Mar de chocolate no Caribe: entenda o fenômeno das algas que exalam cheiro de ovo podre
O acúmulo atípico da macroalga sargaço no Caribe mexicano altera a cor da água, afeta o turismo local e pode trazer riscos à saúde pública e ao meio ambiente
O acúmulo massivo de uma alga marinha conhecida como sargaço alterou a paisagem de praias paradisíacas no Caribe mexicano, criando o fenômeno chamado de “mar de chocolate” . Além do impacto visual na Riviera Maya e no estado de Quintana Roo, a matéria orgânica em decomposição exala um odor de ovo podre e gera gás sulfeto de hidrogênio , uma substância tóxica que acende alertas de saúde e preservação ambiental na região. Como surge o fenômeno e por que o odor é tão forte? Cientistas apontam que a proliferação acelerada do sargaço decorre do aquecimento das águas oceânicas . O ciclo de presença das algas, que costumava durar entre dois e três meses, estendeu-se para um período crítico de até nove meses por ano. Projeções de autoridades ambientais indicam que o volume recolhido nas praias deve ultrapassar 131 mil toneladas até o fim do ano, superando o recorde anterior de 105 mil toneladas. A decomposição das algas ocorre entre 24 e 48 horas após a chegada à costa. Nesse intervalo, há a liberação do sulfeto de hidrogênio . Além disso, o sargaço pode filtrar metais pesados , como o arsênio , para a areia da praia, impactando a biodiversidade local. Brian LaPointe, professor do Harbor Branch Oceanographic Institute da Universidade Atlântica da Flórida, destaca a necessidade de integrar sistemas de observação via satélite a intervenções coordenadas. Leia Mais: Youtuber Dedeco morre semanas após anunciar gravidez da esposa IGP-M desaclera alta para 1,47% e fica abaixo das expectativas, diz FGV Ética e responsabilidade: como avaliar uma marca antes de comprar Prejuízos financeiros e impacto no turismo A crise afeta diretamente a economia local. De acordo com o vereador de Tulum, Elheno Barbacano, a redução no fluxo de turistas é severa, prejudicando hotéis, restaurantes e o comércio. Para conter os danos estéticos e operacionais, trabalhadores realizam diariamente a remoção manual e mecânica das algas nas praias. O governo de Quintana Roo estima que o gerenciamento do sargaço custa cerca de US$ 2 bilhões por ano , o equivalente a aproximadamente 11% do Produto Interno Bruto (PIB) regional. Especialistas reforçam que a implementação de modelos de previsão e mitigação prévia é fundamental para conter os impactos contínuos no ecossistema e na economia caribenha. *Com informações da Reuters