Imagens de câmeras corporais indicam agressões e ameaças durante megaoperação realizada há um ano
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Imagens e áudios captados por Câmeras Policiais Portáteis de policiais militares que atuaram na Operação Contenção, realizada nos Complexos da Penha e do Alemão há um ano, indicam que agentes praticaram tortura, agressões físicas e ameaças explícitas de morte contra criminosos. Além disso, moradores e trabalhadores da região também sofreram agressões e ameaças. A informação consta em um relatório elaborado pela Defensoria Pública do Rio e o Projeto Mirante, que examinaram as gravações de 529 policiais militares e documentos relativos à megaoperação. No total, 2.476 agentes participaram da ação, realizada em 28 de outubro de 2025, sendo 1.802 policiais militares e 674 policiais civis. O material recebido pela Defensoria reúne 10.202 arquivos de vídeo e nenhuma das gravações disponibilizadas mostra o momento das mortes. A Polícia Civil, que também atuou na ação, não encaminhou à Defensoria as imagens de suas câmeras corporais ou de drones solicitadas. O documento revela que a investigação encontrou câmeras deixadas em bases e viaturas, equipamentos transportados em sacos plásticos, lentes obstruídas por longos períodos, falhas de identificação e registros que não acompanharam os policiais em serviço. Ainda assim, entre as poucas imagens que permitiram visualizar as abordagens, os pesquisadores identificaram indícios de tortura, além de ameaças, agressões físicas, choques elétricos e uso de gás lacrimogêneo contra moradores. A análise permanece em andamento. Um dos registros mostra policiais alinhando câmeras ligadas sobre um frigobar, com as lentes apontadas para a porta de um micro-ondas. Os equipamentos permaneceram no local durante horas e depois são recolhidos em um saco plástico e transportados numa viatura. O reflexo do micro-ondas permitiu à equipe de pesquisa reconstruir parte da movimentação. Em determinado momento, ouve-se um policial dizer: “Tinham 8, tá faltando uma”. Em outra gravação, um agente comenta: “Consigo tirar 300 câmeras no mesmo RG”. O Projeto Mirante identificou ainda duas câmeras vinculadas à mesma identidade funcional gravando ambientes diferentes no mesmo horário. Em outros episódios, lentes foram cobertas ou os equipamentos deixaram de registrar as ações dos agentes. As falhas de localização por GPS, de velocidade e de identificação dos usuários dificultaram a reconstituição dos deslocamentos. Imagens de policiais do Batalhão de Choque mostram um homem detido no Complexo da Penha com o pé de um agente sobre a cabeça. Acusado de ter se desfeito de um fuzil, ele é ameaçado: “Vamo matar essa porra”. A análise de gravações de quatro policiais da RECOM reconstituiu abordagens no entorno do Complexo do Alemão. As imagens mostram mototaxistas agredidos, um motociclista sufocado com uma peça de roupa e uma mulher que se identifica como trabalhadora da saúde atingida por arma de choque e por gás no rosto. Policiais também lançam gás lacrimogêneo em um supermercado onde estavam mulheres e crianças, atingem mulheres que desembarcavam de um ônibus com choques elétricos e obrigam um idoso a apagar uma gravação feita com o celular. O relatório também mostrou que, entre os 50 agentes do BOPE com maior consumo individual de munições, apenas oito portavam câmeras. A Defensoria recebeu gravações de somente dois, ambas encerradas antes de sua chegada aos complexos. O relatório não estabelece que o volume de disparos, por si só, comprove uso indevido da força. A Defensoria reuniu o material por meio de sucessivos pedidos de informação à Polícia Militar, à Polícia Civil e à empresa responsável pelo sistema de câmeras. A Operação Contenção, realizada nos Complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, é considerada a mais letal da história. No total, 122 pessoas morreram, sendo 5 policiais. Além de criminosos mortos, a ação terminou com a prisão de 99 suspeitos e 96 fuzis apreendidos. Até o momento, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro ofereceu 12 denúncias contra 28 policiais militares envolvidos na operação Contenção. Os agentes foram denunciados por crimes como furto, peculato, violação de domicílio, constrangimento ilegal de moradores, roubo e recusa de obediência, além de irregularidades relacionadas ao uso de câmeras operacionais portáteis. Diante das irregularidades identificadas, o MPRJ expediu, em março de 2026, recomendações aos secretários de Estado da Polícia Militar, da Polícia Civil e de Segurança Pública para aprimorar o uso das câmeras corporais. The post Imagens de câmeras corporais indicam agressões e ameaças durante megaoperação realizada há um ano appeared first on TMC .