Petrobras terá que reajustar diesel? Por que tema segue no radar mesmo com subsídios

Por InfoMoney · Categoria: Mercado ·

Poucos dias antes da eleição, o Goldman Sachs destacou em relatório que a Petrobras (PETR3;PETR4) poderia ter que reajustar o preço do diesel em até 50% depois do pleito, em meio à forte disparidade em relação aos preços internacionais. Algumas medidas foram tomadas depois da eleição que diminuíram

Funcionários de posto de gasolina ajustam preço em Porto Alegre – 20/03/2026 (Foto: REUTERS/Diego Vara) " data-large-file="https://www.infomoney.com.br/wp-content/uploads/2026/09/Diesel_posto.jpg?fit=1280%2C853&quality=70&strip=all" /> Poucos dias antes da eleição, o Goldman Sachs destacou em relatório que a Petrobras ( PETR3 ; PETR4 ) poderia ter que reajustar o preço do diesel em até 50% depois do pleito, em meio à forte disparidade em relação aos preços internacionais. Algumas medidas foram tomadas depois da eleição que diminuíram a urgência de um reajuste, mas analistas seguem com esse tema no radar, principalmente com a continuidade da alta do petróleo com a persistente tensão no Oriente Médio. Na terça-feira, o governo brasileiro decidiu prorrogar por mais 30 dias os subsídios ao combustível e, desta forma, o Goldman Sachs apontou que a estatal deve manter os preços do diesel vendido a distribuidoras até o fim do ano. Isso porque a renovação do incentivo de R$ 2,12 por litro para produtores e importadores de diesel, somada a um subsídio adicional de R$ 1,40 por litro ainda disponível para importações até 6 de novembro, reduz a necessidade de a petroleira elevar preços para acompanhar a alta das cotações internacionais. Os analistas estimam que o preço realizado do diesel pela Petrobras está atualmente em R$ 5,43 por litro, cerca de 25% abaixo da paridade internacional de importação, calculada em aproximadamente R$ 7,30 por litro. Na mesma linha, o Itaú BBA avalia que a Petrobras pode ter de adiar a recomposição dos preços dos combustíveis para 2027. Os analistas do banco também ressaltaram que a forte alta do petróleo no mercado internacional combinada à recente desvalorização do real voltou a ampliar a distância entre os preços praticados pela estatal e as referências globais, o que tornou cada vez mais difícil para a estatal cumprir ainda em 2026 a meta prevista em sua política comercial, segundo análise do Itaú BBA. Os analistas calculam que o preço do diesel vendido pela companhia está atualmente cerca de 20% abaixo da paridade internacional, enquanto a gasolina apresenta defasagem próxima de 10%. O movimento ocorreu após uma alta de 6% do Brent e uma desvalorização de aproximadamente 6% do real na comparação semanal. Leia também Ibovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai 3% e ronda os 171 mil pontos Bolsas dos EUA operam com leves altas em dia de decisão do Fed Pela política de preços da Petrobras, a média anual dos combustíveis deveria terminar o ano dentro das bandas de referência estabelecidas pela companhia. No entanto, na avaliação do banco, cumprir esse objetivo até dezembro se tornou um desafio considerável caso as atuais condições de mercado sejam mantidas. Segundo as estimativas do Itaú BBA, seriam necessários reajustes de aproximadamente 18% na gasolina e de cerca de 60% no diesel – ainda maiores que as projeções do Goldman – para eliminar integralmente a defasagem acumulada ao longo de 2026. No caso do diesel, o banco destaca que uma correção dessa magnitude seria a maior já realizada pela petroleira e dificilmente seria sustentável do ponto de vista comercial, já que poderia comprometer a competitividade da companhia e resultar em perda de participação de mercado. Mercado avalia extensão do prazo Diante desse cenário, o BBA apontou que ganharam força reportagens indicando que a Petrobras poderia estender para 2027 o prazo para recomposição das defasagens, o que, na prática, representaria uma flexibilização da exigência de encerramento do ano-calendário prevista na política comercial. Para avaliar essa possibilidade, os analistas simularam dois cenários para o diesel com base nas curvas futuras do Brent e das margens internacionais de refino. No primeiro cenário, a Petrobras promoveria um reajuste único de cerca de 25% no início de novembro, alinhando os preços ao teto da banda de referência. Nesse caso, a defasagem acumulada em 2026 seria totalmente eliminada no fim de janeiro de 2027. Já no segundo cenário, a estatal realizaria inicialmente um aumento menor, de aproximadamente 13%, suficiente para levar os preços ao piso teórico da banda, realizando novos ajustes graduais posteriormente. Nessa hipótese, a convergência ocorreria apenas no final de março de 2027. Subsídios e reajustes determinantes Para o Itaú BBA, três fatores serão decisivos para definir os próximos passos da companhia. O primeiro é a velocidade com que a Petrobras iniciará o processo de reajuste dos combustíveis. O segundo é a possibilidade de o governo ampliar subsídios ao diesel, o que reduziria a necessidade de aumentos por parte da estatal. Por fim, o mercado acompanha se a empresa efetivamente buscará flexibilizar a regra que prevê o fechamento da defasagem ainda dentro do ano-calendário. Leia também Recado duro do mercado pode acelerar ajuste fiscal de Lula, diz Leto Capital Para Alexandre Muller, CIO da casa focada em crédito, PIB deve ficar perto de zero em 2027, e retomada da confiança depende de equipe econômica e de PEC com ajuste ainda este ano A relevância do tema está no fato de que qualquer reajuste expressivo do diesel tende a ter impacto, não apenas sobre os resultados da Petrobras, mas também sobre a inflação e as expectativas para a política monetária, especialmente em um momento de maior atenção dos investidores à trajetória dos preços administrados após as eleições. Tema segue no radar Ainda que a extensão dos subsídios aos combustíveis possa ter acalmado o mercado com relação a uma alta iminente dos preços, o mercado segue de olho nos próximos passos. Vale destacar que, segundo o Brazil Journal, em sua primeira reunião após a eleição, realizada na segunda-feira, o conselho da Petrobras solicitou planos para aumento dos preços dos combustíveis nas refinarias, uma vez que há a visão de que a contenção de preços sustentada por subsídios desde a guerra no Irã não tem sido suficiente para cumprir a política de precificação da companhia. A visão é de que a diferença precisa ser ajustada, embora uma correção abrupta possa causar impactos econômicos, cabendo a decisão final à diretoria executiva. “Como os preços dos combustíveis e das matérias-primas permanecem elevados, principalmente devido às tensões geopolíticas, enquanto a Petrobras continua vendendo gasolina e diesel abaixo da paridade de exportação no Brasil, acreditamos que a pressão por um reajuste de preços tende a aumentar. Com base em nossas estimativas, a Petrobras está atualmente vendendo gasolina e diesel (incluindo subsídios) com descontos de aproximadamente 22% e 11% em relação ao Preço de Paridade de Exportação (EPP), respectivamente”, avalia o Bradesco BBI. As estimativas variam conforme a metodologia utilizada. Enquanto Goldman Sachs e Itaú BBA utilizam como referência a paridade de importação, o Bradesco BBI compara os preços domésticos ao preço de paridade de exportação. Cabe destacar ainda o custo fiscal dos subsídios. Analistas da XP estimam que o governo está gastando cerca de R$ 9 bilhões por mês; esses valores podem ser compensados com a arrecadação extra decorrente do petróleo – desde que os preços do Brent se mantenham acima de US$ 105 por barril. “Por outro lado, assumimos que os preços do petróleo recuarão nos próximos meses para uma média de US$ 75 por barril em 2027,” aponta a equipe de análise da casa. The post Petrobras terá que reajustar diesel? 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