Montagem da equipe econômica de Lula 4 tem disputa interna sobre controle de gastos e política de juros

Por Times Brasil — Brasil · Categoria: Nacional ·

Integrantes da atual equipe econômica e nomes ligados a governos anteriores defendem caminhos distintos para as contas públicas e influenciam a formação do próximo governo. O post Montagem da equipe econômica de Lula 4 tem disputa interna sobre controle de gastos e política de juros apareceu primeir

A definição da política econômica do quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é alvo de uma disputa entre integrantes da atual equipe de governo, que defendem maior controle das contas públicas, e nomes ligados a administrações petistas anteriores, favoráveis a uma atuação mais desenvolvimentista do Estado. As divergências envolvem o ritmo do ajuste fiscal, a condução dos juros e a escolha dos integrantes da próxima equipe econômica. As discussões ocorrem após a reeleição de Lula, em um momento de forte instabilidade no mercado financeiro e de cobranças por medidas capazes de conter o crescimento da dívida pública. O presidente tem ouvido representantes das duas correntes, mas ainda não definiu quais propostas terão prioridade no próximo mandato, segundo reportagem do Valor Econômico. As conversas envolvem integrantes da atual equipe econômica e nomes que participaram de governos anteriores do PT. Leia também: Ibovespa cai mais de 2% com incertezas sobre Lula 4 e decisão do Fed no radar Ajuste fiscal divide integrantes do governo De um lado estão o ministro da Fazenda, Dario Durigan, e o ministro do Planejamento, Bruno Moretti. O grupo defende a continuidade do ajuste das contas públicas, com mudanças nas regras fiscais para ampliar a capacidade do governo de controlar despesas. Lula recebeu os dois ministros no Palácio do Planalto na segunda-feira (26), no primeiro dia após o segundo turno. Novas conversas devem ocorrer antes da definição da equipe para o próximo mandato. Do outro lado estão economistas e antigos integrantes de governos petistas, entre eles o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Essa corrente defende maior participação do Estado na economia e questiona a prioridade dada à contenção de gastos e à manutenção de juros elevados. Uma das divergências envolve a interpretação da crise que levou ao impeachment de Dilma Rousseff, em 2016. Integrantes da ala desenvolvimentista atribuem parte das dificuldades daquele período ao ajuste fiscal conduzido pelo então ministro Joaquim Levy. Essa avaliação é contestada por economistas que apontam a deterioração das contas públicas como um dos fatores da crise. Governo estuda mudanças nas regras fiscais Enquanto a composição da equipe segue indefinida, o Ministério da Fazenda prepara medidas para reforçar o cumprimento das metas fiscais. Na terça-feira (27), Durigan confirmou que o governo avalia ampliar a parcela do Orçamento que pode ser bloqueada para evitar o descumprimento das metas. A proposta depende de aprovação do Congresso Nacional. A mudança permitiria ao governo restringir uma parcela maior das despesas caso a arrecadação ou as projeções fiscais se afastem do resultado previsto. Atualmente, parte dos gastos públicos está protegida desses bloqueios, o que limita a capacidade de ajuste durante a execução do Orçamento. Entre os desafios do próximo mandato está o crescimento das despesas obrigatórias, que reduz a margem disponível para investimentos e outras políticas públicas. A revisão de benefícios tributários e de regras de gastos também aparece nas discussões sobre o equilíbrio fiscal, mas não há um pacote definitivo anunciado pelo governo. Banco Central entra na disputa As divergências também alcançam a política monetária e as possíveis indicações para a diretoria do Banco Central (BC). Economistas ligados à corrente desenvolvimentista consideram os juros brasileiros excessivamente elevados e questionam a relação entre a política fiscal e o nível das taxas. Já os participantes do mercado financeiro manifestam preocupação com a possibilidade de mudanças na orientação da autoridade monetária. Entre os nomes associados ao debate está André Roncaglia, representante brasileiro no Fundo Monetário Internacional (FMI), que já questionou publicamente a meta de inflação de 3% e seus efeitos sobre os juros. O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, também é alvo de críticas da ala desenvolvimentista pela condução da política monetária. A discussão ocorre em um cenário de volatilidade do câmbio e da Bolsa. Para investidores, a combinação entre medidas fiscais e a atuação do Banco Central será determinante para as expectativas de inflação, juros e dívida pública nos próximos anos. Até o momento, não há confirmação de mudanças na presidência ou na orientação da instituição. Escolha para Fazenda segue indefinida Além das propostas econômicas, Lula terá de decidir quem comandará o Ministério da Fazenda no quarto mandato. Entre os nomes cogitados estão o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). A permanência de Durigan também faz parte das possibilidades discutidas no cenário político. A indefinição ocorre enquanto o mercado cobra sinais sobre o compromisso do próximo governo com o controle das despesas. A escolha do ministro, porém, é apenas uma parte da decisão: a condução da política econômica dependerá também das medidas apresentadas e da capacidade de aprová-las no Congresso. Lula ainda não anunciou os integrantes da nova equipe nem definiu qual das correntes terá maior influência sobre a política econômica do próximo mandato. O post Montagem da equipe econômica de Lula 4 tem disputa interna sobre controle de gastos e política de juros apareceu primeiro em Times Brasil | CNBC .