Chanceler italiano diz que Flávio Bolsonaro conseguiu passaporte devido a 'lei antiga muito permissiva'

Por CBN — Mundo · Categoria: Internacional ·

O ministro das Relações Exteriores e vice-premiê da Itália, Antonio Tajani, foi questionado nesta quinta-feira (29) sobre o passaporte da família Bolsonaro, após a fuga de Flávio Bolsonaro para a Argentina e depois para os Estados Unidos usando o passaporte italiano. Segundo ele, a família tinha dir

O ministro das Relações Exteriores e vice-premiê da Itália, Antonio Tajani, foi questionado nesta quinta-feira (29) sobre o passaporte da família Bolsonaro, após a fuga de Flávio Bolsonaro para a Argentina e depois para os Estados Unidos usando o passaporte italiano. Segundo ele, a família tinha direito pela linhagem, conforme a lei antiga, na qual ele chamou de 'muito permissiva'. De acordo com Tajani, o passaporte não 'foi uma concessão, mas um direito'. Depois, perguntado pelo jornal Corriere della Serra, ele disse que eles conseguiram pela relação sanguínea. O bisavô de Jair Bolsonaro, Vittorio Bolzonaro, era italiano e emigrou para o Brasil em 1888. Flávio e Eduardo Bolsonaro conseguiram passaporte em 2023, enquanto Carlos Bolsonaro em 2024. Tajani faz uma comparação ao caso de Marisa Letícia, mulher de Lula que morreu em 2017 e era filha de agricultores descendentes de italianos. Segundo ele, 'até a esposa do Lula, já falecida, tinha passaporte italiano'. Dessa forma, Marisa tinha uma descendência mais próxima de italianos do que a família Bolsonaro. O ministro tenta comparar os casos fazendo uma crítica. 'Concedíamos passaportes aos cidadãos que tinham direito a eles. Fui eu quem mudou a lei, o que gerou muitas críticas porque muita gente fazia negócios com cidadania. Afinal, até a esposa do Lula, já falecida, tinha passaporte italiano'. O deputado Angelo Bonelli, que havia pedido explicações sobre a velocidade que os filhos de Jair Bolsonaro conseguiram o passaporte, disse que a comparação é 'ofensiva'. 'Marisa Letícia era filha de imigrantes italianos e jamais usou sua cidadania italiana para burlar a lei. Os irmãos Bolsonaro, por outro lado, estão foragidos da justiça brasileira'. Deputado italiano pede ao governo investigação sobre passaportes da família Bolsonaro Declaração de voo mostra que Flávio Bolsonaro voou da Argentina com passaporte italiano. Reprodução Após a informação da entrada do senador Flávio Bolsonaro (PL) na Argentina com passaporte italiano, o deputado do país, Angelo Bonelli, da Aliança dos Verdes e da Esquerda, fez um pedido aos ministros das Relações Exteriores e do Interior para apurar como foi feita a emissão de passaportes da família Bolsonaro. Bonelli quer entender se Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro 'receberam tratamento prioritário para obter a cidadania italiana, enquanto centenas de milhares de descendentes de italianos no Brasil aguardam há mais de dez anos'. O motivo, segundo ele, é que o pedido de Flávio e Eduardo para entrada na lista de espera ocorreu em 2020 e, em 2023, eles já eram cidadãos italianos. Carlos virou em 2024. O parlamentar lembra que as convocações ficaram suspensas em Brasília entre 2018 e 2022. Nove dias após a derrota de Jair Bolsonaro, Flávio e Eduardo teriam ido pessoalmente à Embaixada para dar entrada com o pedido. 'A Itália não pode se tornar um refúgio para aqueles que devem responder à justiça de seu próprio país', diz Bonelli. O deputado pede para que o governo 'abra uma investigação que envolva também parlamentares da oposição para verificar as datas exatas de inscrição na lista, de convocação e apresentação de documentos, a posição dos Bolsonaros em comparação com os outros requerentes e se alguma isenção foi autorizada'. Registro de entrada de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos com passaporte diplomático. Reprodução A declaração de voo mostra que o senador Flávio Bolsonaro (PL) saiu do Brasil para os Estados Unidos ao lado da esposa e duas filhas com um passaporte italiano. O voo teve autorização de decolagem, conforme mostrado em carimbo, já nesta quarta-feira (28). As informações foram recebidas pela rádio CBN com fontes. Depois, a entrada nos Estados Unidos ocorreu com o passaporte diplomático, apesar de ter sido cancelado pelo Supremo Tribunal Federal.