Autoridades da Espanha apontam falha humana; veja o que se sabe sobre acidente fatal entre trens
Dois trens de alta velocidade colidiram na manhã desta quarta-feira , 28, na região de Castilla-La Mancha, no centro da Espanha , deixando pelo menos 68 mortos. O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, disse que uma ordem “equivocada” pode ter sido a causa do acidente. O primeiro-ministr
Dois trens de alta velocidade colidiram na manhã desta quarta-feira , 28, na região de Castilla-La Mancha, no centro da Espanha , deixando pelo menos 68 mortos. O ministro dos Transportes da Espanha, Óscar Puente, disse que uma ordem “equivocada” pode ter sido a causa do acidente. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez , afirmou que todo o país “está de luto”. Quando o acidente ocorreu? O acidente ocorreu por volta das 8h54 no horário local (4h54 em Brasília). Os dois trens colidiram em Urda, na província de Toledo. Um dos trens era operado pela empresa estatal espanhola Renfe . Segundo o jornal El País , ele havia saído da estação de Atocha às 8h e seguia em direção a Sevilha. A outra composição era operada pela empresa privada Iryo , controlada por três companhias, entre elas a estatal italiana Trenitalia. Ela havia saído às 7h54 e fazia o mesmo trajeto. Quantas passageiros estavam nos trens? Segundo a porta-voz do governo de Castilla-La Mancha, Esther Padilla, o trem da Iryo tinha 147 passageiros, incluindo um bebê, e o da Renfe transportava 397 pessoas. Qual o número de vítimas? O presidente da região de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, afirmou que pelo menos 68 pessoas morreram. Segundo ele, 44 mortos estavam no trem da Iryo e 24, no da Renfe. García-Page também disse que há ao menos 80 feridos, dos quais 50 estão em estado grave e 15, em estado crítico. Eles foram encaminhados a hospitais em diversas cidades da região, incluindo Madri. Qual foi a causa? Segundo o El País , o trem da Renfe teria reduzido a velocidade minutos antes da colisão devido a um problema de tráfego na linha. Fontes governamentais ouvidas pelo El País afirmaram que o problema ocorreu no sistema de de segurança LZB, que permite a comunicação entre as equipes de infraestrutura e os trens. Esse sistema é utilizado apenas pela linha entre Madri e Sevilha e está sendo substituído pelo ERTMS, que é mais moderno. O jornal afirmou que as informações iniciais indicam a possibilidade de “erro humano”. Após a falha do sistema de segurança, seis trens interromperam a circulação. Cerca de oito minutos depois, eles foram autorizados a retomar o trajeto, após a central de controle passar a operar em modo manual. No entanto, o trem da Iryo não conseguiu retomar a marcha e permaneceu parado. Mesmo com a composição bloqueando a via, um operador do centro de controle teria autorizado que o trem da Renfe seguisse viagem, e o veículo colidiu por trás com o trem da Iryo. A investigação do caso ainda deve confirmar os detalhes da ocorrência. Puente disse que uma ordem “equivocada” pode ter sido a causa do acidente. “É dada uma ordem para que o trem retome a marcha, e há um intervalo de tempo para corrigir essa decisão. Em todo caso, uma decisão equivocada foi tomada e ocorreu o impacto”, disse o ministro em entrevista coletiva. “Foi o centro de controle, por meio de seus operadores, que tomou a decisão de retomar a circulação, em circunstâncias que, do nosso ponto de vista, são inexplicáveis”, acrescentou. A investigação do caso ainda deve confirmar os detalhes da ocorrência. Quem investigará o caso? A investigação do acidente ficará a cargo do Tribunal de Primeira Instância e Instrução Preliminar nº 2 de Orgaz. O que dizem as autoridades? Sánchez afirmou que “toda a Espanha está de luto”. Para ele, “não é aceitável” que um país como a Espanha “sofra dois acidentes ferroviários de alta velocidade no mesmo ano”, em referência à colisão de trens que deixou 46 mortos em janeiro . Segundo o primeiro-ministro, “se houve negligência, ela virá à tona”. “Se houve falhas no sistema de segurança, responderemos com a máxima firmeza”, acrescentou. Quem são as vítimas? A Guarda Civil da Espanha definiu quatro postos para receber os familiares de primeiro grau das vítimas. “O objetivo prioritário é a identificação das pessoas desaparecidas e a coleta de amostras de DNA dos familiares que comparecerem a esses escritórios, de modo a agilizar o processo de identificação”, afirmou a corporação. Os endereços estão localizados em Madri, Sevilha, Córdoba e Toledo. Entre os passageiros, está a ex-ministra do Trabalho e da Segurança Social da Espanha Fátima Báñez , que ocupou o cargo entre 2011 e 2018. Atualmente, ela é presidente da Fundação da Confederação Espanhola de Organizações Patronais (CEOE). Até a última atualização, Fátima estava na lista de desaparecidos. A CEOE negou boatos de que a morte dela havia sido confirmada. O ator Manuel Bandera e o repórter do El País , Antonio Jiménez Barca, também estavam no trem da Renfe. Os dois relataram ferimentos, mas afirmaram que estavam bem. /Com informações da AFP e do NYT