre fatores decisivos Unilever alerta para aumentos de preços com efeitos da guerra no Irã Leilão judicial de R$ 11,5 milhões A 1ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do TJRJ autorizou a alienação por leilão judicial de 6.314 toneladas de sucata de aço naval (tipo ASTM A131), oriundas do corte de conteineiros e petroleiros. O lote completo foi avaliado em R$ 11,5 milhões . Os valores obtidos na venda do lote de aço condicionam os pagamentos extraordinários a ex-colaboradores , realizados com aprovação da Justiça e do Ministério Público. Reorganização das operações marítimas Além do impacto financeiro, o fatiamento e a remoção das estruturas metálicas visam liberar o espaço físico do estaleiro. Com a resolução dos litígios referentes aos projetos antigos, a empresa busca concluir suas obrigações jurídicas e reorganizar o parque industrial para futuras atividades no setor naval .