Aluguel de ativos cresce R$ 20 bilhões em outubro, com mais empréstimos em 18 dos 20 maiores setores
Levantamento da Elos Ayta mostra aumento de R$ 20 bilhões no estoque financeiro de ativos emprestados durante outubro. ETFs ganham espaço e Magazine Luiza lidera expansão em quantidade.
A Bolsa brasileira atravessou fortes oscilações após os dois turnos das eleições presidenciais de 2026 . O Ibovespa avançou aproximadamente 7,7% em 5 de outubro, primeiro pregão após o primeiro turno, e recuou 13,88% em 26 de outubro, após o segundo. Nesse intervalo, outro segmento do mercado registrou mudanças expressivas: o empréstimo de ativos , popularmente conhecido como aluguel de ações . Levantamento da Elos Ayta , com base nos dados da B3 , mostra que o estoque financeiro de ativos emprestados passou de R$ 173,32 bilhões em 2 de outubro para R$ 193,34 bilhões em 26 de outubro. O crescimento de R$ 20,03 bilhões, equivalente a 11,6%, não representa necessariamente entrada de recursos nesse montante: o estoque financeiro varia tanto com a quantidade de títulos quanto com seus preços. Estoque financeiro volta a crescer O estoque total havia alcançado R$ 204,40 bilhões em abril de 2026, maior valor da série apresentada, antes de recuar para R$ 171,22 bilhões em setembro. Em outubro, voltou a crescer: entre 5 e 23 de outubro, avançou R$ 11,53 bilhões; no pregão de 26 de outubro, aumentou mais R$ 7,57 bilhões. Ainda assim, ficou cerca de 5,4% abaixo do pico de abril . ETFs ampliam participação nos empréstimos A participação dos fundos de índice ( ETFs ) no estoque financeiro passou de 14,6% em outubro de 2025 para 19,8% em 26 de outubro de 2026. O valor emprestado dessa classe aumentou de R$ 24,66 bilhões para R$ 38,30 bilhões, expansão de 55,3%. Em 23 de outubro, o BOVA11 concentrava R$ 25,91 bilhões, equivalentes a 69,4% dos empréstimos de ETFs. Somado ao BOVV11 , respondia por 83,3% da categoria. O empréstimo desses fundos pode atender a estratégias de proteção, arbitragem e venda a descoberto, não sendo sinônimo de aposta na queda. Quantidade emprestada cresce em 18 dos 20 setores analisados A análise por quantidade de títulos, que não sofre diretamente o efeito da oscilação das cotações, revela que 18 dos 20 setores com maior número de títulos emprestados em 23 de outubro ampliaram seus estoques no pregão de 26 de outubro . Somados, esses setores apresentaram aumento líquido de aproximadamente 196,1 milhões de títulos , considerando também as duas retrações. O número não representa o mercado inteiro, pois a seleção abrange somente os 20 maiores estoques em quantidade naquela data. Em termos absolutos, energia elétrica (+34,29 milhões de títulos), exploração, refino e distribuição (+32,90 milhões) e bancos (+27,41 milhões) lideraram os aumentos. Em termos porcentuais, eletrodomésticos (+19,94%) e serviços financeiros diversos (+13,11%) se destacaram. Na direção oposta, agricultura recuou 9,41%, ou 39,37 milhões de títulos, após forte expansão entre 2 e 23 de outubro. Carnes e derivados apresentou redução de 1,63%. A distinção entre quantidade e valor financeiro é fundamental: o número de títulos evidencia a evolução das posições em unidades, mas não mede diretamente sua exposição econômica. Além disso, a quantidade de ações emitidas e disponíveis para negociação difere entre empresas e setores. Magazine Luiza lidera aumento entre as ações Entre as 20 ações com maiores aumentos absolutos da quantidade emprestada entre 23 e 26 de outubro, Magazine Luiza (MGLU3) liderou: de 44,75 milhões para 64,59 milhões de ações , avanço de 19,84 milhões (+44,3%), no mesmo pregão em que seus papéis caíram 58,23%. A expansão reverteu a redução de 28,9% observada entre 2 e 23 de outubro. A B3 (B3SA3) acrescentou 16,95 milhões de ações (+13,1%) e o Bradesco (BBDC4) , 14,62 milhões (+6,6%), embora ambos ainda estivessem abaixo dos estoques anteriores ao primeiro turno. Já Itaú Unibanco (ITUB4) e Petrobras (PETR3) ampliaram suas quantidades emprestadas ao longo das quatro datas observadas. A Copel (CPLE6) (+23,1%) e a Auren (AURE3) (+16,9%) ilustram por que a variação porcentual complementa o ranking por aumento absoluto. As 20 ações selecionadas somaram cerca de 201,9 milhões de títulos adicionais entre 23 e 26 de outubro. Essa soma não representa o saldo líquido de todo o mercado, porque a amostra contempla apenas os maiores aumentos absolutos e exclui os ativos com redução do estoque. Entenda o aluguel de ações: quem empresta, quem toma e quais são os riscos O aluguel de ações é uma operação em que um investidor, chamado doador, disponibiliza temporariamente títulos de sua carteira a outro participante , o tomador. Em troca, o doador recebe uma taxa de remuneração. Ao fim do empréstimo, o tomador deve devolver títulos equivalentes, observadas as condições da operação. O tomador pode utilizar os ativos em diferentes estratégias. Uma delas é a venda a descoberto: ele vende ações emprestadas e pretende recomprá-las mais tarde por um preço menor . Há também operações de proteção de carteira, arbitragem e estratégias que envolvem ETFs. Por isso, nem todo título emprestado corresponde a uma aposta direta na queda . Como um investidor pode ganhar com a queda de uma ação? Um exemplo ajuda a compreender o mecanismo. Se o tomador vender 1 mil ações emprestadas a R$ 100 cada, receberá R$ 100 mil pela venda. Caso recompre os mesmos 1 mil papéis a R$ 80, gastará R$ 80 mil e obterá uma diferença bruta positiva de R$ 20 mil, antes de taxas, custos operacionais e tributos. Se o preço subir para R$ 120, a recompra custará R$ 120 mil e a diferença bruta será negativa em R$ 20 mil. Quais são os benefícios e os riscos para quem empresta? Para o doador, o ganho potencial é a remuneração pelo empréstimo . Isso não significa que ele esteja protegido contra uma queda: sua exposição econômica ao preço das ações permanece. Para o tomador que realiza venda a descoberto, a alta do papel pode provocar perdas expressivas, além de exigências de garantias e custos de manutenção da posição. O crescimento do aluguel significa aumento das apostas na queda? Não necessariamente. É importante distinguir o estoque de empréstimos de uma medida de posições vendidas . O estoque financeiro, utilizado nos gráficos deste levantamento, varia com as cotações e com a quantidade de ativos emprestados. Já as tabelas apresentam o número de títulos, permitindo identificar mudanças efetivas na quantidade em aberto. Nenhuma dessas duas medidas, isoladamente, informa quantos papéis foram vendidos a descoberto, a que preço as operações ocorreram ou se seus participantes obtiveram lucro. Também não se deve confundir venda a descoberto com a decisão de vender ações próprias e aplicar os recursos em renda fixa . Na primeira situação, o investidor precisa devolver títulos emprestados e assume obrigações e riscos específicos . Na segunda, encerra uma posição que já possuía. São operações economicamente distintas. O mercado antecipou a queda? O crescimento dos empréstimos não permite, por si só, afirmar que investidores anteciparam a queda da Bolsa. Os ativos emprestados podem atender a diferentes estratégias, e o estoque agregado não revela quando as operações foram abertas nem se houve venda a descoberto. A Vale (VALE3) exemplifica esse limite: sua quantidade emprestada aumentou 41,2% entre 2 e 23 de outubro, mas suas ações subiram 4,01% em 26 de outubro. O levantamento mostra uma expansão financeira relevante do mercado durante outubro, maior participação dos ETFs e aumento da quantidade de títulos em 18 dos 20 setores selecionados no pregão após o segundo turno. As trajetórias diferentes entre setores e empresas reforçam que o mercado de empréstimos não se comportou de maneira uniforme . A distinção entre valor financeiro, quantidade de títulos e posições vendidas é essencial para interpretar os dados com rigor. Metodologia Os gráficos apresentam o estoque financeiro total de empréstimos e a participação dos ETFs, em valores de mercado. As tabelas utilizam quantidades de títulos emprestados, expressas em milhares, nas quatro datas de outubro analisadas. Os setores foram selecionados pelos 20 maiores estoques em quantidade em 23 de outubro. As ações foram selecionadas pelos 20 maiores aumentos absolutos entre 23 e 26 de outubro. As amostras não representam todos os setores ou ativos da B3. Estudo elaborado pela Elos Ayta com base em dados da B3. Conteúdo exclusivamente informativo e educativo, sem recomendação de investimento.