Caso Master: PF indicia Daniel Vorcaro, ex-presidente do BRB e mais 12 por crimes financeiros
A Polícia Federal indiciou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e outras 12 pessoas no primeiro inquérito concluído sobre irregularidades envolvendo o Banco Master. Entre os demais indiciados está Augusto Lima, ex-sócio do Master, além de ex-
A Polícia Federal indiciou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa e outras 12 pessoas no primeiro inquérito concluído sobre irregularidades envolvendo o Banco Master. Entre os demais indiciados está Augusto Lima, ex-sócio do Master, além de ex-diretores e pessoas que, segundo a investigação, participaram das operações entre as duas instituições. A PF também pediu a prorrogação do inquérito para dar continuidade às demais frentes de investigação da Operação Compliance Zero. O relatório aponta irregularidades na venda de R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito do Master ao banco público do Distrito Federal. Desse total, os investigadores afirmam ter identificado fraude em pelo menos R$ 12 bilhões em ativos, principalmente em operações envolvendo carteiras de crédito consignado que teriam sido criadas sem lastro real. Leia também: Caso Master: Daniel Vorcaro transferiu cobertura de R$ 128 milhões em Miami para ex-mulher; imóvel agora é objeto de disputa judicial; veja imagens Vorcaro é indiciado por cinco crimes Daniel Vorcaro foi indiciado por gestão fraudulenta, indução a erro de investidor em operação financeira, fraude à fiscalização, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Somadas, as penas previstas para esses crimes variam de 12 a 41 anos de prisão. A PF também aponta Vorcaro como líder da organização criminosa investigada, o que pode ter impacto em uma eventual pena caso haja denúncia, julgamento e condenação. Paulo Henrique Costa foi indiciado por gestão fraudulenta e organização criminosa. No relatório, a Polícia Federal afirma que a responsabilização de Vorcaro não decorre apenas de sua posição no comando do Master. Segundo os investigadores, ele teria participado diretamente da obtenção de bases de dados, da formação e venda das carteiras, da captação de recursos junto ao BRB e da produção posterior de documentos usados para justificar as operações. A PF afirma ainda que houve tentativa de dar aparência de normalidade às transações, apesar da ausência de procedimentos considerados básicos de validação dos créditos, análise de risco e governança. Os investigadores sustentam que as operações bilionárias foram realizadas sem comprovação adequada da existência dos contratos que serviam como lastro para parte das carteiras. Cessões chegaram a R$ 17,5 bilhões As operações investigadas ocorreram entre julho de 2024 e outubro de 2025. Nesse período, o Banco Master repassou ao BRB cerca de R$ 17,5 bilhões em carteiras, incluindo crédito consignado, empréstimos pessoais, crédito rotativo e parcelamento de faturas. Segundo a PF, as cessões continuaram até outubro de 2025, mesmo depois de o Banco Central barrar, em setembro daquele ano, a operação de venda do Master ao BRB. A investigação afirma que algumas carteiras apresentadas ao banco público não tinham documentação suficiente para comprovar a existência dos créditos. Parte dos dados teria sido organizada em planilhas com informações sob suspeita de falsificação. Para os investigadores, sem a conferência dos contratos e das averbações dos empréstimos consignados, não seria possível assegurar que os créditos adquiridos pelo BRB realmente existiam ou tinham o valor econômico informado. Prejuízo mínimo apontado é de R$ 2,7 bilhões A PF estima, até o momento, um prejuízo mínimo de R$ 2,7 bilhões ao BRB, mas afirma que o valor definitivo pode ser maior. O relatório também considera um universo mais amplo de operações. Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o BRB adquiriu carteiras do Master e do Will Bank que, juntas, chegaram a aproximadamente R$ 26,6 bilhões. Mais de R$ 12 bilhões desse montante são classificados na investigação como créditos problemáticos ou inexistentes. Cerca de R$ 10 bilhões teriam sido posteriormente substituídos por outros ativos, que continuam sob análise quanto à capacidade de recuperação. Leia também: Caso Master: PF faz 9 buscas por prejuízo de R$ 121 milhões em fundo de previdência PF diz que Master dependia de recursos do BRB Mensagens obtidas durante a investigação também são usadas pela PF para sustentar que o Master dependia de recursos enviados pelo BRB para manter sua liquidez. Em uma conversa de setembro de 2024, Vorcaro teria demonstrado preocupação com a entrada de dinheiro do banco público e mencionado a possibilidade de utilizar recursos do depósito compulsório para cumprir obrigações do Master. Para a investigação, os diálogos reforçam a importância das operações com o BRB para a situação financeira da instituição naquele período. As vendas de carteiras aumentaram ao longo de 2025 e só perderam força depois que o Banco Central impediu a aquisição do Master pelo BRB. O Master foi liquidado em 18 de novembro de 2025, no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a primeira fase da Operação Compliance Zero. Outros executivos também foram indiciados Além de Vorcaro, Paulo Henrique Costa e Augusto Lima, o relatório inclui ex-executivos ligados ao Master e ao BRB. Entre eles estão Ângelo Ribeiro, ex-diretor financeiro do Master; Luiz Antônio Bull, ex-diretor de compliance; Alberto Félix de Oliveira, ex-superintendente financeiro; e o advogado Daniel Monteiro, que trabalhava para Vorcaro. A investigação atribui diferentes níveis de participação aos executivos na montagem, aprovação e execução das operações. Vorcaro e Paulo Henrique Costa afirmaram em depoimentos que as transações entre Master e BRB não causaram prejuízos e seriam vantajosas para as instituições. As defesas ainda poderão se manifestar sobre as conclusões apresentadas pela Polícia Federal. Investigação continua Esse é o primeiro indiciamento de Vorcaro dentro da Operação Compliance Zero, iniciada em novembro de 2025. Desde então, a Polícia Federal abriu diferentes frentes de apuração a partir de documentos, mensagens e outros elementos obtidos ao longo da investigação. Já foram realizadas dez fases da operação, envolvendo suspeitas de crimes financeiros, corrupção de agentes públicos, obstrução de Justiça e outras condutas. O post Caso Master: PF indicia Daniel Vorcaro, ex-presidente do BRB e mais 12 por crimes financeiros apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC .