Diretor ganhador do Oscar quer transformar entrevista de Elizabeth Holmes em documentário

Por Estadão · Categoria: Geral ·

Um dos grandes destaques dos cinemas em 2026, You Can See Everything (Tudo Pode Ser Visto) pode deixar de ser em breve o único documentário recente sobre Elizabeth Holmes. Isso porque o cineasta Errol Morris afirma ter em sua pose uma entrevista de duas horas com a fundadora da Theranos que pretende

Um dos grandes destaques dos cinemas em 2026, You Can See Everything (Tudo Pode Ser Visto) pode deixar de ser em breve o único documentário recente sobre Elizabeth Holmes. Isso porque o cineasta Errol Morris afirma ter em sua pose uma entrevista de duas horas com a fundadora da Theranos que pretende lançar de alguma forma . Ganhador do Oscar de Melhor Documentário em 2003 por ‘Sob a Névoa da Guerra’ , ele teve a oportunidade de gravar uma longa entrevista com a executiva em 2015. Na época, ele foi bastante criticado por ter contribuído com alguns dos materiais promocionais que ajudaram Holmes a virar um fenômeno no Vale do Silício. Diretor quer transformar entrevista com Elizabeth Holmes em filme sem cortes Além de trabalhar com vários documentários, Morris também é um nome bastante conhecido do mercado publicitário norte-americano . E foi justamente isso que despertou a atenção da Theranos, que em 2015 havia ganhado destaque com sua promessa de realizar exames médicos complexos a partir de poucas gotas de sangue. Em uma entrevista à Variety, ele revelou que ainda não teve a oportunidade de assistir a Tudo Pode Ser Visto; No entanto, a repercussão do documentário de Nathan Fielder e Lance Oppenheim fez com que ele finalmente conferisse outra obra ligada a Holmes; Lançado em 2019, o documentário A Inventora: À Procura de Sangue no Vale do Silício, de Alex Gibney (disponível no Brasil pela HBO Max) traz imagens de Morris na época em que ele gravou os comerciais da Theranos; Ao perceber isso, o diretor lembrou que, na época do auge da popularidade de Holmes, gravou com Holmes uma entrevista para um documentário que pretendia fazer; “Perguntei, em certo ponto, se podia gravar uma entrevista com ela — e isso no auge de seu sucesso — e gravei duas horas de conversa com ela, algo que não é muito conhecido, se é que alguém sabia disso. E eu acabei de assistir a isso. Eu estou sinceramente interessado em lançar isso como um filme sem edição”, explicou. Morris explica que sua intenção é oferecer ao público uma visão de como era Elizabeth Holmes antes de ela ser acusada e condenada por fraude. Ele também afirmou que teve dificuldades em lançar o material no passado justamente por causa dos diversos problemas legais com os quais a executiva estava envolvida. Morris quer explorar o lado psicológico de Elizabeth Holmes Observando novamente que ainda não assistiu a You Can See Everything, Morris explica que tem como intenção examinar melhor o lado psicológico de Elizabeth Holmes . Para ele, o importante não é mostrar as mentiras da executiva , mas sim examinar como ela parece ter acreditado realmente nas ficções que criou em sua mente. “Em qual nível ela enganou a si mesma? Em qual nível ela acreditava nas próprias besteiras?”, questionou ele à Variety. “Eu continuo me questionando sobre a psicologia do autoengano, porque parte de mim acredita que ela acreditava na Theranos e que podia alcançar os resultados prometidos”. O diretor também explicou que não sabia o quanto de seu trabalho na época estava sendo filmado e como ele foi parar no documentário de Gibney . Ele afirmou que ficou chocado quando descobriu a verdade sobre a empresa e que encarou o trabalho para ela de forma normal. Na época, Morris era considerado uma grande referência por seus comerciais da Apple, cujo fundador, Steve Jobs, inspirou tanto as vestimentas quanto o modo de falar de Holmes.