Reeleição de Lula dificulta socorro ao BRB, mas governo do DF mantém plano de buscar ajuda da União

Por Estadão · Categoria: Geral ·

BRASÍLIA - A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou a possibilidade de um socorro do governo federal ao Banco de Brasília (BRB), atingido pela crise do Banco Master , mais distante. O governo do Distrito Federal , porém, pretende manter o plano de pedir a ajuda da União para s

BRASÍLIA - A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou a possibilidade de um socorro do governo federal ao Banco de Brasília (BRB), atingido pela crise do Banco Master , mais distante. O governo do Distrito Federal , porém, pretende manter o plano de pedir a ajuda da União para salvar o banco. O secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, disse ao Estadão que o plano está mantido. O Ministério da Fazenda afirmou que “o DF não dispõe de classificação de Capacidade de Pagamento (Capag)”, indicador de saúde financeira para obter empréstimos com garantia da União. O BRB não se manifestou. As fraudes praticadas entre o BRB e o Banco Master somaram R$ 17 bilhões , segundo a Polícia Federal, e deixaram um rombo no Banco de Brasília ainda desconhecido. A estimativa de integrantes do banco é de que o rombo seja de, pelo menos, R$ 8,8 bilhões. O governo do DF pediu um empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para capitalizar o BRB e salvar o balanço da instituição, mas não conseguiu o dinheiro, uma vez que os bancos resistem a conceder a garantia . A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), foi reeleita e esperava a vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) na Presidência para costurar um acordo com a União. O governo do DF tenta no Supremo Tribunal Federal (STF) obrigar o governo federal a conceder aval no empréstimo. O governo Lula é contra a concessão dessa garantia, e as contas do Distrito Federal impedem a ajuda (leia mais abaixo). Assim que sua reeleição foi confirmada , Celina deu uma declaração dizendo que esperava a vitória de Flávio para facilitar o processo. “Dando tudo certo também para presidente, ajuda muito, porque nós vamos ter um presidente que vai trabalhar a favor do DF, não vai trabalhar contra o DF. Isso já é muita coisa”, disse a governadora. O esperado, no entanto, não aconteceu e Lula foi reeleito para o quarto mandato, em virada inédita . Durante a campanha, o petista disse que não iria “dar dinheiro para o BRB”. Negociações pós-eleição Aliados de Celina avaliam que a situação, no primeiro momento, dificulta a tentativa do governo do DF em obter aval da União para socorrer o BRB. Por outro lado, passada a disputa política, a expectativa é de que os dois governos possam conversar sem a pressão eleitoral em busca de uma negociação. “Nós vamos começar agora a tratar disso. A União precisa dar o aval, como ela dá para todos os entes subnacionais. O problema nosso é que a execução fiscal do ano passado foi muito ruim e isso nos atrapalhou”, disse o secretário Valdivino de Oliveira. “Acho que agora não tem motivação política mais.” O presidente do Tribunal de Contas do Distrito Federal, Manoel de Andrade, tentou uma interlocução com Lula na segunda-feira, 26, logo após o segundo turno das eleições, para conversar sobre o BRB, mas foi avisado que o presidente da República não iria tratar sobre o assunto neste momento. O tribunal cobrou a divulgação do balanço do BRB, que está atrasado desde março, para julgar as contas do Distrito Federal de 2025. Além desse, há outro processo aberto: o de prestação de contas anual do BRB. O BRB deveria ter prestado contas ao tribunal em julho, mas não encaminhou as informações, alegando ausência do balanço financeiro e auditoria pendente. Segundo integrantes do tribunal, as contas do Banco de Brasília podem ser rejeitadas por falta de prestação. O Tesouro negou aval da União a um empréstimo diante do rombo registrado no orçamento do Distrito Federal em 2025. O DF recebeu nota “C” de Capacidade de Pagamento (Capag), inviabilizando a garantia. As notas exigidas são “A” e “B”. Conforme o Estadão revelou, integrantes do Tribunal de Contas identificaram um rombo de R$ 5,5 bilhões nas contas distritais . A administração prometeu um superávit de R$ 3 bilhões para este ano. Até agosto deste ano, o Distrito Federal registrou um superávit de R$ 1,7 bilhão nas contas. O governo arrecadou R$ 1,4 bilhão com a venda da dívida ativa do DF, a chamada securitização, no mercado financeiro. Em paralelo, decretou um ajuste fiscal, cortando despesas para melhorar o resultado. Conforme o Estadão mostrou, a gestão distrital mudou a classificação de algumas despesas para melhorar a Capag. Todo o processo visa recuperar a nota de crédito e conseguir aval da União. O governo distrital tentou apresentar uma “Capag provisória” com resultados parciais de 2026 para finalizar a operação, mas uma nova avaliação só deve ser feita pelo Tesouro Nacional em 2027.