Moraes irá para o tudo ou nada para se salvar no STF
O que vimos logo após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva foram apenas os primeiros movimentos de um embate inevitável entre o Senado e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes . Ameaçado por um impeachment, devido às suas ligações ainda opacas e milionárias com o ex-banqueir
O que vimos logo após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva foram apenas os primeiros movimentos de um embate inevitável entre o Senado e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes . Ameaçado por um impeachment, devido às suas ligações ainda opacas e milionárias com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro , o magistrado deve usar todas as armas disponíveis para manter-se de pé. Quem não quer ser atingido, terá de sair de perto. O lance inicial foi o pedido de passaporte do candidato derrotado Flávio Bolsonaro , solicitado pela Polícia Federal apenas sete minutos após o fechamento das urnas e prontamente concedido. Talvez a ideia tenha sido deixar o principal líder da oposição sob xeque, na iminência de uma prisão, de maneira a coibir novos movimentos políticos contra integrantes do Supremo. A fuga do Bolsonaro filho para os Estados Unidos atrapalhou o plano inicial de Moraes. Flávio pode adotar um discurso de perseguido injustamente com aderência na opinião pública. Mas o togado se beneficiou de um efeito colateral de sua ação: neste momento, a direita brasileira está sem um líder claro para conduzir um processo de impedimento desgastante e arriscado. Em outra vertente, na sua luta pela sobrevivência, Moraes terá que agir nas sombras. Trata-se de atuar (ou, no mínimo, torcer) pela reeleição do atual presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em fevereiro do próximo ano. Obteve uma boa notícia ontem, com a decisão da cúpula da federação PP União Brasil de apoiar a recondução do amapaense – com a dissidência pública da senadora Tereza Cristina (PP – MS). Por outro lado, o PL chega com 28 senadores e deve atuar para eleger o ex-coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro, Rogério Marinho (RN). Muitos senadores, de diversos partidos, se elegeram com a pauta anti-STF . Caso, por exemplo, Teresa Surita (MDB-RR), Plínio Valério (PSDB-AM) e Marcel Van Hatten (Novo-RS), entre outros. Não devem tomar posse em conflito com seus eleitores. Raposa política, Alcolumbre tenta costurar com o governo federal uma anistia a Jair Bolsonaro , condenado por tentativa de golpe de Estado, para obter votos da direita e se manter no cargo. O presidente do Senado, como se sabe, também está chamuscado com a crise Vorcaro. Mas apenas com ele na liderança do Congresso, Moraes pode sair da encrenca em que está metido. O togado, entretanto, conta com mais armas. O ministro Flávio Dino , por exemplo, que se mostrou um amigo e tanto nos últimos meses, conduz investigações sobre uso irregular de recursos de emendas por parlamentares. Pode agir de maneira rápida contra senadores que se levantarem contra Moraes. Dino parece não ter pudores em se destacar como o mais político dos integrantes do Supremo e age em parceria com o Palácio do Planalto. A batalha Senado versus STF irá ofuscar o início do governo Lula 4. Judiciário e Legislativo irão, mais uma vez, tirar o foco do Palácio do Planalto. Como aconteceu na atual gestão, Lula pode se tornar novamente coadjuvante do próprio governo. É difícil concorrer com personagens como Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro e parlamentares radicais que estarão no Senado com a missão de destruir membros do STF. Ao que tudo indica, se for para morrer, Moraes prefere que seja atirando.