Mercado espera que aumento dos juros nos EUA seja retomado em dezembro

Por Estadão · Categoria: Geral ·

Após a decisão do banco central americano (Federal Reserve, o Fed) manter as taxas de juros inalteradas nesta quarta-feira (28), as expectativas para a reunião de dezembro já indicam uma probabilidade de quase 80% de uma nova alta de juros . O Fed optou por manter inalteradas as taxas na faixa de 3,

Após a decisão do banco central americano (Federal Reserve, o Fed) manter as taxas de juros inalteradas nesta quarta-feira (28), as expectativas para a reunião de dezembro já indicam uma probabilidade de quase 80% de uma nova alta de juros . O Fed optou por manter inalteradas as taxas na faixa de 3,75% a 4% ao ano. Apesar de ficar em linha com as expectativas do mercado, a decisão não foi unânime: foram dez votos favoráveis à manutenção dos juros e dois votos dissidentes. Esse foi o argumento do Fed para não subir os juros desta vez, mas sem descartar novos aumentos. A porta segue aberta para uma alta já na próxima reunião. Vitor Kayo, economista sênior da Nomad Em setembro, o comitê justificou a alta dizendo que ela ajudaria a levar a inflação mais rápido à meta de 2%. Agora, afirmou que o acúmulo de mais informações vai ajudar a definir a postura adequada para trazer a inflação de volta à meta no tempo certo. Para Yihao Lin, economista da Genial, o Fed manteve a inflação no centro das preocupações e reforçou a expectativa de que o próximo movimento seja de alta. Assim, apesar da manutenção dos juros e do número de dissidências inferior ao previsto, interpreta a comunicação como favorável a um aumento dos juros, em linha com a projeção de elevação de 0,25 ponto porcentual dos juros em dezembro. O mercado mantém expectativa de que o aumento dos juros seja retomado na última reunião de 2026 do Fed diante da continuidade de pressões inflacionárias por eventos geopolíticos e de uma economia resiliente. Mônica Araújo, economista chefe do InvestSmart XP Como resultado, Bruna Centeno, economista, sócia e advisor na Blue3 Investimentos, aponta que os juros longos tendem a ficar pressionados pelos próximos meses . “A escalada dos preços do petróleo, se não for bem administrada, pode acarretar aumentos adicionais dos juros nos Estados Unidos nos próximos meses”. A sinalização de que ainda não há certeza sobre o nível adequado dos juros contribuiu para uma queda dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano de dois anos durante a entrevista coletiva do presidente do Fed, Kevin Warsh. Na coletiva de imprensa, Warsh atribuiu o maior vigor da atividade ao consumo e aos investimentos, sobretudo os ligados à inteligência artificial, e disse que o mercado de trabalho continua forte. Para ele, a economia cresce rápido, mas não está superaquecida , e crescimento forte não significa, por si só, pressão sobre a inflação. A preocupação está nos preços, que seguem acima da meta há quase seis anos . A nova alta recente da energia exige atenção para que a pressão não se espalhe para outros setores nem desancore as expectativas. Por isso, as discussões do comitê se concentraram na estabilidade de preços. Warsh lembrou que o comitê subiu os juros quando julgou apropriado, analisa Kayo, da Nomad. Diagnóstico da economia mudou pouco No comunicado da decisão, o BC americano passou a descrever o ritmo de crescimento como forte , e não mais sólido, e manteve a leitura de consumo resiliente , ganhos de produtividade e investimento robusto . O mercado de trabalho segue estável , com a criação de vagas acompanhando o crescimento da força de trabalho. A incerteza continua elevada , em parte por fatores geopolíticos, e a inflação também.