PF é acionada para investigar escalada de violência contra indígenas no MS

Por Correio Braziliense — Brasil · Categoria: Nacional ·

Movimentos indígenas afirmam que as violações não são recentes, mas vêm se intensificando após o processo eleitoral

O Ministério dos Povos Indígenas acionou a Polícia Federal para investigar as denúncias de violência e ameaças contra indígenas dos povos Guarani e Kaiowá , no estado de Mato Grosso do Sul. A Fundação dos Povos Indígenas (Funai) classificou os relatos como "extremamente preocupantes", pois apontam para possíveis ameaças à vida, à segurança e à integridade física dos indígenas, além de manifestações de discriminação e incitação ao ódio. Na quarta (28/10), um servidor da Prefeitura de Tacuru (MS) foi afastado das funções após ser identificado como autor de um áudio que sugere o envenenamento da água consumida por indígenas da Aldeia Sassoró. O episódio ocorre em meio a relatos de violência e intimidação contra comunidades indígenas de diferentes municípios do estado, atribuídos a divergências políticas após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) . A Funai, por meio da Diretoria de Direitos Humanos e Políticas Sociais (DHPS), da Coordenação de Mediação de Conflitos (Comec) e das Coordenações Regionais de Ponta Porã e Dourados, mantém diálogo com as lideranças indígenas da região e com o Ministério Público Federal (MPF), a fim de acompanhar a situação, verificar as denúncias e contribuir para a adoção das providências cabíveis. Leia também: APIB denuncia racismo e ameaças contra indígenas após eleições Os Ministérios dos Povos Indígenas (MPI), dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e da Igualdade Racial (MIR) atuam em conjunto para pedir a investigação das denúncias de violência relacionadas aos povos indígenas, comunidades quilombolas e povos de terreiro. Os órgãos estão em diálogo permanente, por meio de uma força-tarefa, para que os casos sejam investigados "de forma célere e os responsáveis identificados e responsabilizados por possíveis crimes". Voninho Kaiowá, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas pela Aty Guasu, repudiou as ameaças e violência e alertou que essas violações não são recentes, mas vêm se intensificando após o processo eleitoral. Além das ameaças de envenenamento das fontes de água utilizadas pelas famílias indígenas, as comunidades denunciam assassinatos, atropelamentos e ataques. A escalada da violência foi denunciada pela deputada federal Célia Xakriabá (PSol-MG) na Comissão de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial. Além da denúncia de possível envenenamento da água em território Guarani Kaiowá (MS), a parlamentar também apontou o incêndio que atingiu o território do povo Tikm’n, conhecido como Maxakali, em Minas Gerais. "São povos indígenas que enfrentam ameaças à vida, à água e aos seus territórios. Essas denúncias precisam ser investigadas, e o poder público deve agir para garantir proteção às comunidades", disse Célia. Saiba Mais Brasil Mulher morre após colonoscopia em SC; outros 16 pacientes passaram mal Brasil Cenipa aponta causa de acidente aéreo que matou bombeiros em Minas Gerais Brasil Mega-Sena, Quina, Lotofácil, Dupla-Sena, Dia de Sorte, Super Sete, +Milionária e Lotomania: resultados desta quarta