Esquema do PCC trocava drogas por assinaturas para projeto de lei no Paraná
Operação investiga oganização criminosa por distribuir entorpecentes em troca de assinaturas para PL que buscava flexibilizar regras para visitas íntimas nos presídios; investigação aponta que cada grama de cocaína equivalia a oito assinaturas
O Ministério Público do Paraná deflagrou, nesta quarta-feira (28), a segunda fase da Operação Umbra, que mira um esquema do PCC (Primeiro Comando da Capital) investigado por distribuir drogas em troca de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que buscava flexibilizar as regras para visitas íntimas em presídios. Ao todo, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e oito mandados de busca e apreensão em Londrina, Cambé, Cascavel e Piraquara, no Paraná, além de Avaré e Marília, no estado de São Paulo. A Justiça também autorizou buscas pessoais e domiciliares, inclusive nas unidades prisionais onde estão detidos alguns dos investigados . Segundo o órgão, as buscas visam apreender aparelhos celulares, drogas, armas, dinheiro em espécie e documentos relacionados às atividades ilícitas. A ação desta manhã é coordenada pelo Núcleo Regional de Londrina do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado). document.createElement('video'); https://admin.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2026/10/Umbra-2-2.mp4 Leia Mais PF mira grupo suspeito de fraude com prejuízo potencial de R$ 10 bilhões Operação mira PCC e cumpre mais de 70 mandados na Bahia e em SP Justiça Federal condena cúpula do PCC por plano de ataques com explosivos Tráfico de drogas e controle regional Segundo as investigações, o grupo atuava nos municípios abrangidos pelo código de área telefônico DDD 43, no Norte do Paraná, sobretudo em atividades ligadas ao tráfico de drogas , comércio de armas de fogo e ao controle disciplinar dos membros da organização . Os investigadores apontaram que a estrutura do PCC regional era comandada por dois irmãos , que ocupavam posições de liderança mas com funções distintas. Um deles é indicado por exercer a função denominada de “Geral da Região 43” , responsável pela disciplina dos integrantes, pela intermediação de ordens da cúpula da facção, pela autorização ou pelo veto de punições e transferências internas e pela gestão da estrutura regional. Já o outro irmão ocupava o cargo de “Final 100% do Estado do Paraná” , responsável pela supervisão financeira e operacional das atividades ilícitas no estado. Segundo o MP, ele também atuaria na coordenação do comércio de drogas a partir da zona Sul de Londrina. Leia também: Operação mira 18 alvos por tráfico de drogas e ligação com o PCC no Paraná Os demais investigados exerceriam funções específicas na estrutura criminosa, incluindo a contabilidade da organização , a coordenação de pontos de venda de drogas, a gestão do chamado “tribunal do crime” e a negociação de armas de fogo de grosso calibre, inclusive fuzis. Drogas em troca de assinaturas de projeto de lei Segundo o Ministério Público, um dos principais pontos identificados durante a investigação foi a organização de uma campanha de coleta de assinaturas para um projeto de lei de iniciativa popular que buscava flexibilizar as regras para visitas íntimas e conjugais em estabelecimentos prisionais . As investigações apontaram que a iniciativa era promovida pelo PCC em Londrina e região com o objetivo de pressionar o sistema prisional . De acordo com a promotoria, mensagens apreendidas ao longo das apurações indicavam a meta de obter 290 mil assinaturas em todo o país . Para incentivar a participação, a ramificação da facção no Paraná distribuía porções de drogas a pessoas que apresentassem assinaturas coletadas. Segundo os investigadores, os entorpecentes eram fornecidos pelos responsáveis pelos pontos de tráfico, conhecidos como “donos de quebradas” . A prática, conforme o MP, era chamada internamente de “trabalho de revertimento”. Além disso, a apreensão de planilhas e registros durante a investigação levaram os investigadores a identificarem a quantidade de drogas disponibilizada por cada ponto de venda e sua correspondência com o número de assinaturas obtidas. Em um dos registros, cada grama de cocaína equivalia a oito assinaturas . Atuação nos presídios Ainda de acordo com as investigações, alguns dos suspeitos de envolvimento no esquema já estavam presos em unidades do sistema penitenciário do Paraná e de São Paulo, mas continuavam exercendo funções na organização criminosa. Mesmo detidos, as apuração indicam que eles –– supostamente –– repassavam orientações, negociavam armamentos e administravam o fluxo de drogas . Para mascarar a ação e dificultar a identificação da polícia, o grupo utilizava linhas telefônicas registradas em nome de terceiros. Leia também: PF mira esquema de tráfico internacional de cocaína ligado ao PCC Os suspeitos investigados no âmbito da Operação Umbra poderão responder pelos crimes de favorecimento ao domínio social estruturado e tráfico de drogas. Alvos já eram investigados por duplo homicídio Segundo investigação do Gaeco, há indícios de possível participação de dois dos investigados em um duplo homicídio ocorrido em 2024 , em Rolândia, no Norte do Paraná. O material reunido aponta que o crime teria sido cometido em nome da facção contra um homem que seria integrante de um grupo rival . Na ação, uma criança também foi morta. O Ministério Público afirmou que um dos investigados apontados nesse contexto teria fugido para o Paraguai e é considerado foragido da Justiça. Novo organograma do PCC mostra “sintonias” e dimensão da facção; veja