AGCO tem queda de 83% no lucro líquido do terceiro trimestre
Fabricante de máquinas agrícolas registrou lucro de US$ 51,7 milhões entre julho e setembro; vendas na América Latina recuaram 19,1% em moeda constante
A AGCO, fabricante de máquinas agrícolas dona das marcas Valtra, Fendt e Massey Ferguson, registrou lucro líquido de US$ 51,7 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 83,1% em relação aos US$ 305,7 milhões registrados no mesmo período de 2025. Nos nove primeiros meses do ano, o lucro líquido somou US$ 183,9 milhões, recuo de 70,8% na comparação com os US$ 631 milhões registrados entre janeiro e setembro do ano passado. A receita líquida de vendas da companhia totalizou US$ 2,3 bilhões no terceiro trimestre, queda de 8,6% em relação ao mesmo período de 2025. No acumulado do ano, a receita atingiu US$ 7,2 bilhões, alta de 0,7% na comparação anual. Leia Mais CNH Industrial registra queda de 35% no lucro líquido Lucro da Cargill recua 52% no primeiro trimestre fiscal de 2027 SLC Agrícola tem lucro de R$ 245 milhões no 2º trimestre, alta de 75% Na América Latina, as vendas líquidas recuaram 19,1% no terceiro trimestre, desconsiderando os efeitos cambiais. Segundo a companhia, a redução refletiu a menor demanda por máquinas agrícolas na região. O resultado operacional também caiu, pressionado principalmente pela diminuição das vendas e dos volumes de produção. No Brasil, as vendas de tratores no varejo recuaram 17% nos nove primeiros meses de 2026 em relação ao mesmo período do ano passado. A empresa atribuiu o movimento à menor demanda por máquinas de maior porte. As vendas de colheitadeiras caíram 38% na mesma base de comparação. A AGCO apontou juros elevados, restrições ao crédito e condições econômicas desfavoráveis para os produtores rurais como fatores que pressionaram a rentabilidade no campo. A incerteza econômica e sobre as políticas públicas também reduziu a confiança dos agricultores e contribuiu para o adiamento das compras de equipamentos. Em nota, o presidente e CEO da AGCO, Eric Hansotia, afirmou que a companhia opera em um cenário de demanda global por máquinas agrícolas no nível mais fraco em mais de uma década. Segundo ele, os custos elevados de insumos e as incertezas nos mercados de commodities e no comércio internacional contribuíram para a retração. A empresa informou que ajustou a produção à demanda, administrou os estoques dos concessionários e manteve o controle de custos. Também destacou investimentos em agricultura de precisão, sistemas de pulverização direcionada com inteligência artificial e soluções autônomas, voltados à redução dos custos operacionais dos produtores. A AGCO estima a receita líquida entre US$ 9,8 bilhões e US$ 10 bilhões em 2026. A margem operacional ajustada deve ficar em torno de 7%, enquanto o lucro por ação ajustado é estimado em aproximadamente US$ 5,50. A fabricante também informou que pretende manter os volumes de produção alinhados à demanda do mercado, com foco no controle de custos e na disciplina de preços.